Mário Jardel, o avançado que era Super nas alturas

Ficha do Jogador:

Nascimento: 19 de setembro de 1973

País: Brasil / Portugal

Posição: Avançado

Altura: 1,88 m

Peso: 81 kg

 

Mário Jardel de Almeida Ribeiro foi um dos mais temíveis avançados dos relvados portugueses da década de 90′ e início de 00′. É ainda hoje admirado pelos adeptos dos rivais Sporting e FC Porto, uma façanha incomum do futebol luso. No total, disputou 250 jogos por equipas portuguesas (FC Porto, Sporting e Beira-Mar) e obteve 239 golos – quase uma média de um golo por jogo.

Super Mario parecia ter poderes no que toca a marcar golos. Na televisão a cores, ele mostrava-nos feitos apenas transmitidos pela televisão a preto e branco, comparáveis às médias de golos e recordes de Peyroteo e Hector Yazalde, numa altura em que a competitividade era diferente. Numa espécie de prêambulo estatístico, digo que Jardel foi cinco vezes o melhor marcador da Liga em seis épocas no futebol nacional, e foi por duas vezes foi o Bota de Ouro europeu. Recordemos então o avançado que tem atualmente 45 anos de idade.

“Voar como o Jardel sobre os centrais”, diz o verso de Rui Veloso. De cabeça, Super Mário não perdoava.

Mário Jardel estreou-se em 1992, pelo Vasco da Gama, clube onde deu os primeiros passos enquanto futebolista profissional. As duas épocas seguintes (1993 e 1994) foram de afirmação no Vascão. Na última época pelo clube conseguiu uma simpática marca de 26 golos, mas nada comparado ao que viria a seguir.

O fortalezense transferiu-se para o Grémio de Luiz Felipe Scolari e aí explodiu como muito poucos. Na primeira época, fez 22 tentos em apenas 26 jogos, e na segunda, marcou uns estrondosos 67 golos em 73 jogos! Com um registo destes, é lógico que ganhou não só o Brasileirão, como também a Copa Libertadores de 1995, sendo o melhor marcador. No Brasil já tinha alta reputação e era conhecido pelos golos de cabeça. Na verdade, dizia-se que Felipão montou aquela equipa do Grémio em torno de Jardel, que era assistido com muitos cruzamentos de Paulo Nunes, que veio a jogar no Benfica. Perdeu a Taça Intercontinental frente ao mítico Ajax de Davids, Van der Sar ou Seedorf.

Adorado pela “torcida” do clube, Mário estava somente emprestado. O valor pedido pelo Vasco era alto para a altura, e o Grémio chegou a angariar fundos com uma campanha chamada “Fica Jardel” para que o avançado permanecesse. Esteve para jogar no Glasgow Rangers, mas sem sucesso. O seu destino veio a cruzar-se com o Cidade Invicta, tendo se transferido para o FC Porto em 1996.

Melhores anos da carreira em Portugal

No FC Porto deixou uma marca indelével. Foi tricampeão português em 1996/97, 1997/98, 1998/99 (ano do pentacampeonato) e vencedor da Taça de Portugal em 1997/98 e 1999/2000. Foi sempre o melhor marcador do campeonato nessa estadia de quatro épocas nas Antas. Na temporada de estreia bateu o recorde golos num jogo para a Taça de Portugal, apontando sete tentos em 45 minutos (um deles, o melhor da carreira). Por lá marcou aos grandes do futebol – Real Madrid, AC Milan, Barcelona, Bayern Munique foram algumas das suas vítimas.

Em 2000/2001, despediu-se do Porto e rumou ao futebol turco. Marcando cinco golos na estreia, destacou-se pelo Galatasaray, anotando 24 golos em 22 partidas na temporada seguinte, e conquistou o título da Supertaça Europeia. As lesões e e problemas pessoais ditaram o fim da ligação à Turquia em apenas uma época.

JVP cruza, Mário Jardel marca. Uma receita simples para o título em 2001/02

Quem agradeceu foi o Sporting, resgatando-o para atacar o campeonato de 2001/02, que acabou por ser ganho sob o leme de Laszlo Boloni, para além da Supertaça e Taça de Portugal. Só começou a jogar na liga à quinta jornada, e foi o suficiente para marcar 42 golos só nessa competição e 55 no somatório de todas as frentes, em apenas 42 encontros. Só Peyroteo, Eusébio e Yazalde chegaram às quatro dezenas de golos na liga. Esses registos levaram-no a ganhar a Bota de Ouro pela segunda vez.

Quando marcava, mostrava camisolas interiores com interrogações, sendo a mais marcante “Porque Será?”. Nas costas gostava de envergar o número 16.

O declínio

Se há coisa que associamos a Mário Jardel, é a quantidade de golos que somava. Mas o brasileiro destaca-se também pela quantidade de clubes onde jogou: 21 emblemas. Do Sporting saiu para o Bolton, depois Ancona, Newell’s Old Boys, Goiás, sempre com pouco sucesso e muito poucos golos (ou nenhuns). Por questões físicas ou atrasos para aviões, também foi rejeitado no Alavés e Ankaraspor. As questões extra-futebol começavam a ter uma importância grande no seu desempenho, tendo o próprio admitido que era viciado em drogas e álcool. Engordou consideravelmente e teve problemas matrimoniais.

Jardel foi por duas vezes o melhor marcador europeu (1999 e 2002)

Em 2006/07 teve um derradeiro regresso a Portugal, numa passagem modesta de 12 jogos e 3 golos pelo Beira-Mar, que disputava a Primeira Divisão. E desde 2007 até 2011, ano da aposentadoria, passou pelo Chipre, Austrália, Bulgária, Arábia Saudita e clubes menores do Brasil. Entre 2014 e 2016 foi deputado pelo PSD no Estado do Rio Grande do Sul, mas envolveu-se em escândalos de corrupção e tráfico de drogas, sendo afastado precomente do cargo.

Na Seleção Brasileira, o avançado teve pouca preponderância. Disputou apenas 10 jogos pela canarinha, e marcou um golo, numa época em que tinha a concorrência de Ronaldo, Rivaldo, Bebeto ou Élber. A sua estreia ocorreu em 1996 e foi opção para a Copa América de 2001, ganha pelo Brasil.

 

Mário Jardel recordado no programa Fiebre Maldini:

https://www.youtube.com/watch?v=a7C6nVfg54c

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.

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