Como prever qualquer coisa? A 22ª rodada do Brasileirão

É praticamente impossível adivinhar o que pode se passar no Brasileirão, a qualquer momento. Mesmo as certezas mais estabelecidas dos últimos meses, como o título do até então invicto Corinthians e o rebaixamento do combalido Atlético-GO começam a ser repensadas.

Uma boa forma de medir a imprevisibilidade do certame é observar as casas de aposta. Dificilmente se encontra uma partida com as probabilidades tão certas que se paga mal para qualquer resultado. Os mandantes perdem, os líderes jogam mal, e assim a diferença entre a zona de rebaixamento e o 12º colocado é, hoje, de apenas três pontos.

A 22ª rodada, oficialmente, ainda não terminou. O vice-líder Grêmio recebe o Sport em Porto Alegre no sábado, 2 de setembro, para tentar se aproximar do Corinthians. Mas, por enquanto, já é possível destacar o que de melhor se passou no futebol brasileiro.

Na ponta: Corinthians se esforça para dar emoção

Muito se falou nos últimos meses no Brasil que o Campeonato Brasileiro já havia terminado para 2017. Bastava jogar as partidas restantes e fazer o óbvio ao fim: entregar a taça ao Corinthians.

Pois os paulista estão a se esforçar para manter a emoção até o fim do ano. Se conseguiram manter a invencibilidade durante todo o primeiro turno, nos três primeiros jogos do segundo já são duas derrotas para os dois últimos colocados da tabela. E em casa.

No sábado, 26, foi a vez do frágil Atlético-GO conseguir arrancar um 1-0 dos líderes, acumulando apenas sua quinta vitória em 22 partidas. O Grêmio ainda está por jogar, e caso vença, pode voltar a reduzir a diferença para o Corinthians a sete pontos.

O Palmeiras venceu o clássico contra o São Paulo em casa por 4-2, de virada, e conseguiu voltar ao Top-4, que dá classificação direta à Libertadores de 2018. O Flamengo também venceu o Atlético-PR por 2-0 em casa e permanece na briga no topo da tabela. Já o Santos, mesmo com a equipa reserva, conseguiu um empate por 1-1 com o Cruzeiro e se manteve na terceira colocação.

Destaque da Rodada

Não é todo dia que o Corinthians perde em sua Arena. E embora não tenha feito uma boa partida, a vitória do Atlético-GO se deve em grande medida ao seu guarda-redes Marcos. Em sua primeira partida no Campeonato – ele era o terceiro goleiro até então – fez três defesas importantes e garantiu que sua defesa saísse sem levar gols.

O titular da posição, Kléver, não pode jogar em São Paulo por estar com um entorse no tornozelo, enquanto o principal nome do elenco para o gol no início do campeonato, Felipe, resolveu rescindir contrato com o “Dragão” e deixar a equipe. Com isso, sobrou para Marcos a tarefa de parar o segundo melhor ataque do Brasileirão. E conseguiu.

O Corinthians teve dois importantes desfalques. Seu artilheiro Jô, ex-Manchester City, esteve suspenso por cartões amarelos. Já o lateral esquerdo Guilherme Arana, principal revelações do campeonato, está machucado e deve ficar fora por mais algumas semanas.

Lá embaixo: São Paulo afunda, mas nem tanto

Perder um clássico já é ruim. Perder um clássico de virada, fora de casa, pior ainda. Mas se, além de tudo isso, o resultado negativo ainda te joga para a penúltima colocação da tabela, então já se pode dizer que boa parte da torcida não vai conseguir ter uma boa noite de sono pelos próximos dias.

Esse foi o domingo do São Paulo, que luta para sair do rebaixamento, mas encontra mais dificuldades do que se esperava. Nem mesmo a contratação do trinco Hernanes, ex-Inter de Milão, resolveu as coisas para a equipa do Morumbi.

Foi um 4-2 em pleno campo adversário, após sair perdendo e conseguir a virada para 2-1. Com um sistema defensivo absolutamente frágil, o São Paulo não conseguiu suportar a pressão de um ataque não muito inspirado palmeirense e quase foi goleado.

Ainda assim, com o equilíbrio que existe no fim da tabela, mesmo a 19ª posição não é tão dramática como pode parecer. São apenas três pontos que separam o “Tricolor” do 14º colocado Bahia. Ou seja, é preciso um milagre matemático, mas o São Paulo pode sair do Z-4 já na próxima rodada. O principal problema, contudo, não parece ser a distância para os adversários, mas a incapacidade de vencer.

Para ficar ligado na próxima rodada

O Atlético-MG, tido como uma das principais equipas no início do Brasileirão, mas que vem gerando decepções aos seus adeptos ao longo de toda a temporada, parece se recuperar aos trancos e barrancos no campeonato. Na próxima rodada, o “Galo” recebe o Palmeiras em um clássico nacional e, se vencer, pode entrar de vez para a briga pela Libertadores. Já os palmeirenses querem se aproximar dos líderes vacilantes.

Outra boa partida deve ser São Paulo e Ponte Preta, que se enfrentam no Morumbi na noite de sábado, em briga direta na parte de baixo da tabela, além de ser um jogo de grande rivalidade regional.

No Paraná tem clássico: o chamado “Atletiba”, entre Atlético-PR e Coritiba. Os atleticanos podem ajudar a colocar os arquirrivais na zona do rebaixamento, mas caso o “Coxa” vença, pode encostar no “Furacão”.

Outras duas boas partidas são dois clássicos. O Santos recebe o Corinthians e, caso vença, aplicará a terceira derrota corintiana em quatro jogos, abrindo de vez as possibilidades de alcançar os até então inalcançáveis líderes. O Santos, portanto, pode diminuir a vantagem do Corinthians para nove pontos de si mesmo e, a depender do Grêmio, para quatro pontos do vice-líder.

Por fim, o Botafogo recebe o Flamengo em um jogo sempre recheado de rivalidade. Vale lembrar que na última quarta-feira o Flamengo eliminou o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil, instalando uma leve crise no rival que ainda joga as quartas-de-final da Libertadores.

Os resultados da 22ª Rodada

Fluminense 0-1 Vasco
Corinthians 0-1 Atlético-GO
Flamengo 2-0 Atlético-PR
Palmeiras 4-2 São Paulo
Bahia 1-2 Botafogo
Ponte Preta 1-2 Atlético-MG
Cruzeiro 1-1 Santos
Avaí 1-0 Chapecoense
Coritiba 0-1 Vitória
Grêmio X Sport (Sábado às 20h de Lisboa)

Rafael Almeida

Rafael é brasileiro e acompanha futebol há tanto tempo que nem se lembra. Se interessa também pela política do esporte e pelas suas dimensões socio-culturais. É formado em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo e atualmente estuda jornalismo, sendo também parte da equipe de um jornal digital no Brasil, onde escreve sobre política internacional.

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