Sporting-Benfica: 7-1, uma vitória de Pirro

Faz esta semana 32 anos. Foi a 14 de dezembro de 1986, que o Sporting escreveu uma das páginas mais memoráveis da sua história. No antigo estádio José de Alvalade desferiu no eterno rival um duro golpe, o mítico jogo dos 7-1, uma das derrotas mais dolorosas da história do Benfica, e a única que sofreu nessa época (pior na história, só os 7-0 em Vigo).

Chuva… de golos

Os dérbis entre Benfica e Sporting têm sempre acontecimentos inesperados e estão sempre envoltos em magia e misticismo. Na véspera do dérbi, no Antigo estádio das Antas, o FC Porto aniquilara o Sporting Farense por 8×3, e iria assistir tranquilamente ao clássico com o primeiro lugar assegurado. O resultado de 8-3 fez parar o país, ninguém adivinharia o que estaria para suceder no dia seguinte, e poucos calculavam que o clássico pudesse meter este fantástico jogo do Porto “a um canto”.

Naquela tarde chovia “a potes”, mas isso não demoveu os adeptos de virem assistir em massa ao jogo. Estava casa cheia, mais de setenta mil pessoas no estádio. O Benfica, que estava a fazer um campeonato bastante bom, partia como favorito para aquele jogo. Já o Sporting estava a ter uma época atribulada, tendo começado o ano com um plantel de apenas 13 jogadores, entre os quais dois juniores, vendo-se obrigado a jogar num sistema que não lhe era característico, o contra-ataque, mas no futebol nunca há jogos ganhos antes de serem jogados!

A primeira parte iria ser bastante tranquila, com apenas um golo de Mário Jorge, numa recarga a um remate de Manuel Fernandes, pelo que os benfiquistas estavam convencidos que na segunda parte dariam a volta por cima, mas o que parecia um jogo tranquilo, rapidamente começou a tomar proporções “catastróficas”.

A segunda parte foi eletrizante! Manuel Fernandes, ao minuto 50’, marcou de cabeça e dilatou a vantagem dos “Leões”.

O Benfica, na conversão de um livre por parte de Vando ainda reduziu para 2-1, mas pouco depois, aos 65’ minutos, por intermédio de Meade, o Sorting fez o 3-1. O Benfica já não iria conseguir marcar mais nenhum golo nessa tarde e pior que isso iria ser completamente subjugado, só houve Sporting no restante do jogo…

Mário Jorge fez o 4-1 passados três minutos, e dois minutos depois Manuel Fernandes subia para 5-1. Era uma tarde de sonho para Manuel Fernandes! Manuel José, treinador do Sporting na altura, ainda o quis substituir, mas viu-se obrigado a não o fazer devido a uma lesão de Fernando Mendes que o impossibilitou de continuar dentro do terreno de jogo.

Manuel Fernandes, «o Capitão de Sarilhos Pequenos», nome da sua terra de origem, continuaria a causar grandes sarilhos ao Benfica naquela tarde, e acabaria mesmo por chegar ao poker, com golos aos 82’ e 86’ minutos. Manuel Fernandes pediu que guardassem a bola com que fez o quarto, pedido que lhe foi concedido e levou a redondinha para casa.

Manuel Fernandes, Antigo Jogador do Sporting

Findo o jogo, a festa foi inimaginável. Pudera! Uma vitória como não há memória do Sporting. O próprio Manuel Fernandes, grande herói daquela tarde, disse “nós vamos morrer todos e este resultado vai ficar para sempre”.

 

Uma Vitória de Pirro

Apesar dessa desventura em Alvalade os Benfiquistas, tiveram uma alegria no final da época, com a conquista de mais um campeonato, nessa época de 86/87. O Sporting teria assim uma “Vitória de Pirro”, o General e Rei de Épiro, que apesar de várias vitórias grandiosas, na conquista daquele que é hoje território italiano, não conseguiu a vitória derradeira que garantia o triunfo na guerra.

O infame «sete-a-um» foi em vão, dai a referência a Pirro. A derrota foi “benéfica” para os “encarnados”, se é que se pode dar alguma conotação positiva a uma derrota tão pesada, já que ajudou o Benfica a engrandecer-se e a conquistar o título.

O  Benfica sofreu às mãos do eterno rival uma derrota até então sem par, batendo o recorde do 7-2 a favor do Benfica, que se mantinha desde 28 de abril de 1946. Nessa época o Sporting ficou-se pelo quarto lugar, com menos onze pontos do que os rivais e com quinze vitórias, oito empates e sete derrotas.

 

 

 

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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