O culto da violência no futebol português

O futebol é muito mais do que um jogo, é uma expressão da cultura, e o que de melhor e pior existe numa sociedade. Contudo, o futebol tem vindo a revelar a sua face mais negra. Longe vai o tempo em que o respeito mútuo e o desportivismo permitiam que as pessoas fossem aos estádios, sem se preocupar com questões de segurança e violência, até mesmo medo.

Atualmente seria impensável ver um adepto do Benfica, do Sporting ou do Porto a assistirem a um clássico lado a lado num estádio, coisa que acontecia nos anos 60’ ou 70’ sem quaisquer incidentes. O facto é que o futebol já não é como antes, já não há amor ao clube, o “desportivismo” é um termo esquecido, tudo gira em torno de dinheiro e de interesses mesquinhos.

Hoje assistimos a agressões e a ofensas mútuas, tendo como pano de fundo um clima de ódio que se instalou na esfera futebolística. Este clima não está só presente nos dias de jogo, nos estádios… Está presente nas escolas, nas redes sociais, nos cafés, nos locais de trabalho e em vários aspetos da vida quotidiana.

No fundo, pode-se afirmar que a violência se banalizou, o futebol está mais que nunca marginalizado. Hoje em dia é “normal” existirem tumultos por causa de um jogo, é “normal” que existam cânticos que aclamam a morte dos rivais, é “normal” que dois colegas, amigos ou desconhecidos profiram calúnias ou comentários inflamados, com o único intuito de gerar indignação, ódio e insultos. Isto está longe de ser “normal”!

Só na passada época, até março, segundo os dados de um relatório da polícia judiciária, foram registados 2394 casos de violência no desporto, e quase 90% desses incidentes foram praticados por adeptos dos três grandes.

O crescente clima de violência tem suscitado o debate nos meios de comunicação social e tem motivado a indignação da opinião pública, fazendo urgir a necessidade de encontrar soluções por parte das autoridades que coordenam a modalidade e por parte das autoridades públicas.

O que deve mudar no futebol português? A resposta poderá e deverá partir dos adeptos.

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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