Como jogam os adversários nacionais na Europa? Nº9: Arsenal

O Arsenal, 22 anos depois, conhece outro nome que não o de Arsène Wenger, como treinador principal. Ao norte de Londres chegou Unai Emery, antigo treinador do Valencia, Sevilla e PSG, com a missão de recolocar os Gunners no topo do futebol inglês.

O começo não foi o ideal, em termos de resultados, com duas derrotas frente a City e Chelsea. Hoje, o Arsenal soma 10 vitórias consecutivas, para todas as competições, com 30 golos marcados e 9 sofridos. Mais do que os pontos somados nessas 10 vitórias, a qualidade do futebol apresentado é o que salta à vista.

Emery é um treinador flexível em termos táticos, e ajusta o seu habitual 4-2-3-1 ao adversário que têm pela frente, como fez frente ao Fulham (alinhou em 4-4-2) onde venceu por cinco bolas a uma.

Vamos então olhar para o novo Arsenal de Unai Emery, com que o Sporting vai discutir a liderança do Grupo E da Liga Europa.

Estrutura e traços gerais

Com referi, Unai Emery é um treinador flexível na forma como monta as suas equipas, não há um único sistema, mas vamos assumir o 4-2-3-1 como o seu “preferido”.

Independente do sistema, Emery procura sempre iniciar a construção desde trás. Geralmente Torreira, médio mais recuado, baixa para juntos dos centrais e permite aos laterais avançarem no terreno, criando várias situações de superioridade numérica em zonas mais avançadas o que facilita a progressão da bola desde os centrais.

O mais correto seria dizer que é uma construção desde o guarda-redes, mas Leno ainda não é o dono do lugar (a 100%). O alemão será uma peça fundamental no médio prazo para implementar na plenitude a ideia do treinador espanhol, como vimos no último jogo frente ao Leicester (imagem em cima).

A introdução de Torreira na equipa foi ainda importante pela liberdade que deu aos restantes jogadores, particularmente aos médios que estão à sua frente. O ex-Sampdoria é uma verdadeira carraça, “sempre a morder” os adversários, recupera imensas bolas entregando-as de forma simples aos jogadores mais criativos da equipa. Como aconteceu no terceiro golo do Arsenal, onde Torreira procurou imediatamente Ozil.

Assim Iwobi, Mkhitaryan e Ozil podem flutuar livremente no último terço, com a largura a ser providenciada pelos defesas laterais.  A liberdade é tal que Iwobi (joga sobre a esquerda) vem até ao lado direito.

Apesar dessa liberdade, como vemos em baixo, existe sempre um jogador a ocupar o corredor lateral (Bellerín), um o espaço entre o corredor lateral e o central (Iwobi), um em uma posição mais central (Mkhi) e outro as costas do lateral do lado oposto (Lacazette).

Quando os adversários têm bola, normalmente defendem em 4-4-2, apesar de preferirem passar o menos tempo possível em Organização Defensiva. Desta forma, procuram aplicar uma pressão intensa de forma a recuperar rapidamente a posse de bola através da contrapressão, o que é fundamental face a forma com adiantam tantos jogadores no processo ofensivo.

Independentemente de poder se organizar em 4-4-2-, 4-3-3, ou 4-5-1 a filosofia do Arsenal sem bola é ser proactivo. Linha defensiva subida, confiando na armadilha do fora de jogo, empurrando o adversário para o mais longe possível da baliza de Leno/Cech. Naturalmente que o espaço que deixam atrás da defesa é o risco. Como foi bem visível no jogo contra o Chelsea:

Um Arsenal no melhor momento da temporada, que exigirá um grande Sporting.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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