Cristiano Ronaldo contra a descriminação de género

Já é do conhecimento de todos o que se sucedeu no passado dia 11 de outubro, quando um coletivo de juízes da 1ª Secção do Tribunal da Relação do Porto proferiu acórdão sobre um caso de violência doméstica em que o agressor foi desculpado pelo juiz Neto de Moura uma vez que “a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente”. Neste acórdão, o juiz chegou até a fazer referência à Bíblia e à Constituição de 1886, onde é incentivado que uma mulher adúltera seja punida com a morte, para mostrar como “o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem” e, “por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher”.

Esta situação gerou reações de grande contestação por todo o país e será inclusive alvo de uma queixa conjunta apresentada esta sexta-feira ao Conselho Superior de Magistratura, ao Ministério de Justiça, ao Centro de Estudos Judiciários e à Comissão para a Igualdade de Género. Esta queixa, subscrita, entre outros, pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a Capazes Associação Feminista e a União Mulheres Alternativa e Resposta, será feita sobre a forma de uma petição que pretende mudanças numa série de aspetos no sistema jurisdicional do país. Até ao momento da redação deste artigo, a petição tinha reunido 26.367 assinaturas, entre elas, a de Cristiano Ronaldo, o melhor jogador de futebol da atualidade.

A Associação Capazes partilhou na sua conta do Facebook na passada terça-feira, dia 28 de outubro, que Ronaldo acabava de assinar a petição, deixando ainda o seguinte comentário: “A violência doméstica é um problema muito grave. As vítimas merecem ser tratadas de forma digna e justa.”.

O jogador português não foi, de longe, a única figura pública a apoiar esta causa, mas será, certamente, o nome mais ressonante na lista, levando a petição aos quatro cantos do mundo, onde o nome Cristiano Ronaldo é bem conhecido e tem, desde sempre, agido como uma bandeira do nosso país.

Francisca Tinoco

Aluna do segundo ano da licenciatura de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, amante do futebol e do desporto e sonhando em poder fazer do jornalismo desportivo a minha vida.

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