Análise Tática: MUNxEVE – Chama o António, chama o António!

José Mourinho recebeu Marco Silva, em Old Trafford, para mais um confronto falado em Português, na Premier League. Depois do empate com Nuno Espírito Santo, o Manchester United FC procurava somar a segunda vitória consecutiva em casa, depois da vitória frente ao Newcastle United.

Marco Silva apresentou-se no habitual 4-2-3-1, com André Gomes ao lado de Gueye no meio campo. Richarlison voltou a ser o ponta de lança, com Bernard pela esquerda.

Já os Red Devils, em relação ao jogo frente à Juventus, fizeram apenas uma alteração no onze inicial, com a entrada de Fred para o lugar de Lukaku. Uma mudança que significou também uma mudança no esquema tático, do 4-2-3-1, para o 4-3-3, com Marcus Rashford a ocupar a posição de ponta de lança.

 Manchester United | Um avião com duas asas diferentes  

Se observarmos o mapa de calor da equipa de José Mourinho, vemos uma clara tendência na ocupação do lado esquerdo.

Para essa sobrecarga, muito contribuiu Mata, que apesar de iniciar o jogo como extremo direito, tinha total liberdade para flutuar não só até ao centro, como também até ao lado esquerdo.

Muitas vezes Martial procurava receber a bola atrás da linha média do Everton, no espaço entre o corredor lateral esquerdo, onde a largura era garantida por Shaw, e o corredor central, onde aparecia Mata/Rashford/Pogba. Como vemos em baixo:

Outra dinâmica interessante no lado esquerdo era quando Pogba se infiltrava dentro da linha defensiva do Everton, particularmente entre Coleman (LE) e Keane (DC).  Este espaço era criando, pelos movimentos de Martial, que arrastava para fora da posição o lateral direito do adversário. Tal e qual como vemos em baixo:

No lado direito, a dinâmica não é igual. Aliás, com a fluidez posicional de Mata, nunca o podia ser. Enquanto o lado esquerdo era mais trabalhado, com sobrecargas, trocas posicionais, sobreposições, infiltrações entre os elementos da defensa adversária, o direito era muito mais linear e direto.

Os movimentos de Mata, e a preocupação de Fred em dar equilíbrio ao meio campo em resultado dos movimentos ofensivos de Pogba, deram ao flanco direito a Young. Apesar dessa liberdade, Young também não se podia aventurar muito, mais uma vez para dar equilíbrio à equipa, face às subidas de Shaw.

Assim, quando a bola entrava no corredor direito, ou voltava rapidamente de volta para o esquerdo, a equipa procurava o passe diagonal para Rashford. O camisola 10, poderia a partir dai jogar de frente em Pogba ou Mata, ou rodar sobre o adversário e avançar em direção à baliza.

Manchester United | Agressividade na bola

Um dos grandes problemas do United esta época era a falta de uma organização defensiva, onde as constantes alterações no onze, particularmente no centro da defesa, nada ajudaram. Contudo o comportamento do meio campo, em especial a ligação com a defesa, era um problema não menos importante.

O setor intermediário avançava em excesso, e deixava grandes fatias de terreno para os defesas centrais cobrirem sozinhos. Mesmo que Nemanja Matic ficasse mais recuado, as suas características não são as de um médio de cobertura, assim o médio Sérvio dava por si recorrentemente em zonas de ninguém.

Frente ao Everton, vimos um United muito melhor. Escolhendo bem os momentos entre ser agressivo sem bola e o de recuar para bloco médio-baixo minimizando ao máximo o espaço nas costas da linha defensiva.

A melhor prova da eficácia da pressão do United, foi a pequena quantidade de passes que o Everton conseguiu realizar no corredor central. Em resultado da marcação Homem a Homem, a estrutura do United quando pressionava o adversário, assemelhava-se a um 4-4-1-1, onde Fred ou Pogba avançavam para pressionar o duplo pivot do Everton (André Gomes ou Gueye).

A intensidade de Rashford na posição de ponta de lança, foi bem utilizada por Mou para um excelente trabalho defensivo. Onde o internacional inglês forçava o jogo para um determinado corredor, o que dava sinal à equipa para iniciar a pressão.

Fundamental, e que dificilmente vai aparecer nos resumos, foi o trabalho sem bola de Fred, compensando a vulnerabilidade defensiva de Mata e já referida liberdade em posse.

Everton | Marco Silva mostrou a Mourinho que precisa de um #6 diferente

Como já referi neste artigo, Matic não é um médio de cobertura. Não possui as características para proteger as costas do seu lateral, nem para ocupar os espaços dentro da grande área. Como Matic não é este tipo de médio, são os defesas centrais que são forçados a sair da zona central até zonas laterais, o que como se percebe abre imensos espaços nas zonas próximas da baliza.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

Deixe uma resposta