Quem te viu e quem te vê: Filip Djuricic

Decorre o ano de 2013… após uma época de frustração e de derrotas pesadas na reta final, o Benfica reergue-se e prepara a nova temporada com uma aposta especializada no mercado sérvio. Vê-se nas capas dos jornais as várias manchetes “armada sérvia na Luz” e são vários os nomes difíceis de pronunciar que chegam ao clube encarnado.

Entre estas apostas sérvias surge a contratação mais sonante, Filip Djuricic, jovem estrela ao serviço do Heerenveen na Holanda, pelo custo de oito milhões. Uma quantidade significativa para um jogador proveniente de um campeonato de competitividade reduzida e com apenas 21 anos. Uma aposta, sem dúvida, mas o entusiasmo era palpável pela chegada do médio promissor.

Como é típico na era de Jorge Jesus, o Benfica jogava regularmente num sistema de 4x4x2 e automaticamente aqui apresenta-se um problema. Djuricic desempenhava um papel clássico no futebol, o “10”, o médio ofensivo central, que controla a formação de jogadas e é tipicamente responsável pelo último passe. Colocando-se a típica intransigência de Jesus face às funções dos  jogadores, o Benfica jogava num sistema simplesmente disfuncional, assemelhando-se a um 4x2x3x1, mas não totalmente, forçando Djuricic a cumprir um papel próximo de um típico segundo avançado. Não resultou, sendo notório o arranque difícil dessa temporada, uma derrota na casa do Marítimo na primeira jornada e uma vitória arrancada a ferros na Luz contra o Gil Vicente na segunda.

A história acabou bem para os encarnados, todos sabemos como positivamente acabou essa época para o Benfica, três troféus de quatro e uma final europeia, logo houve uma evolução após esse início problemático. Quem sofreu com isso? Adivinharam, Filip Djuricic. A equipa voltou à formação tradicional e o sérvio começou a jogar de forma esporádica e em jogos de relevância menor, terminando a época com cerca de 1000 minutos e dois golos apontados.

Na época seguinte inicia-se assim o trajeto de empréstimos deste atleta, sendo o primeiro clube a que foi cedido o Mainz da primeira divisão alemã, pelo qual desempenhou 12 jogos. Na segunda metade da temporada, o Southampton recebeu o jogador por empréstimo, prestando serviço por 11 jogos, entre a equipa principal e a sub-23.

Houve uma esporádica aparição de Djuricic na época seguinte no plantel do Benfica, cumprindo dois jogos, uma na liga e outra na taça da liga, sendo posteriormente cedido ao Anderlecht até ao fim da temporada, jogando 21 partidas com um golo apontado.

Mais um empréstimo se seguiu na época seguinte, estamos a falar de 2016/17, onde o Sassuolo recebeu o atleta que jogou 21 vezes pelo clube italiano, assinando permanentemente pelo mesmo clube na época seguinte após se desnvicular do Benfica, quatro anos e quatro empréstimos depois.

No entanto, Djuricic não se livrou dos empréstimos, representando o Sassuolo por duas partidas em 2017/2018 mas sendo cedido aos recém-promovidos Benevento na mesma liga. Completou a época com 15 jogos efetuados pelo clube, que acabou a temporada no último lugar da classificação e regressou à segunda divisão italiana.

A época transata acabou por servir como uma espécie de consolidação, completando 25 partidas pelo Sassuolo, que chegou à modesta 11º posição no campeonato, com dois golos apontados e encerrando, por agora, o pesadelo dos empréstimos para o criativo sérvio.

Em retrospetiva, Djuricic viajou por seis campeonatos europeus, não conseguindo cumprir a promessa de jogador que era quando foi transferido para o clube da Luz. Um atleta com um toque sensacional, boa distribuição e com “magia” nos pés à Aimar e outros médios criativos que passaram pelas àguias nos últimos anos, mas incapaz de evoluir e tornar-se um jogador de referência como prometeu poder ser no passado.

Não faltou entusiasmo na sua chegada a Portugal, com uma titularidade logo desde o início da época e a confiança do número 10 após a saída de Aimar no ano anterior, mas simplesmente não resultou. Terá tido Jorge Jesus culpa em tentar fazer algo do jogador que ele não era, prejudicando criticamente a sua confiança? Seria um salto demasiado grande chegar ao Benfica após um par de anos de sucesso no campeonato holandês? Ou será simplesmente culpa do próprio jogador? Fica aberta a questão, e a esperança que Djuricic recupere a sua boa forma, aos 27 anos de idade, tendo ainda algum tempo para colocar a sua carreira num caminho positivo.

José Horta

Não nasci a gostar de futebol, mas quando comecei nunca mais quis outra coisa. Algarvio de nascença mas adepto do futebol para além daquele que se joga na praia. Sempre atento aos contornos e novidades do "Desporto Rei", "Beautiful Game" ou lhe quiserem chamar. Aluno universitário de Ciências da Comunicação na FCSH.

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