Rio Ave 1-0 Belenenses: Movidos pela vontade dum “anónimo”

A “Passarola”de Miguel Cardoso foi movida com um golo solitário de Chico Geraldes na conversão dum livre direto, que ainda sofreu um desvio na barreira azul-e-branca. Decorrido numa noite ventosa em Vila do Conde, o jogo foi equilibrado, com o Rio Ave a privilegiar a posse da bola e a construção desde o guarda-redes, e um Belenenses na expectativa mas que ainda assim foi mais perigoso, especialmente na primeira metade.

Nova época, e muitas estreias dos dois lados. Do lado caseiro, o treinador Miguel Cardoso estreou-se ao comando dos vilacondenses, e curiosamente ex-adjunto do treinador visitante, Domingos Paciência. Nos onzes iniciais, estreia de Yuri Ribeiro, Geraldes, Marcão, Pelé e Barreto no Rio Ave, e Muriel, Sasso, Tandjigora e Jesús na equipa do Restelo.

Soava o apito inicial e o Belenenses entrava “a matar”, com um ritmo rápido e objetivo, criando insistentemente perigo pelos pés de Jesús Hernandez, venezuelano de 24 anos contratado ao Deportivo Lara, e pelos desequilíbrios de Diogo Viana e André Sousa. Gradualmente ia-se reconhecendo duas posturas distintas no jogo: o Rio Ave a construir desde Cássio, que normalmente passava ao trinco Pelé para iniciar uma construção lenta, encontrando muitas soluções no meio-campo ofensivo, a mais dinâmica delas Geraldes, a par de Rúben Ribeiro, enquanto o Belenenses tentava as transições rápidas. Aos 37 minutos chegou o único golo da partida, saído dos pés daquele a quem já é apelidado de “hipster” do futebol português, Chico Geraldes. Ganhou a falta, encarregou-se da marcação do livre a uns 25 metros da baliza, e desferiu um remate que, não sendo brilhante, sofreu um desvio no central Nuno Tomás que traiu o guarda-redes Muriel. O médio ainda levou amarelo na sequência dos festejos. Até ao final da primeira parte o Belenenses ainda tentou o golo, mas com remates cada vez mais longínquos da área contrária.

No começo da segunda parte o Rio Ave vinha com ordens para marcar o segundo golo o mais rápido possível, aproveitando a favorabilidade do vento, e os vilacondenses não tinham medo de rematar de longe, normalmente através do extremo rápido Barreto ou Rúben Ribeiro. O Belenenses começou a reagir e subiu a linha defensiva no terreno, mas ia faltando “pólvora” ao ataque, tendo como primeiro esboço de remate uma tentativa na ressaca de Tandjigora, à entrada da área, que passou a centímetros do poste. Bom remate do combativo médio gabonês que foi dos melhores dos da “cruz-de-Cristo”. Aos 60′, Domingos queria mexer com o jogo e encontrar o golo da igualdade. Lançou Balogun e Pereirinha, dois jogadores velozes, mas pouco perigo efetivo conseguiram criar. Por sua vez, Miguel Cardoso, quis manter o resultado e fez entrar jogadores frescos para o meio-campo, como Pedro Moreira e Nuno Santos, ex-Benfica. O primeiro teve aliás um papel importante na manutenção do resultado nos instantes finais, em que o Belenenses procurava cada vez mais o golo de forma desesperada, com livres longos batidos para dentro da área, mas sempre sem efeito. A sua situação de maior perigo da segunda parte deu-se aos 76′, quando Hanin fez uma (rara) incursão pela esquerda e encontrou Maurides, recém lançado, mas Marcão intrometeu-se no curso do seu remate. O Rio Ave ainda viria a fazer dois contra-ataques já no período de compensação, desta feita sem sucesso. Ganhou a equipa que soube gerir melhor os momentos do jogo e a posse de bola, não descurando a sorte (e a vontade, claro está) a que foi assistida nesta ventosa noite de verão.

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.

Deixe uma resposta