Quem te viu e quem te vê: Matías Fernandez

Matías Fernandez foi um dos jogadores mais bem-amados pelos sportinguistas na última década. Na mesma altura em que Aimar, um baixinho tecnicista, arquétipo do número dez (daqueles que entraram em extinção) jogava pelo Benfica, Matías desempenhava um papel semelhante no alinhamento tático do Sporting. Era um médio ofensivo que se destacava pelo faro de golo – inteligente na chegada à área e, acima de tudo, era um especialista nas bolas paradas.

O internacional chileno, agora com 32 anos de idade, chegou ao Sporting vindo de um Villareal em estado de graça. Na temporada 2008/09, Pellegrini tinha levado o “Submarino Amarelo” a um passeio pelos quartos de final da Champions, sucumbindo ao Arsenal. Na época seguinte, Matías ingressou nos leões e por lá ficou três temporadas, perfazendo 116 jogos e 19 golos entre 2009/10 e 2011/12.

É impossível relembrar Matías Fernandez e não falar do golo de livre frente ao Manchester City de Roberto Mancini. Aquele golo, o primeiro na segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa 2011/12, arrepiou caminho para a melhor campanha europeia do Sporting desde a final da Taça UEFA perdida em 2005.

Depois de uma fase de grupos relativamente tranquila, o Sporting de Ricardo Sá Pinto ultrapassou “à rasca” o Legia de Varsóvia (clube que o referido treinador viria mais tarde a orientar, em 2018) por 3-2. O adversário que se seguiu foi um gigante dos petrodólares, o City de David Silva, Aguero, Balotelli, De Jong, Yaya e… Joe Hart, que ainda tocou na bola antes do livre de Matías contar. Depois do calcanhar de Xandão em Alvalade, os golos fora de Matías e Van Wolfswinkel deram a vitória aos leões.

Foi o ponto alto da carreira do chileno em terras lusas, tendo saído no final dessa época para a Fiorentina. Uma transferência de má memória para os sportinguistas, já que o chileno, ainda com 26 anos, saiu por cerca de três milhões de euros. Em Florença foi ganhando protagonismo com Vincenzo Montella, treinador que levou os Viola às meias-finais da Liga Europa em 2014/15. Paulo Sousa foi o último técnico de Matías na Fiorentina, em 2015/16, mas com o português o médio perdeu importância. No total disputou 130 jogos pela Fiorentina e marcou sete golos.

Acabou emprestado ao AC Milan em 2016/17, tendo-se juntado ao plantel “rossoneri” tardiamente. Nunca completou os noventa minutos em San Siro, apontando ainda assim um golo ao Génova. Disputou 13 partidas na única vez em que foi emprestado na carreira. A saída de Itália tornou-se previsível, mas o destino seguinte não era tão previsível: o Necaxa do México.

O regresso ao continente americano
Matías Fernández no Necaxa, do México

Era um regresso à América, não do Sul, mas do Norte. Um regresso ao futebol apaixonado e mais espaçado. Um destino favorável a Matías, já sem a intensidade de outrora, mas com a classe de sempre. Tornou-se um dos capitães do Necaxa, clube que ficou no meio da tabela nas duas épocas em que Matías o representou. Representou os “Rayos” por 42 vezes, marcando cinco golos.

2019 é um ano de novos desafios para Matías. Aos 32 anos, o chileno voltou à América do Sul para jogar na Colômbia, no Júnior Barranquilla. Em oito jornadas, os vice-campeões da Taça Sudamericana ainda não perderam para o Apertura colombiano. Matías participou em três jogos, como suplente utilizado, e marcou na estreia. Uma pequena curiosidade: Matías não enverga a camisola 14 no Júnior, número que o acompanhou praticamente durante toda a carreira. Agora é o 18.

A entrega, a classe e o pontapé canhão de Matías Fernandez deixaram saudades em Alvalade. Já em final de carreira, o chileno quer deixar a sua marca no regresso ao seu continente de origem, depois de mais de uma década bem-sucedida no futebol mediterrânico. Os títulos, esses, são a maior lacuna do currículo de Matías, que apenas ganhou títulos no Colo-Colo, na fase inicial da carreira, e uma Supertaça Italiana com o Milan. A carreira na seleção foi mais conseguida, com uma Copa América ganha em 2015 e um total de 74 internacionalizações, um verdadeiro histórico.

 

 

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.

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