Tiago Azulão: “Sonho ser campeão do Girabola pelo Petro Luanda”

Em Angola, a bola é de Azulão. Está perto de ser o melhor marcador em duas épocas consecutivas do Girabola.
Bilhete de identidade:

Nome : Tiago Lima Leal “Azulão”

Data de nascimento
: 1988-03-26, São Paulo

Nacionalidade
: Brasileiro

Peso
: 74 kg

Altura
: 179 cm

Posição
: Avançado

Número
: 26


AMBIDESTRO- Tiveste uma experiência muito precoce na Europa, mais propriamente na Turquia. Como é que isso influenciou a tua carreira?

Tiago Azulão- A minha passagem aos 19 anos pela Aurora, mais especificamente na segunda liga turca, foi muito boa no sentido de ganhar experiência. Fiz poucos jogos mas só o facto de estar noutro país, noutra cultura, no fundo “outro futebol”, deu-me um amadurecimento muito gratificante. Infelizmente as coisas não correram como esperava mas vejo como satisfatória essa experiência.

AMBIDESTRO- Mais tarde tiveste também uma aventura na Malásia. O que te levou a essas paragens?

Azulão- A minha segunda experiência internacional foi na Malásia, um país que me surpreendeu positivamente, muito bom e tranquilo de se viver e jogar. Infelizmente devido a uma mudança de leis e normas feitas pela federação malaica, quanto a licenças de trabalho, eu e mais nove estrangeiros não fomos permitidos na liga. Foi uma promessa de grande trabalho, mas infelizmente interrompida.

AMBIDESTRO- Enquanto estavas ligado ao Tombense, foste emprestado oito vezes. Quais foram as razões para tantos empréstimos?

Azulão- O Tombense é um clube onde jogadores de um certo empresário muito renomado são vinculados para manterem a forma, jogar ou também ser emprestados para outros clubes. Foi o que aconteceu comigo, por isso é que tive várias passagens como registo, mas é um clube muito bom de uma cidade pequena do interior de Minas Gerais [Tombos], que hoje se encontra na Série C do Campeonato Brasileiro. É um clube onde tem sempre bons jogadores, e por lá tive boas passagens sendo também melhor marcador.

AMBIDESTRO- Qual é o empréstimo que guardas mais com mais saudade?

Azulão- Fora o Tombense, dois clubes que levo no meu coração são o Fortaleza, que é na cidade onde os meus pais nasceram, e outro é a Caldense que foi onde a minha filha nasceu. Por lá fui vice-campeão mineiro, sendo um clube e uma cidade onde fui muito feliz e fiz muitos amigos. Esses dois clubes estão no meu coração e virei adepto.

AMBIDESTRO- A divisão mais alta em que competiste no Brasil foi a Série B, pelo Boa Esporte. Como foi a experiência?

Azulão- No Boa Esporte tive uma passagem rápida de seis meses, mas fui campeão da Taça Minas Gerais que na época dava uma vaga na Copa do Brasil, uma competição de grande expressão nacional, e entrei em alguns jogos na Série B. Como cheguei com a competição a meio, a equipa já estava em ritmo, então cheguei para compor o elenco e contribuir de forma sempre positiva. Série B no Brasil é muito boa e muito competitiva.

AMBIDESTRO- No ano passado ganhaste a Taça de Angola pelo Petro Luanda, qual foi a sensação?

Azulão- No ano passado ganhei a Taça de Angola pelo Petro e a sensação foi maravilhosa. Foi o meu primeiro título desde que cheguei e foi um ano duro onde brigámos pelo título do Girabola até às últimas jornadas. A Taça de Angola veio para coroar um ano positivo, ainda por cima contra o nosso maior rival [1º Agosto] e na final fiz um golo e dei uma assistência. Não poderia ser melhor, foi um dia marcante para mim.

AMBIDESTRO- O Petro está em primeiro lugar no Girabola, nove anos depois do último título. Sentes que este é o vosso ano?

Azulão- Faltando duas jornadas até ao final, neste ano tenho 19 golos. No Girabola completei, ao todo, 50 golos pelo Petro em dois anos e meio que aqui estou. Um número marcante para mim, por ser o maior feito da minha carreira. No ano passado fui o melhor marcador, melhor jogador, e este ano sou até ao momento o melhor marcador, são números e conquistas individuais marcantes para qualquer jogador. Sonho em ser campeão nacional mesmo sabendo da dificuldade que é sentir na pele o futebol daqui. Mas sinto-me honrado e feliz em vestir essa camisola que tem história e em dar alegrias aos adeptos e às pessoas que gostam do meu futebol. Temos um grupo muito bom de trabalho, e agradeço muito a eles que me receberam muito bem e que me ajudaram a conquistar o meu espaço. Devo-lhes os golos e vitórias que conseguimos juntos.

AMBIDESTRO- Qual tem sido o segredo para este sucesso?

Azulão- O segredo da adaptação e das coisas correrem bem por aqui foi primeiro o desejo de vir e trabalhar para que tudo desse certo. Já vim com esse pensamento de que tudo iria correr bem e a minha vontade era ser campeão. Segundo, o modo como fui recebido pela direção, jogadores e adeptos pois fiquei muito à vontade, e terceiro a língua, que facilitou muito.

AMBIDESTRO- Gostavas de jogar em Portugal?

Azulão- Sim, gostaria muito de jogar em Portugal pois é um país irmão do Brasil e Angola, tem uma liga estruturada e de qualidade. É um país que tive o prazer de conhecer no fim do ano passado a passeio com a família e adorámos, quem sabe daqui uns anos isso não aconteça.

AMBIDESTRO- Quais são os teus objetivos para o futuro?

Azulão- Não sou muito de traçar grandes objetivos a longo prazo, mas por aqui sonho em ser campeão do Girabola pelo Petro de Luanda e num segundo passo seria ir para um outro país, outra liga onde pudesse mostrar o meu futebol, o meu talento, e dar alegrias para outros povos.


Fora das quatro linhas:
“Sou um cara muito família”

Prato favorito: Massa, o “macarrão” como dizemos no Brasil, e segundo churrasco.

Música favorita:
Samba, Rap e Sertanejo

Filmes favoritos: Gosto de factos reais e ação

Tempos livres
: Sou “um cara muito família”. Gosto de ir à praia, cinema com a esposa, restaurantes, parques com minha filha, churrasco em casa de amigos, e viajar nas férias para algum país ou alguma cidade brasileira.

Ídolo de infância
: Ronaldo Fenómeno

Melhor jogador da atualidade
: Muito fã do Cristiano Ronaldo, mas também gosto de ver o Messi jogar. Os dois são duas lendas de hoje!


Em meu nome e em nome da equipa Ambidestro, agradeço a tua amabilidade e disponibilidade para esta entrevista, e desejo-te as maiores felicidades profissionais e pessoais.

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David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.

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