Benfica empata 1-1, vítima do clichê “quem não marca sofre”

Se é clichê é porque é verdade. E a cruel verdade deste jogo é que o Benfica podia ter partido descansado para a Grécia, porém viajará em desvantagem. A primeira parte foi de domínio encarnado, mas a segunda foi de complacência até ao inevitável golo forasteiro.

O jogo começou com um golo (bem) anulado ao Benfica, um golo de belo efeito por sinal. Pizzi fez um passe magistral de 40 metros que encontrou o miúdo Gedson, não falhando este na cara do golo, mas a interferência de Ferreyra no lance invalidou o posicionamento da estrela emergente do Benfica. Isto não demoveu o PAOK de pressionar alto, sem grande choque mas com um posicionamento notável no campo, o que lembra a afirmação de Lucescu na antevisão de que tinha sido “bom” analisar o Benfica. Pelkas era o farol que iluminava o jogo ofensivo dos gregos, com Prijovic como último destinatário. Aos 13′, remate perigosíssimo de Cañas que quase passava por cima de Odysseas. O Benfica foi ganhando preponderância, especialmente nas alas, e pela esquerda encontrou o ouro- mas o remate de Pizzi não reluziu o suficiente.

Warda entrou aos 52′ e marcou aos 75′, na sequência dum livre indireto. 

O transmontano foi o mais rematador e o mais perigoso, e quando desapareceu do jogo a sua equipa ressentiu-se. Nos loucos minutos vinte teve três oportunidades, acertando na barra por uma ocasião num remate em jeito. Noutra rematou em desequilíbrio na pequena área, até de cabeça esteve perto do golo. Fulcral também na construção, recebeu uma bola entrelinhas e passou a Gedson, que estoirou para defesa apertada de Paschalakis. O jogo arrefeceu um pouco mas um empurrão de Maurício a Gedson consumou-se grande penalidade e permitiu a Pizzi recompensar a sua teimosia com um golo de grande penalidade aos 44′.

 

A pressão que este golo libertou e os remates que já podiam ter entrado faziam adivinhar uma vitória encarnada na busca pelos preciosos milhões da Champions. Mas a segunda parte trouxe um PAOK quase intransponível e um Benfica que se acomodou em demasia. Só de longe é que as águias criavam perigo, primeiro por Ferreyra e depois Grimaldo, que esteve muito perto de um assinar um golaço. A entrada do egípcio Warda mudou o jogo para benefício do PAOK, que parecia confortável com uma derrota marginal, mas a inatividade benfiquista era tanta que a crença dos helénicos ganhou força. A partir dos 60′, os forasteiros criaram mais perigo com Warda e Leo Jabá apontados à baliza de Vlachodimos e muito incisivos. Essa crença expressou-se aos 75′, num livre que foi desviado primeiro por Varela à barra e depois Warda marcou com facilidade um golo importantíssimo para a sua equipa.

Rui Vitória já tinha João Félix pronto para entrar e adicionou Seferovic na equação, à falta de Jonas e Castillo. Mudou a formação para 4-4-2, com efeitos dez minutos mais tarde, ao cair do pano- um passe magistral de Félix isolou Ferreyra, que teve medo de ser feliz e atirou para as mãos de Paschalakis. A bola ainda sobrou para Seferovic, que de primeira não acertou com a baliza. João Félix ainda desferiu uma última tentativa nos descontos, mas o seu impressionante remate de pé esquerdo não quis entrar. A criativa primeira parte benfiquista contrastou com o adormecimento da segunda, em que Pizzi e Gedson não conseguiram ganhar o meio-campo. Ferreyra precisa de calibrar a mira e não ter medo do choque, pois já se viu que Varela e Crespo são uma excelente dupla de centrais. O Benfica deve culpar-se por deixar a decisão desta eliminatória nas mãos dos deuses (gregos?), em Tessalónica, daqui a uma semana.

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.

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