Quem te viu e quem te vê: Javier Balboa

Em Portugal é recordado como um “flop” e em Espanha chegou a ser campeão pelo Real Madrid. Javier Balboa não é um sujeito estranho para os adeptos portugueses, mas desde 2015, depois de ter representado o Estoril, que nunca mais se ouviu falar do guineense nascido em território espanhol. Por que terras andará Balboa?

Formado no Real Madrid, previa-se um futuro brilhante para um jogador cujas qualidades eram muitas. Ágil, extremamente rápido e desequilibrador, conseguia chegar facilmente à linha de fundo e tirar os melhores cruzamentos possíveis para os companheiros dentro de área. Pelo menos foi assim que apareceu na equipa principal do Real Madrid, onde chegou a fazer 15 jogos, nos quais marcou dois golos. Mas em equipa de galácticos, ou se é galáctico ou não há hipótese. Com pouco espaço na equipa madrilena, o Benfica surgiu como uma excelente hipótese. Na altura, época 2008/2009, as águias eram treinadas por Quique Flores, espanhol que conhecia bem Balboa. Foi assim um pedido expresso do técnico recém-chegado ao clube da Luz. Um pedido concretizado. Javier Balboa chega à Luz com cognome de craque num negócio a rondar os quatro milhões de euros, uma quantia a ter em conta para um clube português naquela altura.

Tratava-se de um jogador para chegar e triunfar. Já não era nenhuma jovem promessa por lapidar, mas sim alguém pronto a dar o próximo passo na carreira. Assim acreditavam os responsáveis do Benfica. Porém, por alguma razão a expressão “flop” é utilizada neste caso. O extremo nunca se conseguiu afirmar na Luz, muito pelo contrário. Bastou uma época e apenas 17 jogos realizados para se perceber que muito dificilmente Balboa continuaria no Benfica. E não continuou. Seguiram-se dois empréstimos, ao Cartagena e ao Albacete respetivamente, até à rescisão de contrato em 2011, já com Jorge Jesus no comando das águias.

Ainda assim, Portugal permanecia um bom destino para o guineense. O Beira-Mar seria o novo clube de Javier Balboa, ele que prontamente explicou o porquê de nunca ter conseguido afirmar-se no Benfica.

“Faltaram-me oportunidades. Agora quero provar o meu valor e mostrar às pessoas do Benfica que merecia mais. E acredito que estou no clube perfeito para relançar a minha carreira”, afirmou Balboa que colocou as culpas “no treinador que o quis (Quique), mas que nunca deu as oportunidades que merecia”.

O Beira-Mar revelou-se ser a grande casa para Javier Balboa. Disputou 54 jogos, onde marcou por nove vezes. A espaços ia demonstrado algumas qualidades outrora bastante reconhecidas. A boa forma valeu mesmo a chamada à seleção da Guiné Equatorial, equipa pela qual disputou a CAN por duas vezes, em 2012 e 2015. Mas o que começou bem, acabou mal. O clube de Aveiro acabaria por descer de divisão, Balboa exigiu a sua saída e ainda revelou a terrível situação financeira do emblema aveirense.

Seguiu-se o Estoril. Fez duas épocas sólidas e chegou fazer parte da tal equipa de Marco Silva que realizou uma extraordinária campanha na liga portuguesa, acabando nos lugares europeus. Chegou mesmo a marcar contra o seu antigo clube, o Benfica. Mas Balboa não era de permanecer num sítio durante muito tempo, o que talvez revele um pouco do que falhou na sua carreira. Acabou por sair dos canarinhos a custo zero e rumou a Arábia Saudita para representar o Al-Faisaly. A partir daí, a carreira do guineense revelou-se “saltitona”, mais uma vez. Foi jogar para Marrocos, passou pela Grécia, até chegar ao Qatar. Foi precisamente no Qatar a última vez que representou um emblema.

Aos 34 anos, está sem clube, mas não é por isso que não vai aparecendo no espaço mediático. Balboa tem surgido algumas vezes como comentador num programa de televisão espanhola, onde já chegou a abordar temas relativos ao futebol português, com destaque à “loucura de dar 120 milhões por João Félix”.

Javier Balboa é um exemplo, não do que foi, mas do que poderia ter sido. Por várias vezes referiu que se tivesse ido para o FC Porto e não para o Benfica, na altura em que saiu do Real Madrid, as coisas podiam ter sido diferentes. A verdade é que as más decisões desportivas e a falta de oportunidades condenaram um jogador talhado para a glória.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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