RMA vs ATL: “Futebol acima das nossas possibilidades”

Neste fim de semana, Real Madrid CF e Club Atlético Madrid disputaram mais um derby de Madrid, no fantástico Wanda Metropolitano. À partida para o jogo, Atlético e Real tinham o Barcelona a uma distância de 6 e 8 pontos, respetivamente, e sabendo da deslocação complicada que os Blaugrana iam ter horas mais tarde, uma vitória no derby mantinha a esperança no título bem viva.

Com tanto em jogo, o jogo foi “rijinho”, mas com pouca qualidade. Muitas faltas, polémicas, cartões e muita luta! Foi neste ambiente de luta e disputa, que a equipa de Solaria emergiu com uma vitória (1-3), em resultado da capacidade de converter as poucas oportunidades que teve.

Equipas Iniciais

Atlético no 4-4-2 de sempre, com Morata a fazer parceria com Griezmann na frente de ataque. No centro do meio campo, Simeone foi forçado a “sentar” Rodrigo e colocar Saúl como companheiro de Partey. Assim, a linha média foi formada por Lemar-Saúl-Partey-Correa.

No lado do Real, Solari continua a solidificar o 4-3-3. A grande surpresa esteve na lateral esquerda, com Reguillón a substituir Marcelo. Na frente, do alto dos seus 18 anos, para além de Benzema e Vázquez, o “moleque” continua a desarrumar a casa aos adversários.

Atlético Madrid x Real Madrid

Desde o apito inicial que o jogo nos ia transmitindo algumas indicações pouco habituais para um Atlético x Real Madrid. Nos últimos anos os embates entre estas equipas eram marcados pela excelente capacidade de gestão do espaço do Atlético, que conseguia frustrar a estratégia do Real. Neste fim de semana, o Atlético Madrid não parecia a equipa consistente e sólida que nos habituou.

A equipa Colchonera apresentou-se a jogar um futebol nada expectável, pelo risco que apresentava. Logicamente, qualquer filosofia e abordagem teve um risco inerente, nem que seja baixar as linhas e defender em 6-3-1, mas para se pressionar de forma agressiva, circular a bola com autoridade e jogar no campo do adversário é necessário ter jogadores que o consigam executar.

Pouca imprensa, muito jogo.

Sem Koke, mas principalmente sem Rodri, o Atlético não é capaz de sustentar esse tipo de jogo. Rodri apresenta uma consistência e solidez brutal, sem ele as centenas de vídeos que podemos encontrar no Youtube de jogadores como Lemar e Correa (os famosos “ Skills and Highlights”) não eram possíveis.

Solidez e Consistência para vídeos de Highlights?

Chamaram?

Pois é. É verdade que Solari continua a ver evoluir a sua equipa, nas asas de Vinícius Júnior, mas esse voo que só é possível, pela consistência e solidez que Ramos – Varane – Casemiro trazem.

Simeone está a tentar ajustar a sua filosofia aos jogadores que hoje têm. Se refletirmos um pouco, quando o argentino assumiu o barco colchonero, não tinha os jogadores que hoje têm. Correa, Lemar, Arias, Morata, são jogadores que têm dificuldade em jogar com a intensidade, agressividade e capacidade de luta que o treinador sempre defendeu.

Morata pode ser mais bonito que Diego Costa, mas não têm a capacidade do espano-brasileiro para atacar o espaço, para ameaçar a profundidade, para dar “uma porradinha” em Sérgio Ramos, Saúl não é o mesmo jogador a jogar no centro do meio campo como é no corredor.

Sem Costa? Não há agressividade, não há verticalidade … e há pouco Griezmann.

Sem Rodri? Não há solidez e consistência para permitir a Correa, Lemar e Arias fazerem o seu jogo mais ofensivo.

Sem Koke? Não há personalidade.

Então o que há?

Oblak.

Curiosamente, apesar de todas estas debilidades, a Juventus não vai ter uma missão nada fácil.

 

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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