Uma apresentação e um adeus ao ‘Pistolas’ agridoce

O jogo de apresentação do Benfica 2019/2020 marcou também a despedida oficial de Jonas dos relvados. Apesar de muitas emoções na hora da homenagem ao ‘Pistolas’, o jogo não na perfeição às águias que perderam por 2-1 frente ao Anderlecht.

A falta de ritmo foi notável, mas os pupilos de Bruno Lage demonstraram de espaço a espaço pormenores de qualidade. Apesar do resultado menos positivo, o técnico encarnado promoveu a utilização de 30 jogadores, tal como a estreia de muitos jovens formados no Seixal e de todos os seus novos reforços.

O jogo entre Benfica e Anderlecht tinha muito mais significado que a mera apresentação das águias para a temporada 2019/2020. Isto porque o encontro marcava ainda a despedida oficial do avançado brasileiro de 35 anos, Jonas, dos relvados. Antes da partida houve direito a uma bonita cerimónia onde o ‘Pistolas’ foi homenageado.

Quanto ao jogo, Jonas teve a oportunidade de pisar o relvado da Luz pela última vez na sua gloriosa carreira e logo com a possibilidade de capitanear aquela que ficará para sempre marcada como a sua última equipa ao nível de profissional de futebol.

O primeiro onze de 2019/2020

Já o resto do onze inicial, Bruno Lage deu espaço à estreia de reforços e ainda a algumas experiências. O Benfica 2019/2020 entrou em campo com o já habitual 4x4x2, mas muitas novidades. Na baliza começou Zlobin, guardião russo  que na temporada passada esteve na equipa B.

Na defesa a grande novidade foi a utilização de Eduardo Salvio a lateral direito. O argentino, que esteve perto de sair neste mercado, é a nova aposta de Lage para competir com André Almeida. Ao seu lado nomes mais habituais: Jardel, Ferro e Grimaldo.

No centro do campo surgiram mais novidades. Florentino Luís e Gabriel no miolo, Taarabt numa ala – demonstrando que é aposta para esta nova época – e o novo camisola ‘7’ da Luz, Caio Lucas. Já no ataque o Benfica começou com Jonas para a despedida e a estreia da nova contratação proveniente do Real Madrid, Raúl de Tomás, o novo camisola ‘9’ do Benfica.

Do lado da equipa escolhida para defrontar o Benfica na apresentação, a grande novidade até vinha mesmo do banco. Isto porque o treinador dos 6º classificados da Jupiler Pro League do ano passado é agora o mítico central do Manchester City, Vincent Jompany. O central reformou-se também ele do futebol este verão após 11 temporadas ao serviço dos citizens e aceitou este novo desafio.

A despedida

Apesar da homenagem a Jonas, o jogador teve direito ao mesmo número de minutos que tinha na sua camisola: 10. Assim, à chegada da primeira dezena de minutos do encontro, chegou o momento, a despedida de Jonas Pistolas dos relvados.

Ao minuto 10, do dia 10 de julho, o avançado foi ovacionado pelo Estádio da Luz que gritou bem alto pelo seu nome uma última vez. Mais de 130 golos e 180 jogos pelo Benfica depois, o adeus de Jonas. O brasileiro fez questão de cumprimentar todos os seus colegas em campo e no banco. Teve certamente pena de não se despedir com um último golo. Para o seu lugar entrou mais uma menino vindo do Seixal, o médio Tiago Dantas, de apenas 18 anos.

O pós-Jonas

Com a saída de Jonas, houve mexidas na tática também. Taarabt subiu no terreno para fazer o papel de ‘9,5’ – anteriormente de João Félix – e Tiago Dantas ficou no lado direito do meio-campo – lugar habitualmente ocupado por Pizzi.

As novidades eram algumas e o jogo ainda agora tinha começado, mas havia coisas que não mudavam neste Benfica. Apesar de no “papel” serem essas as posições apresentadas pelos encarnados, Tiago Dantas, RdT, Taarabt e Caio Lucas impunham muita mobilidade posicional, trocando constantemente por forma a trocar as voltas aos belgas.

Para além desta mobilidade, o Benfica mantinha uma característica bem conhecida das equipas comandadas por Bruno Lage, impondo uma pressão muita alta aos adversários.

