Paulo Fonseca em Roma: Um grande desafio

Depois de uma passagem bem sucedida pelo Shakhtar Donetsk, onde conquistou três campeonatos e três taças da Ucrânia em igual número de temporadas, Paulo Fonseca mudou-se para a capital italiana e irá comandar a A.S. Roma nas próximas duas temporadas.

Em Itália, Fonseca terá à sua espera um projeto ambicioso e a possibilidade de trabalhar pela primeira vez numa das melhores ligas europeias. No entanto, o contexto em que chega ao clube está longe de ser favorável.

A época de 2018/19 foi conturbada para os romanos. Depois de um verão movimentado (ainda com o espanhol Monchi como diretor desportivo) que resultou nas chegadas de jogadores como Pastore, Nzonzi ou Kluivert, os giallorossi não conseguiram acompanhar as expetativas dos adeptos. Na Serie A, a equipa não conseguiu ir além de um sexto lugar e na Champions foi eliminada nos oitavos de final pelo F.C. Porto. Depois desta eliminação, no início de março, o treinador Eusebio Di Francesco foi substituído por Claudio Ranieri, que assumiu a equipa até ao fim da época.

A juntar a isto, a Roma atravessa (novamente) um período de renovação e de mudanças no plantel: o lendário capitão Daniele De Rossi deixou o seu clube de sempre para se juntar ao Boca Juniors; o patrão da defesa Kostas Manolas mudou-se para o Napoli e o extremo El Shaarawy rumou à Liga Chinesa. A juntar a isto existem rumores de que o lateral sérvio Aleksander Kolarov e o goleador bósnio Edin Dzeko poderão deixar a equipa ainda este defeso.

De chegada ao clube estão, até ao momento, o guarda-redes espanhol Pau López, proveniente do Bétis; os médios Amadou Diawara (envolvido na transferência de Manolas para o Napoli) e Jordan Veretout, da Fiorentina; o lateral esquerdo Leonardo Spinazzola que chega da Juventus num negócio que implicou que a Roma “abrisse mão” do jovem Luca Pellegrini; e ainda, vindo por empréstimo da Atalanta, o central Gianluca Mancini.

Fonseca tem, neste momento, muitas incógnitas relativamente à construção do plantel, que bem necessita de reforços devido à forte concorrência que vai encontrar. Com uma nova Juventus fortemente reforçada e agora comandada por Sarri, o consolidado Napoli de Ancelotti e as duas equipas de Milão com treinadores de maior qualidade (Giampaolo no Milan e Conte no Inter) e melhorias no plantel, a Roma não vai ter tarefa fácil na luta pelos lugares de Champions. Além de todas estes coletivos, Fonseca não poderá descurar uma Atalanta surpreendente e de nível europeu e o eterno rival da cidade: a Lazio.

Por todas estas razões será difícil para Paulo Fonseca ter sucesso em Roma na sua primeira temporada. No entanto, se o objetivo do clube for um projeto estruturado a médio/longo prazo, o treinador português tem qualidade suficiente para voltar a trazer troféus para um histórico italiano que não altera o seu palmarés desde 2008. Uma coisa é certa: um treinador de qualidade, com ideias implementadas e cujas equipas se caraterizam por jogar um futebol apelativo vai juntar-se a um clube mítico com uma “aura” de grande, mas que não ganha troféus há mais de uma década. Aconteça o que acontecer é um “casamento” promissor e que merece ser seguido com atenção!

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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