Quatro anos depois, Neymar continua rendendo (muito) dinheiro ao Santos

O Brasil é conhecido em todo o mundo como um importante produtor de jogadores de futebol. Desde que o desporto é profissional e o mercado de transferências se internacionalizou, o país produz mão-de-obra (ou seria pé-de-obra?) altamente especializada e extremamente disputada nos ricos mercados europeus – e, mais recentemente, asiáticos.

Contudo, os clubes brasileiros, formadores de alguns dos maiores atletas da história, sempre sofreram por perder os seus talentos ainda jovens e sem muito valor agregado. Quem sempre costumou ganhar dinheiro vendendo jogador zuca são, na verdade, os clubes europeus que servem de ponte. Por algum tempo foram os holandeses, muitas vezes os portugueses e, mais recentemente, os franceses.

Neymar foi um caso à parte. Desde os seus 13 anos já se sabia que ele, provavelmente, seria um dos melhores do mundo. O Santos, seu clube formador, é conhecido por ser um celeiro de craques – de suas categorias de base surgiram nomes como Robinho, Diego e Ganso, pra ficar entre os mais recentes e não apelar para o maior de todos, Pelé.

Mas Neymar não se mudou para a Europa aos 17, como se esperava. Ele escolheu jogar por algumas temporadas no Brasil, mesmo com todo o assédio do exterior. Como resultado, seu valor foi ficando cada vez mais alto e culminou, em 2013, com a venda mais cara de um clube brasileiro no história. Naquele ano, o Barcelona desembolsou € 88 milhões pela peça brasileira do futuro membro do trio MSN.

A venda mais que dobrou o recorde anterior, que era sustentado pelo São Paulo. Em 2012, o clube do Morumbi liberou o atacante Lucas por € 43 milhões para… o PSG, da França.

Mesmo a venda de Gabriel Jesus, pérola do Palmeiras campeão nacional em 2016 e atacante da Seleção Brasileira, não chegou nem perto da transferência de Neymar. O atual titular do Manchester City exigiu que os ingleses pagassem € 32,7 milhões aos alviverdes paulistanos.

Venda de Neymar ao PSG deve render milhões ao Santos

Se o “peixe”, como o Santos é conhecido no Brasil, já lucrou dezenas de milhões de euros em 2013, a transferência de sua maior revelação dos últimos anos ao Paris Saint-Germain foi mais uma notícia muito bem-vinda no Brasil.

A FIFA estabelece que os clubes formadores têm direito a até 5% do valor de venda de um jogador em transferências internacionais. Com a compra recorde do clube francês, desembolsando € 222 milhões, Neymar mais uma vez faz seu clube brasileiro ganhar muito dinheiro.

Atento às notícias que vinham da Europa, o Santos inclusive providenciou novos documentos atestando que Neymar era seu atleta desde os 13 anos de idade, aumentando o tempo oficial que o jogador passou em suas categorias de base e, com isso, aumentando também a porcentagem à qual tem direito na maior transferência da história do futebol.

A ida de Neymar para Paris deve, portanto, render em torno de € 9 milhões aos caixas santistas, ou R$ 33 milhões em dinheiro brasileiro. Mais do que muito prêmio de loteria. Isso por menos de 5% do valor total da compra francesa.

As cifras são tão altas que esse dinheiro que deve ser repassado ao Santos, se fosse uma venda completa, já colocaria a transferência entre as 45 maiores da história do futebol brasileiro. Em 2017, o jovem lateral Jorge, revelado pelo Flamengo, foi vendido ao Monaco pelos mesmos € 9 milhões, em uma transferência considerada altamente lucrativa pelo time do Rio de Janeiro.

Dinheiro pode ser alvo de disputa

O Santos, contudo, também se prepara para brigar na justiça pela quantia que julga ter direito. Isso porque existe a possibilidade de que, segundo algumas correntes jurídicas, o clube brasileiro não receba a porcentagem de clube formador uma vez que o PSG pagou a multa rescisória de forma integral, sem negociação.

O Santos não concorda com essa possível interpretação, e conta, segundo informações do Globoesporte, com decisões recentes do Tribunal Arbitral do Esporte da Fifa que seguiram a linha de considerar situações semelhantes à de Neymar como transferências sujeitas ao pagamento para o clube formador.

Nada como revelar um dos melhores jogadores do mundo. E contar com a vontade de gastar dinheiro do príncipe do Qatar para continuar lucrando com o atleta vendido quatro mais cedo.

Rafael Almeida

Rafael é brasileiro e acompanha futebol há tanto tempo que nem se lembra. Se interessa também pela política do esporte e pelas suas dimensões socio-culturais. É formado em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo e atualmente estuda jornalismo, sendo também parte da equipe de um jornal digital no Brasil, onde escreve sobre política internacional.

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