O jogo ia estando bastante lento e assim que surgiu um pouco mais de velocidade, veio o golo, mas da equipa forasteira. À passagem da meia hora Jérémy Doku, extremo de apenas 17 anos, desmarcou-se muito bem pela ala direita ofensiva dos belgas e surgiu na cara de Zlobin. No momento da finalização diferiu uma trivela bastante torta que acabou por embater em Jardel  e fez o primeiro da partida. 1-0 para o Anderlecht e o Benfica a começar a sua apresentação da pior maneira.

O segundo golo da partida não tardou a aparecer. 10 minutos depois da arrancada fulminante de Doku, foi a vez de Isaac Thelin subir nas alturas e fazer de cabeça o 2-0 para os belgas. A defensiva encarnada ficou mal na fotografia ao deixar o avançado sueco – reforço de Kompany para esta temporada – saltar completamente sozinho.

Com a chegada do intervalo, a apresentação do Benfica e despedida de Jonas não corriam de feição. Apesar de se tratar de uma fase muito precoce da preparação da temporada, a formação de Bruno Lage demonstrava ter muito a aperfeiçoar. O técnico preparava uma revolução no onze para mostrar e fazer novas experiências.

2ª parte de oportunidades e novidades

O início dos segundos 45 minutos, e tratando-se este de um jogo de apresentação, trouxe uma revolução no onze do Benfica. Bruno Lage fez entrar um total de 10 jogadores, sendo que o único a permanecer em campo foi Salvio, que continuou a lateral direito. Entre estreias e regressos, os adeptos tinham muito para ver e Bruno Lage para avaliar.

O 4x4x2 manteve-se. Svilar entrou para a baliza e defrontar a sua antiga equipa. Na defesa ficou Salvio, Conti, Rúben Dias e o estreante vindo da equipa sub-23, Nuno Tavares – formado no Seixal. No meio campo Jota entrou para tentar arrecadar o seu lugar definitivo no plantel, David Tavares – também formado no Benfica e a fazer a sua estreia na Luz – Fejsa, Samaris e Pizzi.

No ataque, Bruno Lage promoveu a estreia de Jhonder Cádiz, avançado contratado ao Vitória de Setúbal. Contudo, a estreia do venezuelano foi curta, visto que cedo o avançado teve uma lesão muscular e Lage não quis arriscar. Colocou Chiquinho, mais um reforço para esta época e um regresso ao Benfica.

Apesar das muitas caras novas nesta 2ª parte, demorou até aparecer uma grande ocasião. Demorou, mas chegaram logo três de uma assentada só. À passagem do minuto 64, Chiquinho obrigou o guardião adversário a uma boa defesa e na recarga colocou a bola no poste. Na sequência do perigo causado pelo médio português, foi a vez de Jota mandar uma bomba para mais uma defesa.

As oportunidades começavam a surgir e o golo encarnado também não demorou. Chiquinho vinha com fome de golo e de mostrar serviço e fez por isso. Nuno Tavares recebeu o esférico na lateral esquerda e diferiu um cruzamento rasteiro muito venenoso. O médio que veio do Moreirense só teve de encostar. 2-1 na Luz.

Ao minuto 72, hora de novas substituições. Entraram Seferovic, Rafa, Cervi e o estreante João Ferreira (defesa de 18 anos formado na Luz), para os lugares de Pizzi, Jota, Samaris e Salvio.

Já quanto aos maiores destaques, nota clara para o lateral Nuno Tavares que estava cheio de confiança. Subia bem no terreno, juntava-se ao ataque e até ia tentando o golo. Chiquinho mostrava-se também muito móvel e com vontade de mostrar serviço, coroando a sua exibição com um golo.

O jogo não acabaria sem mais substituições da parte de Lage. Ao minuto 85, o técnico promoveu a entrada de Vlachodimos para a baliza, tal como as estreias do central Pedro Álvaro e do extremo Nuno Santos – ambos formados no Seixal e proveniente da equipa B. Saíram Svilar, Rúben Dias e Nuno Tavares.

Até ao final da partida, e apesar dos quatro minutos de compensação, nada mais houve a apontar mesmo o Benfica ter tentado o golo do empate por várias vezes. O Benfica perdeu por 2-1 no seu jogo de apresentação frente ao Anderlecht, mas deixou muito boas anotações individuais e coletivas, especialmente na 2º parte. Bruno Lage lançou um total de 30 jogadores no jogo de homenagem e despedida de Jonas.

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.

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