Lembra-se de João Pinto? O “Menino de ouro”

Ficha do Jogador:

Nascimento: 19 de Agosto de 1971

País: Portugal

Altura: 1,71 m

Peso: 65 kg

Clubes: Boavista, Atlético de Madrid B, Benfica, Sporting, SC Braga

 

 

Começo

Nasceu para o futebol, no Bairro do Falcão, na Campanhã Bairro Portuense, como todos os do seu Bairro, a sua equipa por incrível que pareça tendo em conta a sua carreira era o… FC Porto.

A jogar no bairro e na rua, desde cedo demonstrou qualidade e ao mesmo tempo, o seu toque “arruaceiro”, rapaz de garra e humilde, João Vieira Pinto surge para o futebol, no Boavista.

Boavista

Pelo Boavista, Joao Pinto, desde cedo, mostra qualidade num longínquo ano de 1989, em que apesar de não ter sido muitas vezes utilizado, em Março de 1989 foi campeão pela seleção nacional do Mundial-sub 20, tendo sido logo aos 18 anos, um feito na carreira.

Nas epocas seguintes, destacou-se como titular, tendo vencido pelo Boavista, na temporada 1991/92 a Taça de Portugal ao FC Porto, no Jamor.

Pelo meio em 1991, tinha-se sagrado Campeão do Mundial-sub 20, em Lisboa, com Rui Costa e Figo, tendo sido o surgir da “Geração de Ouro”. Surgiu também João Pinto… “ O Menino de Ouro”.

Entretanto na temporada 1990/91, teve um ano para esquecer, pois a sua passagem para o Atlético de Madrid, não foi feliz na sua adaptação e não vingou no clube madrileno, chegou muito novo para uma exigência tão grande, como o Atlético de Madrid.

Benfica

Chegou a estar escondido em Espanha, para não ser alvo do Sporting de Sousa Sintra, o Benfica venceu a corrida ao próximo “Menino D´Ouro” do futebol português.

Chegou na época de 1992/93, época essa que jogou com o jovem Rui Costa, Paulo Sousa, Vítor Paneira, e em Janeiro veio ainda para a equipa da luz, Paulo Futre.

Nessa época, o Benfica venceu a Taça de Portugal, curiosamente contra o Boavista, num jogo épico, que terminou em 5-2 para os encarnados.

Jogo Mítico: O 6-3 em Alvalade

João Pinto, fez o jogo da sua carreira, no estádio de alvalade, frente ao Sporting, num jogo indiscutivelmente decisivo para o desfecho do campeonato nacional.

A cinco jornadas do fim, Benfica estava apenas 1 ponto na liderança e ainda tinha de ir a Alvalade.

 

O Sporting entra a vencer por 1-0, porém João pinto empata, Sporting responde por Figo, Joao Pinto fez o 2-2 e 3-2, numa primeira parte de sonho. O português fez um hat trick em 15 minutos e o resultado terminou em 6-3 no final de um jogo épico, para a história dos clássicos.

Noite de sonho em Alvalade e para João Pinto que foi o herói.

A queda 1994/95 a 2000

Após a saída de jogadores chave, como Rui Costa, Paulo Sousa, Mozer, Vitor Paneira e o capitão Veloso, o Benfica ficou mais fraco tendo apenas a sua espinha dorsal de campeão, João Pinto.

A equipa e o clube estavam em restruturação, tendo perdido pilares fundamentais quer em termos directivos, quer a equipa principal. Foi o princípio da queda.

A taça de Portugal do “ Very Light” e o Benfica Preud’homme /João Pinto

Ainda venceu na temporada 1995/96 a Taça de Portugal ao Sporting, na célebre final da morte do adepto do Sporting, na bancada Norte, do estádio do Jamor.

O Benfica dos finais de 90, resumia-se a João Vieira pinto na frente, e Michel Preud´homme na baliza. O Benfica estava em decadência e isso prejudicou a carreira do outrora “ Menino D´Ouro”.

Vale e Azevedo vs João Pinto

Com a instabilidade no clube e a entrada da direcção de Vale e Azevedo, começou para João Pinto uma autêntica “caça ao homem”. Desde o primeiro dia que Vale e Azevedo teve em João Pinto, um ódio de estimação e utilizava variadíssimas vezes o salário de João Pinto como uma das causas da situação financeira do Benfica.

A gota de água foi a derrota por 7-0 em Vigo, na taça UEFA em 1999/2000, em que o presidente obrigou a equipa a dar a cara e especialmente o capitão da equipa encarnada.

Sporting

O 8 na luz, 25 em Alvalade

Dizendo adeus à Luz, João Pinto segue a sua carreira e assina pelo Sporting, com um historial de Bi campeão do mundo-sub 20, 1 campeonato nacional e 3 Taças de Portugal. João Pinto abraça o projecto do Sporting, em que foi igualmente bem-sucedido.

Pelo Sporting jogou por 4 temporadas, tendo-se destacado pelo seu profissionalismo e seriedade, embora a sua saída nunca tenha sido bem digerida, pelos benfiquistas, a verdade é que João Pinto brilhou em Alvalade.

Ano de ouro 2001/2002 – A Dobradinha

A época de 2001/02 no Sporting, foi uma temporada invejável, em que Sporting vence o título nacional, a Taça de Portugal e a Supertaça.

 

A dupla João Pinto – Mário Jardel fez uma temporada deslumbrante, tendo ambos juntos marcado 67 golos no total.

João Pinto jogou ainda com Cristiano Ronaldo, Quaresma e Simão tendo sido também um mentor para jogadores jovens da formação do clube de Alvalade

Regresso ao Bessa e passagem pelo SC Braga

João Pinto já em final de carreira regressou a “casa” que o viu nascer para o futebol, o Boavista.

Em final de carreira ainda demonstrou a sua qualidade e capacidade de liderança, nas equipas por onde jogou.

Terminou a carreira no SC Braga com 39 anos, na temporada de 2007/08.

Selecção Nacional

Pela Seleção Nacional, João Pinto realizou 81 jogos e marcou 23 golos e  representou a selecção nos Europeus 1996 e 2000 e no Mundial de má memória em 2002.

No Euro 96´, João Pinto foi titular e estreou-se pela selecção numa competição oficial, tendo sido titular nos 4 jogos e marcou 1 golo, no 3-0 a croácia, na fase de grupos.

No Euro 2000, veio como jogador livre, sendo o único dos 23 sem clube, devido ao problema que teve com a direcção do Benfica de Vale e Azevedo.

O facto de estar sem clube não lhe impediu de fazer o 2-2, numa reviravolta histórica a Inglaterra.

Foi dos melhores golos do Euro 2000 e da sua carreira, a selecção caiu de pé nas meias finais.

Mundial 2002

Vindo de uma época de sonho no Sporting, João Pinto e a selecção não corresponderam ao pretendido e ao esperado por todos.

No jogo com a Coreia, João Pinto, num momento quente, teve a infelicidade de agredir o árbitro da partida, o que não só lhe valeu a expulsão no jogo, como nunca mais representou a selecção das quinas.

Apesar de tudo, ficou o legado de um jogador extraordinário e temperamental, porém que sentia a camisola, um jogador de garra e esforço ímpar, um autêntico carregador de piano.

Miguel Matos

Fan de futebol desde míudo, coleccionador de cromos e cadernetas, gosto especial pela história do futebol. Adepto do Benfica, Inter de Milão, Arsenal e River Plate.