Surpreendente? Só para quem não viu

Desilusão portista em Barcelos. Uma exibição muito desinspirada dos Dragões e uma grande demonstração de qualidade dos homens da casa levaram à primeira grande surpresa do campeonato. Lourency e Kraev marcaram os golos da vitória gilista, enquanto Alex Telles faturou pelos visitantes.

Poucos teriam previsto aquilo que hoje se passou no Estádio Cidade de Barcelos. Na ressaca de uma vitória importantíssima para a 3º pré-eliminatória, na Rússia, o Porto visitou um Gil Vicente de regresso à Liga Nos, quatro anos depois, e com apenas um jogador com mais de 100 jogos na competição- Rúben Fernandes, capitão dos gilistas.

A surpresa começou muito antes do apito inicial, quando Sérgio Conceição apresentou um onze inicial sem dois dos seus pilares: Marega e Danilo. Zé Luís e Bruno Costa foram os seus substitutos. Apesar das mudanças, os adeptos portistas continuavam a ter todas a razões para estarem otimistas.

A partida começou com uma das (muitas) razões pela quais o Porto voltou para casa derrotado: ineficácia. 6 minutos estavam decorridos quando Zé Luís desperdiçou a primeira chance de golo dos portistas e cabeceou ao lado.

O Gil Vicente entrou atrevido, mas o Porto rapidamente conseguiu assumir o controlo do jogo. A posse de bola era azul e branca, mas a definição das jogadas no último terço deixava sempre a desejar. Tivemos de esperar até ao minuto 25 para ver mais ação perto da baliza de Denis. Corona ficou com a bola após um ressalto mas não conseguiu aproveitar a oportunidade.

As chances do Porto eram flagrantes, mas a mais escandalosa do primeiro tempo pertenceu ao Gil Vicente. Livre lateral para os barcelenses, Sandro Lima ganha de cabeça para grande defesa de Marchesín e na recarga Rodrigão remata e o guardião argentino conseguiu evitar o golo de maneira inacreditável. O novo dono da baliza portista é dos poucos jogadores a quem não se consegue apontar um pingo de culpa em relação a este resultado.

Até ao intervalo, o Porto dispôs de mais uma grande chance de golo, mas Soares seguiu o exemplo dos seus colegas e desperdiçou-a. 0-0 era o resultado com que as equipas seguiram para o descanso.

Se na primeira parte os jogadores portistas desperdiçaram oportunidades de forma escandalosa, o que dizer do falhanço de Soares no minuto 50. Zé Luís, com um trabalho fantástico, tirou dois adversários da frente, cruzou para o centro da pequena área e Soares, com espaço e com a baliza deserta, falhou o desvio. Os adeptos portistas estavam incrédulos e a partir daqui começou-se a sentir a preocupação dos mesmos.

Ainda mais preocupados ficaram quando, aos 60 minutos, Lourency colocou o Gil em vantagem. Perda de bola displicente de Marega (o maliano tinha entrado há poucos minutos) e boa transição ofensiva conduzida por João Afonso que assistiu Lourency. O extremo barcelense, ao contrário dos avançados portistas, não perdoou.

A reação do Porto ao golo do Gil Vicente não foi digna de uma equipa com o seu estatuto. Os avançados portistas deixaram de ser ineficazes no segundo tempo… porque as oportunidades para o ser não existiram. Era evidente o desconforto e o nervosismo dos comandados de Sérgio Conceição.

Porém, os vice-campeões nacionais dispuseram de uma chance magnífica para virar o rumo dos acontecimentos. Remate de Luis Díaz e Rodrigão corta a bola com o braço. Grande penalidade assinalada e Alex Telles colocou a bola no fundo das redes. 73 minutos estavam decorridos e o Porto tinha ainda muito tempo para alcançar a vitória.

Rapidamente essa crença desapareceu. Apenas 4 minutos após ter conseguido o empate, o Porto voltou a sofrer um golo. Lourency fez o que quis no corredor direito, cruzou para a área portista e Kraev não deu hipótese a Marchesín. Os azuis e brancos encontravam-se novamente em desvantagem e desta vez foi mesmo irrecuperável.

Sérgio Conceição ainda lançou Fábio Silva, mas o menino de 17 anos não conseguiu realizar o milagre desejado por todos os adeptos portistas. A reação ao golo do Gil, mais uma vez, não existiu e até se chegou a ter a sensação de que o 3-1 estaria mais perto de acontecer do que o 2-2.

2-1 foi o resultado final. Derrota inesperada dos Dragões que vão ter de melhorar em muitos aspetos caso queiram fazer frente a um Benfica que tem demonstrado qualidade acima da média nos últimos tempos. Quanto ao Gil Vicente, há que dar os parabéns. Os homens de Vítor Oliveira fizeram uma exibição de encher o olho, bateram-se igual para igual com a turma de Sérgio Conceição e conseguiram levar 3 pontos, à partida inalcançáveis, para casa.

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.

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