Tottenham mostra o que vale em vitória por 3-1 contra Real Madrid

A noite começou em pé de igualdade num dos mais emblemáticos estádios do mundo: tanto o Tottenham como o Real Madrid vinham de derrotas custosas na liga e estavam empatados em primeiro lugar no grupo H da Champions League.

Não levou muito tempo para que ambas as equipas dessem indícios de que estávamos perante outra épica noite europeia. O jogo começou equilibrado, com grande qualidade e organização tática dos dois lados, mas os erros que vimos o Real Madrid cometer no jogo do fim de semana contra o Girona persistiram. Passes mal calibrados e perdas de bola permitiram a um Tottenham – que viu regressar Harry Kane, o seu maior talismã – desejoso de fazer história, encher o peito e ganhar confiança.

A montanha não era, afinal, assim tão impossível de escalar e, as promessas que tinham sido feitas pelos londrinos no último embate entre estas potências do futebol mundial foram esta noite devidamente cumpridas. Ao minuto 26 chegou o primeiro golo da partida, dos pés de Dele Alli, que finalmente voltou às competições europeias depois de uma suspensão vinda, ainda, do último jogo dos Spurs na Liga Europa na época passada. Passe de rotura desde o meio campo de Harry Winks para Kieran Trippier que, partindo de posição irregular, centrou a bola de primeira, deixando-a para Dele Alli encostar.

O Real Madrid reagiu bem ao golo, procurando incessantemente o empate, e chegando muito perto do golo em múltiplas ocasiões. Na segunda parte, Zidane tentou até surpreender Pochettino com uma alteração tática, descendo Casemiro para terceiro central e libertando os laterais Marcelo e Achraf para que estes pudessem ajudar ainda mais na construção ofensiva da equipa espanhola. No entanto, o “tiro saiu-lhe pela culatra”. O meio campo merengue, com Toni Kroos a exercer o papel de trinco, tornou-se extremamente vulnerável, e foi precisamente nas costas do alemão que, aos 56 minutos, Dele Alli ganhou a bola, bateu Casemiro por duas vezes, rematou à baliza e, depois de um desvio em Sergio Ramos, fez o seu segundo no jogo.

Os bicampeões europeus tentaram de tudo para a remontada e o jogo passou a ser jogado quase totalmente na metade do campo da equipa da casa. Ainda assim, a linha defensiva do Tottenham manteve-se compacta, ajudada por um sempre atento Hugo Lloris e, o “matador” ataque dos Spurs, fez o terceiro golo, ao minuto 65. A partir de um contra-ataque explosivo, depois de uma perda de bola de Isco na área do Tottenham, Dele Alli conseguiu passar por Sergio Ramos, colocando a bola em Harry Kane que passou para um quase isolado Christian Eriksen, batendo facilmente o guarda-redes do Real Madrid, Kiko Casilla. A montanha estava escalada e conquistada.

Depois do terceiro golo, os merengues vieram-se a baixo, cansados e desconcentrados. No entanto, a entrada de Marco Asensio e Borja Mayoral por Isco e Karim Benzema aos 74 minutos deu ao Real Madrid uma última dose de energia, suficiente apenas para marcar o seu único da partida, por Cristiano Ronaldo, aos 80 minutos. Depois de um corte de Eric Dier de um centro de Hakimi, Marcelo impede que a bola saia e faz um novo centro que termina aos pés de Cristiano Ronaldo que chuta para golo, sofrendo ainda um desvio em Eric Dier.

Ainda assim, a equipa de Mauricio Pochettino conseguiu manter a vitória por 3-1, assegurando o apuramento para os oitavos de final, com dois jogos ainda por jogar. É sem dúvida, um início notável de mais uma época para os Spurs que continuam a mostrar que têm armas para enfrentar os pesos-pesados do futebol.

Do outro lado da moeda está um Real Madrid descaracterizado que beneficia do empate entre as outras duas equipas do grupo – Dortmund e Apoel -, precisando apenas de uma vitória em dois jogos para alcançar a próxima fase da competição.

Francisca Tinoco

Aluna do segundo ano da licenciatura de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, amante do futebol e do desporto e sonhando em poder fazer do jornalismo desportivo a minha vida.

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