Análise Tática: Vitória SC vs SC Braga

O SC Braga fez uma viagem curta até à cidade de Guimarães para, no Estádio D. Afonso Henriques, defrontar o Vitória SC. Não é simplesmente mais um jogo, mas é de forma simples um dos encontros mais intensos do futebol português.

A paixão das bancadas era não só bem audível, como visível. As tensões e momentos menos felizes, que antecederam a partida, ultrapassaram-se e reuniram-se as condições para um jogo eletrizante.

No final, tudo empatado (1-1). Guedes e Claudemir, marcaram os jogos de um derby extremamente equilibrado, que leva o SC Braga a somar 18 pontos, mais sete que o Vitória SC.

Vitória SC | Construção e ataque pelos corredores

Luís Castro lançou de início os seguintes nomes: Douglas; Sacko, Osório, Pedro Henrique e Rafa Soares; Wakaso, André André e Tozé; Davidson, Guedes e Tyler Boyd. Como vemos, um 4-3-3 em Organização Ofensiva e nas fases iniciais de construção.

Soares e Sacko mais conservadores, mantendo-se na mesma linha horizontal de Wakaso e numa posição relativamente próxima do respetivo central. Estas distâncias Lateral-Central eram, em caso de perda de bola, importantes, uma vez que significavam curtas distâncias para a transição defensiva.

O Vitória, esteve também muito relutante em progredir através do corredor central. Para além do mérito do adversário, creio que era também estratégia de Luís Castro, já que é mais fácil conter os contra-ataques do adversário se eu (Guimarães ou qualquer outra equipa) perder a bola no corredor lateral do que em uma posição central.

A razão acaba por ser simples: No corredor lateral, as minhas opções estão limitadas pelos limites do campo. Adicionalmente, se imaginarmos dois jogadores na mesma linha horizontal (Como por exemplo Wakaso e Rafa Soares), está mais longe da própria baliza aquele que está no centro do terreno (no nosso caso, Wakaso).

Em baixo, a laranja, vemos as zonas do campo correspondentes às … 37 perdas de bola do Vitória SC. Um valor assustador, mas que não teve grandes reflexos no resultado, pela zona onde a maioria (27 dos 37) teve lugar.

Como podem ver em baixo, é mais fácil conter e lidar com eventuais contra-ataques do adversário, quando a bola é perdida no corredor lateral:

Fonte: SportTV Via:GIPHY

O Mapa de ação dos jogadores vitorianos fala por sim:

Vitória SC | Pressão e Organização Defensiva

Já vou falar sobre o Braga, mas basta dizer que os visitantes iniciavam a construção com 3 homens, um outro entre estes e os 4 da segunda linha. Qualquer coisa como 3-1-4-2 em processo de construção dos ataques.

O Vitória, organizava-se em 4-1-4-1 praticamente.

Guedes acompanhava a invasão, em posse de bola, do adversário garantindo que o Médio Interior desse lado não era arrastado em excesso para zonas fora da estrutura, mas principalmente que o Braga não conseguia rodar a bola facilmente/rapidamente para o outro lado, e por facilmente quero dizer: através de Claudemir (médio recuado).

André André saía ligeiramente, quando o adversário ameaçava entrar dentro do meio campo vitoriano, com a devida cobertura de Wakaso, já Tozé (médio interior do lado oposto) dava o respetivo equilíbrio fechando o corredor central.

Por fim Boyd, que estava em uma posição mais delicada, pelo posicionamento interior de Horta e a adiantada do lateral Sequeira, dividia a posição entre esses dois adversários, mais ou menos na mesma linha vertical do seu lateral (Sacko).

Quando a bola chegava a Sequeira ou Esgaio, Davidson e Boyd pressionavam agressivamente a bola. Este trabalho defensivo dos extremos vitorianos permitiu a Rafa e Sacko manterem-se sempre em posições interiores, próximos do respetivo Central.

SC Braga | Dinâmicas Ofensivas

Nos primeiros minutos o Braga conseguiu, ter posse de bola bem dentro do meio campo do Vitória, mas alguma falta de paciência e decisões precipitadas acabaram por matar as jogadas.

Fonte: SportTV Via: GIPHY

Particularmente Marcelo Goiano, que apesar de no papel ser o lateral direito, acabava por se transformar em o terceiro central no início de construção. A largura do lado direito era conferida por Esgaio e no esquerdo por Sequeira.

Novais (Médio Centro) e Hora (Médio Esquerdo) procuravam sobrecarregar as zonas em redor de Wakaso. Tinha liberdade para procurar bola nos canais.

Contudo, Goiano não esteve feliz no reconhecimento dos espaços que as movimentações sem bola dos seus colegas criavam.

Precipitando-se muitas vezes:

Fonte: SportTV Via:GIPHY

Horta e Novais a ocuparem os canais, Sequeira, Esgaio, Wilson e D. Sousa a sobrecarregarem a linha defensiva do Vitória, queimando a linha, ou seja, entre cada jogador vitoriano estava um do Braga.

O golo do empate do Braga, surge através de um canto. Contudo, o lance que leva ao canto é conseguido quando Ricardo Horta recebe um passe de Claudemir, nas costas de Wakaso e abre na direita, onde Esgaio consegue explorar o 1vs1 frente a Rafa.

Desde o empate e até ao final do primeiro tempo, o Vitória contou com um Wakaso de grande nível, para recuperar várias bolas e impedir a progressão arsenalista pelo corredor central, e utilizando o apoio frontal de Guedes para sair em contra-ataque.

O Braga criou perigo através de cantos ou lançamentos longos para a área.

A segunda parte, viu um Braga com mais posse de bola, mas sem conseguir materializar a mesma em situações de perigo. Aqui, mais uma tentativa de Claudemir encontrar Novais nos espaços entre linhas, mas o Vitória esteve sempre muito alerta para estas tentativas e protegeu bem a zona imediatamente à frente da sua grande área.

Depois o cansaço fruto de um jogo derby intenso e equilibrado ia começando a fazer efeito, contribuindo para o empate final.

 

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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