Talento de Otávio derrubou a muralha maritimista

O bom momento continua. O Porto viajou até à Madeira e regressa a casa com os 3 pontos, ao vencer o Marítimo por 2-0 no Estádio do Marítimo e alcançando, de forma provisória, a liderança isolada do campeonato.

Num terreno que normalmente não costuma oferecer vida fácil aos Dragões, o Porto entrou forte no jogo. Ritmo elevado e a pressionar a primeira fase de construção da equipa maritimista, não deixando os insulares saírem a jogar.

No entanto, pouco durou. Cláudio Braga apostou num esquema tático com 5 defesas e o mesmo começou a dar resultados, com muito mérito do Marítimo, mas ao mesmo tempo, muito demérito dos portistas. Apesar do início forte, o Porto adormeceu. Equipa muito estática, com um ritmo de jogo baixíssimo e uma qualidade de jogo a roçar a nulidade. Oliver bem tentava mexer com o jogo, mas o Porto não conseguia criar desequilíbrios na defesa insular. Chegámos ao intervalo com um empate a zero e com a maior oportunidade a pertencer ao Marítimo, através de Joel Tagueu aos 28 minutos. Os zero remates à baliza, por parte do Porto na primeira parte, esboçam a fraca exibição que a equipa estava a realizar.

Os adeptos exigiam uma atitude diferente da equipa do Porto na segunda parte. Porém, a mesma tardou em surgir. O Marítimo mantinha a sua organização e a sua agressividade e as dificuldades portistas em impor o seu jogo persistiam. Contudo, aos 62 minutos, é assinalada uma grande penalidade a favor do Porto. Lucas Áfrico comete falta sobre Soares e facultou aos dragões uma oportunidade soberana para passar para a frente do marcador, sem nada fazer para o merecer. No entanto, a incapacidade portista em ultrapassar a defesa do Marítimo, neste caso o guarda redes,  prevaleceu. Marega chutou e Amir defendeu. O empate mantinha-se e tornava-se fácil de perceber que o Porto só iria sair da Madeira com os 3 pontos se houvesse mudanças na forma de jogar da equipa.

A grande penalidade falhada de Marega serviu como uma espécie de wake up call para Sérgio Conceição. O treinador portista percebeu que a equipa necessitava de mexidas e lançou Otávio para dentro de campo. A escolha não podia ter sido mais acertada. Aos 70 minutos, grande jogada de futebol por parte do Porto que só acabou com a bola nas redes de Amir. 3 minutos depois de ter entrado, Otávio colocava o Porto em vantagem.

Após a inauguração do marcador, tudo se tornou mais fácil. O Marítimo começou a demonstrar alguma intranquilidade. Aos 73 minutos, recuperação de bola de Óliver Torres, passe do espanhol para Otávio, e o brasileiro assiste Marega que se redimiu e garantiu  a vitória para o Porto. O jogo ficava assim fechado, com a vitória dos azuis e brancos a ser já uma certeza. No entanto, tempo ainda para a expulsão de Danny. O capitão do Marítimo perdeu a cabeça e agrediu Otávio por volta dos 82 minutos. Uma autêntica infantilidade por parte de um jogador tão experiente que, devido a este comportamento, fica de fora do dérbi madeirense da próxima semana.

O resultado fixou-se em 0-2. Numa partida onde os campeões nacionais sentiram muitas dificuldades na maior parte do tempo, Sérgio Conceição mostrou porque merece a confiança dos adeptos e mexeu na equipa acertadamente, levando a turma portista à conquista de mais 3 pontos. O pensamento azul e branco está agora virado para o jogo frente ao Lokomotiv, onde a vitória coloca o Porto com pé e meio nos oitavos. Já no Marítimo, reina a intranquilidade. Os lenços brancos mostrados pelos adeptos no fim do jogo demonstraram o seu descontentamento. Descontentamento este, causado parcialmente pela incapacidade de reagir ao primeiro golo do Porto. Mas, acima de tudo, pesam as 4 derrotas consecutivas do verde-rubros para o campeonato. Uma derrota frente ao Nacional na próxima semana pode significar o adeus de Cláudio Braga.

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.

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