Em contexto de briga nos estádios, avançados protagonizam violência no Brasileirão (vídeo)

O CRB quebrou uma série de quatro vitórias seguidas do América-MG, líder da Série B do Brasileirão, e voltou a entrar na disputa pelo acesso à primeira divisão nacional em 2018. A equipa de Alagoas venceu por 2-1 na sexta-feira e subiu para a 7ª posição. Já os mineiros seguem com folga na liderança.

Mas o que mais chamou a atenção no jogo foi a cena de violência protagonizada pelos artilheiros rivais Zé Carlos, do CRB, e Bill, do América-MG.

Aos 84 minutos de partida, o placar já estava em 2-1 e o CRB fazia de tudo para segurar a vitória. Já o América-MG tentava, pelo menos, voltar para Minas Gerais com o empate fora de casa. Os líderes pressionavam em busca do gol, até que, após uma falta a favor do América-MG no meio de campo ofensivo, uma pequena discussão foi iniciada entre atletas de ambas as equipes.

O árbitro apartava a briga e distribuía cartões amarelos, mas Bill e Zé Carlos começara a se enfrentar de forma mais violenta no meio da confusão. Logo foram separados pelos companheiros e, posteriormente, expulsos pelo juiz.

Não bastou. Zé Carlos continuou a provocar Bill de forma agressiva fora de campo. O avançado do América-MG optou por responder com violência, e os dois trocaram socos e pontapés ao lado da entrada para os balneários, e bem em frente a grande parte dos adeptos do CRB.

Por estarem fora de campo, levou alguns segundos até que os outros atletas em campo e o delegado da partida chegassem para dar um fim à violência. Zé Carlos desceu para os balneários apontando para Bill e para os adeptos, que gritavam o tradicional e violento “ih, vai morrer!” para Bill. O avançado do América-MG esperou até ser escoltado aos balneários.

A reação da polícia também chamou a atenção. Enquanto a briga era separada, policiais da tropa de choque que faziam a segurança no jogo chegaram batendo em seus escudos, como se estivessem em uma cena de guerra.

Violência e paz no futebol brasileiro

O episódio demonstrou o poder que os atletas têm em influenciar os adeptos fora de campo. A violência no relvado logo inflamou a audiência nas bancadas, que passou a cantar gritos pedindo por mais briga em campo.

A confusão também acontece em um momento delicado no Brasil. Nos últimos meses, quatro episódios de brigas entre torcidas, dentro e fora dos estádios, ganharam destaque na imprensa. Em um deles, um torcedor do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, morreu ao levar um tiro após o jogo contra o Flamengo. Não se sabe quem disparou, e testemunhas dizem que a bala veio da polícia.

A briga em Alagoas aconteceu dois dias depois de uma cena de paz e amizade na Série A do torneio. Os adeptos do Sport receberam o treinador Abel Braga, do rival Fluminense, com aplausos e cantos de “Força, Abel” após o falecimento de seu filho de 18 anos. O rapaz morreu depois de cair da varanda de seu apartamento no Rio de Janeiro. Abel Braga, muito emocionado, agradeceu as bancadas adversárias.

Veja abaixo os dois episódios:

https://www.youtube.com/watch?v=jrBA5Ky4O_0

Rafael Almeida

Rafael é brasileiro e acompanha futebol há tanto tempo que nem se lembra. Se interessa também pela política do esporte e pelas suas dimensões socio-culturais. É formado em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo e atualmente estuda jornalismo, sendo também parte da equipe de um jornal digital no Brasil, onde escreve sobre política internacional.

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