Mané Garrincha, o mestre do drible

Ficha do jogador:

Nome: Manuel Francisco dos Santos

Nascimento: 20 Janeiro 1933

Local: Rio de Janeiro, Brasil

Altura: 1,69m

Peso: 72kg

Clubes: Botafogo, Corinthians, Portuguesa Santista, Atlético Junior, Flamengo, Novo Hamburgo, Olaria


Manuel Francisco dos Santos, mais conhecido por Mané Garrincha, era de origem humilde, com quinze irmãos na família e originário de Pau Grande, um distrito de Magé, no estado do Rio de Janeiro. Uma irmã apelidou-o de “Garrincha”, fazendo uma associação com o pássaro de mesmo nome, muito comum na região.

As Pernas Tortas

Uma das características marcantes que envolvem a figura de Garrincha tem a ver com  uma distrofia física. A sua perna direita, seis centímetros mais curta que a esquerda, era flexionada para o lado esquerdo, e a perna esquerda apresentava o mesmo desenho. Ambas as pernas eram, pois, tortas para o seu lado esquerdo, apesar de Garrincha ser destro.

Botafogo

Não se sabe com certeza quem o levou a fazer um teste no Botafogo, mas nos minutos iniciais do primeiro treino, Garrincha fez “gato sapato” de Nilton Santos, o qual já era um jogador de renome.

Foi no Botafogo que se mostrou ao mundo, tendo jogador cerca de 95% dos jogos da sua carreira, sendo uma referência impar no clube, tal como Pelé no Santos.

Estreou-se no Botafogo com 20 anos, mostrando desde jovem qualidade como driblador. Garrincha teve um apogeu na equipa desde cedo, mostrando-se um excelente extremo que envergava a camisola 7 do “glorioso” com imensa qualidade.

 

 

Conhecido no mundo pelo mestre do drible, Garrincha fez no campeonato brasileiro das melhores exibições que muitos viram, sendo o Botafogo x Santos um dos melhores duelos da década de 50 e 60, em que Pelé e Garrincha se defrontavam, mostrando quem era o “astro” do campeonato brasileiro.

Garrincha teve o mundo a seus pés sendo conhecido internacionalmente, pelas suas fintas e pela qualidade técnica que para a altura, era única e fenomenal, tendo sido considerado por muitos melhor ainda que Pelé.

A Alegria do Povo

Garrincha era apelidado de “A Alegria do Povo”, pois era idolatrado pelos mais jovens e visto como o prótotipo do jogador brasileiro, boa finta, técnica, drible, velocidade e carismático, Garrincha foi no Botafogo dos jogadores mais importantes do clube, tendo uma estátua sua no estádio Nilton Santos, onde Botafogo joga.

Terminou em 1965 a sua ligação ao clube da sua vida, o Botafogo, vencendo 3 campeonatos cariocas e alcançado uma meia final da Copa América em 1963, para a dimensão do Botafogo e a competitividade do campeonato brasileiro foram 12 anos de muitas glórias, no “Glorioso”.

Após o Botafogo, 5 anos em 6 clubes 

Após o Botafogo, Garricha teve 6 clubes nos seguintes 5 anos da sua carreira, passando pelo Corinthians, Portuguesa Santista, Flamengo, uma aventura na Colombia nos Juniors Barranquilla e voltando ao Brasil no novo Hamburgo e Olaria, Garrincha terminou a carreira com 39 anos, em 1972, porém o grande Garrincha que nos habituou, foi o Garrincha do Botafogo e da canarinha.

Seleção Canarinha 

 

A Suécia, anfitriã e finalista, recebeu o Mundial 1958 que o Brasil saiu vencedor, porém o treinador Feola fora muito criticado, por só ao segundo jogo ter apostado na futura dupla do Brasil: Pélé e Garrincha, de 17 e 24 anos.

Nilton Santos, defesa do Botafogo de 33 anos, e já um veterano da Seleção, nao se conteve a criticar o treinador Feola, dizendo: “Você tem aí o Garrincha e o Pelé, que fazem aquilo muito melhor e não os põe a jogar”. Pela pressão sobre Feola, o treinador acabou por experimentar a dupla, e o Brasil tornou-se demolidor!

