Benfica x Porto – Do desequilíbrio no meio campo veio o equilíbrio na corrida ao título

Com grande expetativa começou o primeiro clássico da época, mais de 60 mil no estádio da Luz, com o Benfica, campeão nacional, a defrontar o Porto, vice-campeão nacional.

Favoritismo claro para a equipa encarnada, com a conquista da Supertaça e a entrada de qualidade no campeonato, marcando 12 golos, sofrendo nenhum e com três vitórias consecutivas. O Porto iniciou a época de forma mais turbulenta, com uma derrota na primeira jornada do campeonato e o afastamento da Liga dos Campeões, mas com uma vitória por 4-0 contra o Vitória de Setúbal na jornada anterior.

Bruno Lage apresentou o mesmo onze que disputou as jornadas anteriores, com Odysseas na baliza; N. Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo na defesa; Samaris, Florentino, Rafa e Pizzi no meio campo; Raúl de Tomás e Seferovic no ataque.

Sérgio Conceição colocou o porto num 4-4-2 com Marchésin na baliza; Corona, Pepe, Marcano e Alex Telles na defesa; meio campo composto por Danilo, Uribe, Baró e Luís Díaz; no ataque Marega e Zé Luís.

A entrada forte do Porto foi notória forçando o Benfica a baixar linhas e jogar mais recuado no campo e pressionando com grande eficácia as suas unidades criativas, dificultando a transição defesa-ataque e a circulação fluída típica do Benfica.

A diferença verificou-se acima de tudo no meio campo, com Baró, Uribe e Danilo como unidades de maior trabalho defensivo e físico, superiorizando-se a Florentino e Samaris, evidenciando-se a superioridade nos três contra dois na batalha campal. Assim, o Benfica perdia oxigénio no meio campo, sendo quase inexistente a ligação entre o meio campo e o ataque.

O domínio territorial do Porto foi se acentuando, com uma boa defesa de Vlachodimos a um remate de Zé Luís, originando o canto do golo do Porto. Um lance infeliz protagonizado por Rúben Dias e Ferro permitem com que Zé Luís finalize à queima roupa num momento de inteligência do ponta de lança, colocando o Porto em vantagem no minuto 22.

No resto da segunda parte, foram poucas as ocasiões para ambas as partes, com o Benfica frustrado e o Porto a comandar onde se joga. Rafa e Pizzi foram anulados quase totalmente, e por consequência, o Benfica também. Tanto Florentino como Nuno Tavares foram os exemplos mais significativos de dois jogadores abaixo do seu nível habitual, acusando possivelmente alguma pressão pela dimensão do jogo, dificultando a circulação da sua equipa pelas suas hesitações e lentidão em encontrar soluções para colocar a bola.

Samaris lesionou-se no fim da primeira parte sendo substituído no início da segunda parte por Adel Taarabt. Bruno Lage optou por colocar o médio marroquino como forma de tentar acrescentar mais critério à posse de bola do Benfica e criar jogadas com mais nexo a partir de trás.

Esta alteração foi positiva na construção de jogo do Benfica, mas não chegou. Os problemas continuaram os mesmos e o Benfica continuou a demonstrar tremendas dificuldades em conter as jogadas individuais quer de Luís Díaz, Corona, ou mesmo de Baró, que fez uma partida muito positiva, desiquilibrando a organização da oposição e controlando a bola com qualidade.

Com a estagnação do jogo pela crescente perda de tempo do Porto e maior número de faltas, aos 71 minutos, Bruno Lage tentou novamente melhorar a fraca interligação do meio campo com o ataque, trocando R.D.T por Chiquinho, numa fase do jogo onde o futebol era pouco e o Porto estava cada vez mais perto da vitória.

Pouco após esta alteração do Benfica, Sérgio Conceição refrescou as suas opções atacantes e critativas, trocando Zé Luís e Romário Baró, duas das figuras de destaque da partida, por Soares e Otávio. No fundo, eram duas trocas quase diretas, injetando energia e frescura a um Porto confortável a defender e deixar o jogo passar.

No minuto 79, o técnico encarnado jogou a sua última cartada, arriscando o máximo possível e retirou o seu último médio defensivo, colocando o ponta de lança brasileiro Carlos Vinícius no lugar de Florentino Luis. Em resposta, no lado do Porto saiu Luís Díaz, dando lugar a Manafá, novamente acrescentando energia à pressão do Porto para os últimos instantes da partida.

Um Benfica frustrado e com dificuldade em criar oportunidades esbarrou várias vezes na solidez defensiva de Marcano e Pepe, que fizeram uma partida muito consistente e segura, com o central português sempre no limite da agressividade que as leis do jogo permitem, como é de costume no seu estilo de jogo.

Houve algum crescimento na fase final do jogo por parte do clube encarnado, no entanto as ocasiões de perigo foram praticamente nulas, com um Porto muito confortável e dominante, tendo uma grande chance por intermédio de Marega, com o isolamento do avançado maliano perante Vlachodimos, falhando uma grande ocasião.

Porém, o Benfica viu-se com mais dificuldades após a lesão de Chuiquinho, ficando reduzido a dez e o segundo golo do Porto, com um lance aproveitado rapidamente por Marega, graças a uma bola em profundidade de Otávio que colocou o avançado do Porto novamente perante o guarda redes grego, não falhando à segunda vez.

A partida estava sentenciada, com o Benfica a tentar recuperar algo de um jogo que não tinha nada mais para lhe dar, mesmo conseguindo um golo através de Seferovic, que foi posteriormente invalidado por fora de jogo.

O Porto acabou a partida a circular a bola tranquilamente e a reequilibrar as contas entre os dois rivais na corrida para o título, com seis pontos para ambas as equipas à passagem da terceira jornada, ficando na expetativa para o resultado do Sporting que tem agora a oportunidade de ficar à frente de ambos os clubes na tabela classificativa.

 

 

José Horta

Não nasci a gostar de futebol, mas quando comecei nunca mais quis outra coisa. Algarvio de nascença mas adepto do futebol para além daquele que se joga na praia. Sempre atento aos contornos e novidades do "Desporto Rei", "Beautiful Game" ou lhe quiserem chamar. Aluno universitário de Ciências da Comunicação na FCSH.

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