Opinião: A estrelinha da sorte

Após os últimos resultados da fase de grupos da Liga dos Campeões, penso que houve um sentimento comum a muitos jogos: a surpresa. A surpresa gerada, não só pelas equipas que venceram ou empataram de forma inesperada, mas também pela forma como algumas formações despediram-se da maior competição europeia de futebol.

16 emblemas continuam a sonhar com o prestigiado caneco europeu, 8 querem mostrar o que valem na competição secundária e outras 8 terão que aguardar por um novo apuramento. Isto tudo, não seria possível, sem ter existido drama e surpresa na última ronda.

No grupo B, Tottenham e Inter a serem das surpresas, o primeiro pela positiva e o segundo pela negativa, ao somarem empates frente a Barcelona e PSV, respetivamente. O Inter com um jogo teoricamente mais fácil e a necessitar de fazer melhor que os Spurs, não conseguiu levar de vencida a formação holandesa e estiveram os 90 minutos a traçar a rota que iriam acabar por seguir: a Liga Europa.

Noutro grupo, o dito da morte, Liverpool mediu forças com Nápoles pelo apuramento à fase seguinte e, não só venceu pela margem mínima, como viu o seu guarda-redes a efetuar uma grande defesa perto do final do encontro. E, no fim de contas, nem terem somado 9 pontos, serviu de alguma coisa aos italianos.

E que dizer do Shakhtar, outra equipa relegada da Champions, que sofreram um golo de Fekir tirando-lhes a vitória e o apuramento, quando nem estavam na melhor forma? E ganhar ao Real Madrid, duas vezes, vencendo no Bernabéu por 0-3, e impingindo a maior derrota caseira dos merengues na competição. É um sonho autêntico não é? Para o CSKA Moscovo, tornou-se realidade, mas nem isso lhes serviu para que “ficassem na europa” na presente temporada.

Tudo isto, fez-me pensar (ainda mais) na tão falada estrelinha da sortePenso que podemos dizer que enquanto algumas das equipas mencionadas tiveram a estrelinha do seu lado, a outras, faltou a mesma sorte para avançarem na competição ou pelo menos sonharem com a Liga Europa.

Até fora da Liga dos Campeões vimos recentemente o efeito da estrelinha: ainda no fim-de-semana passado, na tão imprevisível Premier League, assistimos um destronar do então imparável (e avassalador) City de Guardiola para ceder o trono do primeiro lugar aos Reds. O Chelsea que tinha sido parado pelo Wolverhampton uns dias antes, a desencaminhou (para já) os Cityzens da luta pelo bicampeonato.

Na controversa final da Libertadores de Domingo, o jogo equilibrado entre os maiores rivais da Argentina, houve azo a prolongamento e surgiram os dois golos da vitória do River para além da hora de jogo. Benedetto festejou efusivamente o golo do Boca (gerando até memes) mas a sorte acabou por sorrir ao emblema de Los Milionarios.

Relembrando os anos mais recentes, ninguém esperava que o Mónaco chegasse tão longe na Champions e se sagrasse campeão nacional 2016/17, que o Leicester alcançasse o céu e o milagre que foi o campeonato inglês, que o Chelsea fosse levar de vencida o Bayern nos penáltis em 2012, isto só para dar alguns exemplos mais.

No final, por vezes quem é mais bafejado pela sorte chega mais longe. Seja nas competições europeias, como nacionais. Nunca se sabe bem o que esperar de cada jogo, de cada equipa e isso é que torna o futebol tão intenso quanto é, capaz de gerar euforia e a maior desolação.

90 minutos em campo são uma incerteza constante de quem sairá eufórico ou desolado, seja de que competição for. Esta, porém, é a magia do futebol e só resta esperar para ver de que lado anda a estrelinha da sorte.

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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