Frank Lampard: a face de um novo Chelsea?

Chegando a nova temporada, a maioria dos clubes procura reforçar-se e investir nos seus plantéis. Ênfase na palavra “maioria”, pois há casos como o Chelsea, que sofreu uma proibição de inscrever jogadores durante as próximas duas janelas de transferências, mercado de verão e inverno da época 2019/2020. Esta proibição surge por irregularidades em inscrever jogadores jovens demais, quebrando os regulamentos da FIFA.

No entanto, nem tudo corre mal para o Chelsea. Christian Pulisic (extremo, 20 anos) foi contratando previamente pelo clube londrino numa jogada bastante astuta por parte do clube, considerando que o jogador pode assim integrar o plantel no início desta época, colmatando a saída de Eden Hazard para o Real Madrid (em termos posicionais, porque em qualidade ainda lhe falta).

Para além deste reforço de qualidade e com perspetiva de futuro, o Chelsea foi “buscar” alguém mais preponderante no seu futebol, Frank Lampard. Desta vez não para jogar mas sim para liderar e treinar um Chelsea que não consegue segurar um treinador mais do que 2 anos nos últimos tempos, muito menos dar-lhes a confiança e a capacidade de comandar um balneário.

Não obstante da época de qualidade que realizou no comando do Derby County, chegando à final do play-off de promoção à Premier League, Lampard aparenta ser uma aposta de risco pela pouca experiência que tem (um ano de treinador em escalões principais), ainda por cima sujeitando-se ao clima agreste que é ser treinador no Chelsea.

Porém, não estamos a falar de uma pessoa qualquer. Pondo de parte as suas recentemente adquiridas credenciais de treinador, Frank Lampard é uma figura mítica do Chelsea, vencedor de todo o tipo de troféus (Champions League e Premier League como exemplos) e o melhor marcador da história do clube, da posição de médio diga-se também. A sua saída do Chelsea também é recente, deixando o clube em 2014 e reformando-se uns anos depois, sendo mais que óbvio que conhece (e bem) os cantos à casa.

Portanto, como é que o Chelsea lida com a forma espetacular de City e Liverpool, a consistência tremenda do Tottenham, a qualidade do Arsenal (que tem os seus dias) e o contínuo investimento do United? Apostando no que tem, dentro e fora de casa.

Olhando para a situação do Chelsea, o plantel está bastante bem recheado, perdendo muito do que é a sua magia na saída de Eden Hazard, mas continuando a contar com nomes de qualidade como Kanté, Azpilicueta, Willian e muitos outros. Agora, com a qualificação para a Champions, duas taças nacionais e visando atingir um dos primeiros quatro lugares na classificação, é necessário profundidade e qualidade.

Sem mais reforços, primeiro o Chelsea tem que olhar para a juventude. Durante anos a sua formação tem produzido jogadores de grande qualidade; alguns exemplos são Loftus-Cheek, Mason Mount e Tammy Abraham. É importante notar que Abraham tem rodado por outros clubes em Inglaterra, regressando ao Chelsea com 25 golos marcados ao serviço do Aston Villa na época anterior e certamente à espera de uma oportunidade no onze inicial.

Há muitos mais jovens de valor nos escalões de formação dos blues, basta olhar para a quantidade de troféus que têm acumulado nas competições jovens de Inglaterra, bem como as performances na UEFA Youth League – na época passada foram finalistas derrotados contra o FC Porto. Claramente que a qualidade dos “míudos da casa” não é uma questão…

Um dos problemas apontados à gestão desportiva do Chelsea é a fraca presença de jovens formados no clube na equipa principal, acabando por ser emprestados repetidamente a variados clubes, dentro e fora de Inglaterra (especialmente o Vitesse). Estes jovens entram assim no ciclo de empréstimos de um clube que possui DEZENAS de atletas a rodar por outras equipas, ano após ano, sendo uma parte formados e outra adquiridos.

Alguns dos nomes mais sonantes dos últimos anos que têm integrado esta máquina de empréstimos do Chelsea são Michy Batshuayi (equipa principal), Bertrand Traoré (representa o Olympique de Lyon), Kurt Zouma (também de volta à equipa principal) e muitos mais.

Esta época assim surge como uma forma de travar este ciclo vicioso de emprestar jogadores de qualidade e talvez incutir alguma consciência na gestão do Chelsea de como têm desperdiçado tanto talento nestes últimos anos. Não é pela constante venda e compra de jogadores que se fazem clubes campeões, muito menos num sistema de rotatividade de treinadores constante. Mesmo com números impressionantes de troféus nos últimos anos, o Chelsea nunca o fez de forma estável, servindo de exemplo a infeliz época do despedimento de José Mourinho, que após conquistar o campeonato na época anterior é libertado das suas funções ainda na primeira metade da época, resultando num catastrófico décimo lugar na tabela.

Assim, talvez uma nova fase esteja pela frente em Stamford Bridge, com um treinador da casa, capaz de acalmar os ânimos quando é necessário entre os adeptos impacientes do clube londrino, conhecedor daquilo que a formação da casa é capaz e de pés assentes na terra para implementar um futebol adaptável aos seus jogadores, contrastando com a ideologia “agressiva” de Maurizio Sarri. É preciso paciência, modernidade e acima de tudo adaptabilidade no Chelsea neste momento. Frank Lampard pode trazer tudo, ou nada disso. Para bem da massa associativa do Chelsea, esperemos que seja a primeira opção.

 

José Horta

Não nasci a gostar de futebol, mas quando comecei nunca mais quis outra coisa. Algarvio de nascença mas adepto do futebol para além daquele que se joga na praia. Sempre atento aos contornos e novidades do "Desporto Rei", "Beautiful Game" ou lhe quiserem chamar. Aluno universitário de Ciências da Comunicação na FCSH.

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