Garrincha disputou 4 jogos no Mundial, sendo eleito para o 11 da competição. 

O Brasil terminou campeonato do mundo com 16 golos marcados, tendo sido esmagador na final 5-2 contra Suécia. Curiosamente, jogou pela primeira vez de azul, porque a Suécia tinha o mesmo equipamento. O azul foi escolhido por ser a cor da Nossa Senhora da Aparecida, deu sorte!

 

Mundial 1962

No Mundial 1962, o Brasil estreou-se com o México, vencendo por 2-0, porém o “Rei” Pelé lesionou-se não jogando mais o mundial de 62´ no Chile.

Para quê Pelé quando se tem Garrincha? 

Após a lesão de Pelé, no jogo inaugural, Garrincha assumiu as rédeas da Canarinha. Djalma Santos e Mauro na defesa , enquanto Garrincha e Vává no ataque, eram os pilares do Brasil que defendia o estatuto de campeão, mesmo sem Pélé.

Empatando 0-0 com a Checoslováquia e vencendo 2-1 a Espanha, o Brasil seguia para os quartos de final.

Os Bis de Garrincha nos quartos e nas meias finais 

O Brasil venceu nos quartos de final a Inglaterra por 3-1, com dois golos de Garrincha e um de Vává. Seguiu-se nas meias finais o Chile, equipa da casa, num jogo mítico e polémico!

Na meia final em Santiago do Chile, o Brasil bateu a equipa da casa, por 4-2, com novamente dois Golos de Garrincha e dois de Vává, deitando por terra o sonho chileno de ser vencedor em casa.

Porém Garricnha foi expulso num lance com Leonel Sanchez que o impossibilitaria de jogar a final, pois Garrincha teria sido agredido durante todo o jogo, com algum consentimento do árbitro, e ao minuto 88 acabou por responder a outra agressão do Chileno.

A Confederação  Brasileira do Desporto, recorreu a FIFA baseando-se no bom comportamento de Garrincha que nunca na sua carreira teria sido expulso, (embora já tinha tido três expulsões no Botafogo). Consta que a FIFA analisou o relatório do árbitro e do seu assistente, tendo sido descrito como “um lance normal”.

Decisão tomada: A despenalização de Garrincha, joga a final! 

Na final, o Brasil vence a Checoslováquia por 3-1, tendo sido o Mundial de Garrincha, que foi o “descolar” da imagem de um simples, jogador de “assistencias” para Pelé.

Garrincha jogou 6 jogos e marcou 4 golos. Foi Eleito pela FIFA o Melhor Jogador do Campeonato do  Mundo.

A Promessa de Garrincha 

Antes do começo do Mundial, Garrincha fez a promessa à sua parceira, a cantora Elza Soares, que no final todos confirmaram ser verdade, disse antes ” Eu vou ganhar essa Copa para você”. Dito e feito!

Mundial 66 

Apesar da Seleção partir como favorita, o Brasil já não tinha o mesmo fulgor de outrora, tendo de fora grande parte do onze de 1962, jogadores como Vává, Zagallo, Mauro ou Nilton Santos, Garrincha já tinha 32 anos.

A preparação foi atribulada, pois nos meses finais de preparação, o treinador Vicente Feola estava a trabalhar com 46 jogadores, na qual apenas 22 iriam para Inglaterra, isso causou muitas disputas internas e pressão psicológica sobre a equipa.

Garrincha disputou 2 jogos e marcou 1 golo.

 

O Legado de Garrincha
Busto de Homenagem, no Estádio Mané Garrincha em Brasília

Tendo sido um héroi para os adeptos do Botafogo, também o foi para os brasileiros e para o mundo em geral, deixando um legado inigualável e o primeiro grande “número 7” do futebol mundial. Se Pelé se consagrou como o “número 10”, Garrincha inaugurou o “mítico 7” do extremo malabarista que Figo, Ronaldo e Beckham seguiram.

Vencedor de Mundial 1958 e 1962 

Onze do Mundial 1958 e 1962

Melhor jogador Mundial 1962

 

Miguel Matos

Fan de futebol desde míudo, coleccionador de cromos e cadernetas, gosto especial pela história do futebol. Adepto do Benfica, Inter de Milão, Arsenal e River Plate.

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