Sporting comeu o pão que João Félix amassou

Mágica e diabólica. Foi assim a exibição de João Félix, que aos 19 anos participou em três golos legais e mais um golaço que não contou. O Benfica ganhou 4-2 em casa do Sporting, num jogo repleto de golos, faltas, e intervenções do VAR.

Este jogo quebrou alguns registos de ambas as equipas. Desde já, o Benfica igualou o Sporting em matéria de vitórias em Alvalade (32 vitórias para cada lado). Depois, o Sporting viu ser quebrada uma série de 28 encontros em casa sem perder. Por último, Bruno Lage conseguiu fazer o que Rui Vitória nunca fez: marcar quatro tentos na casa do eterno rival. Há mais de vinte anos que os encarnados não marcavam tanto em Alvalade. Também a postura em campo, essa, foi muito diferente entre o Benfica de Lage e de Vitória.

O Benfica foi um rolo compressor na primeira parte, com seis remates dentro da área adversária, contra apenas um do Sporting (o golo). Para além disso, João Félix ainda marcou um golaço de fora de área, aos 22′, mas o lance foi anulado por Artur Soares Dias devido a falta do internacional sub-21. Seria um golo de antologia de um jovem que vai afirmando-se como o presente do Benfica.

Mas vamos ao que contou. Seferovic abriu o marcador aos 11 minutos depois de uma grande abertura de Gabriel e um cruzamento de Grimaldo. Coates esqueceu-se de Seferovic e não ficou livre de culpas, permitindo que o suiço marcasse o 11º golo da época ao 11º minuto. O segundo golo teve a assinatura do homem-do-jogo, João Félix, a passe de Seferovic, e outra vez com uma primeira pincelada de Gabriel Pires. A facilidade com que, em dois passes, o Benfica ultrapassou as linhas média e defensiva do Sporting foi um sintoma da má exibição leonina.

Os dois avançados benfiquistas eram quase sempre capazes de receber a bola em áreas perigosas, e impediam Gudelj de receber a bola e construir. A chave dos ataques benfiquistas esteve, no entanto, na velocidade e objetividade imprimidas nos lances, queimando muitas vezes a linha do meio-campo e até da defesa leonina com passes de Gabriel e Pizzi.

Quando já se dava por certa a vantagem dupla do Benfica durante o intervalo, Bruno Fernandes deu esperança aos adeptos da casa num contra-ataque fulminante do Sporting, depois de uma perda de bola de Samaris. A equipa de Keizer soube aproveitar a única boa oportunidade de golo que dispôs na primeira parte. Bruno Fernandes cheirou a oportunidade, e rematou com agilidade de leão.

Como digerir um golo aos 46 minutos?

O descanso veio, e com ele ficou Nani no banco de suplentes, por troca com Diaby. A substituição do extremo português pareceu estranha, depois de ter sido ele a assistir Bruno Fernandes, tendo Marcel Keizer explicado no final do jogo que foi mesmo uma opção sua. Qualquer que fosse o plano do holandês para a segunda parte, este sofreu um duro revés com um golo de Rúben Dias aos 46 minutos, a desviar um livre lateral de Pizzi. Mais uma vez, foi João Félix que cavou a falta a Jefferson.

O ritmo baixou nos minutos seguintes, com a satisfação crescente do Benfica e a frustração contida do Sporting. Ainda assim, o domínio benfiquista poderia ter sido ainda mais dilatado aos 56′, quando Seferovic introduziu a bola na baliza de Renan Ribeiro mas estava em posição irregular. Este lance foi desenhado outra vez numa transição rápida dos homens de Lage.

A vitória parecia pertencer cada vez mais aos forasteiros, e aos 73′ obteve-se a confirmação – João Félix lançado na cara de Renan e o guarda-redes brasileiro nada pode fazer senão uma falta sobre o “diabinho” encarnado, já dentro de área. Pizzi converteu o penálti e com alguma sorte a bola acabou por entrar, já que Renan ainda tocou.

O leão quis lamber as feridas e marcou dois golos até ao final, ambos com intervenção do VAR; no primeiro, o tento de Diaby foi anulado, no segundo foi detetada uma falta de Odysseas sobre Dost e marcada uma grande penalidade. Vermelho para o grego, que irá falhar o próximo dérbi da Taça, e o próprio Bas Dost a converter na face de Svilar.

Quarenta minutos de extrema qualidade atacante permitiram que o Benfica levasse de Alvalade os três pontos, e com nota artística. Habituados a um maior conservadorismo de Rui Vitória, com Bruno Lage a equipa encarnada foi descomplexada e atrevida, muito por culpa dos amassos que a dupla Félix/Seferovic incutia na defesa contrária. Já no Sporting é difícil encontrar pontos positivos a não ser Bruno Fernandes, um leão à solta. Os laterais, Coates, e o conformismo de Gudelj na construção facilitaram a goleada visitante. Ah, e Cristiano Ronaldo foi um dos 47.000 espetadores do dérbi.

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.

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