João Mário e a ida para Moscovo: “Estamos no ano do Europeu, tenho de jogar”

A mudança de ares por parte do antigo jogador do Sporting foi vista com alguma surpresa pelos que seguem a sua carreira. João Mário revelou, em entrevista ao jornal O Jogo, as razões que o levaram a aceitar a proposta do Lokomotiv, a vida difícil em Itália e a pouca vontade em regressar a Portugal.

Rússia, o novo placo

“Apresentaram-me o projeto alguns dias antes, a mensagem que me passaram é que gostavam muito de mim, que iria jogar e ponderei muito, porque estamos no ano do Europeu e sabia que precisava de um projeto onde fosse jogar com regularidade. Tinha de jogar”, afirmou o médio português de 26 anos.

Trata-se de uma nova vida, num novo palco, palco esse que servirá para tentar chamar a atenção de Fernando Santos. Mas será um problema o facto de se tratar do campeonato russo e de não ter tanta visibilidade? “Não acredito. Se repararem, nesta convocatória da seleção, há jogadores que estão no Olympiacos. O selecionador sabe o que estão a fazer todos os jogadores. Fiz dois jogos no Inter e fui convocado na época passada, acho que se jogar com regularidade, independentemente de estar na Rússia ou não, tenho mais hipóteses e também vou jogar na Liga dos Campeões”, acrescentou João Mário.

Itália, a vida difícil

Num negócio recorde, João Mário transferiu-se do Sporting para o Inter em 2016 por 40 milhões de euros. Três temporadas e 69 jogos depois, qual foi o motivo pela dificuldade em impor-se nos nerazzurris?

“É difícil dar um motivo. Este Inter de hoje é muito diferente do que encontrei quando cheguei. Nota-se agora uma grande exigência, rigor, tem um excelente treinador. Agora, tem tudo o que precisava para dar um passo em frente. Quando vim em 2016, o técnico (Mancini) tinha acabado de sair, depois chegou outro (Frank de Boer) e outro… (Seguiu-se Vechi e depois Pioli). O clube de há três anos não era o que é hoje. Mas cheguei naquele ano, era o que tinha de ser”, atirou o português.

Portugal, fora dos planos

O seu regresso a Portugal (e ao Sporting) foi falado várias vezes. Mas voltar a casa é algo que não se encontra (para já) nos planos de João Mário.

«Honestamente, não queria voltar a Portugal para já. Voltar a casa, ao clube onde cresci, onde já conheço os cantos todos, à minha zona de conforto…Neste momento, não era estimulante para mim. Tentei preparar-me para uma experiência nova. Quando vens para fora, é tudo diferente, é um desafio muito maior», conclui o jogador que agora vai representar o Lokomotiv, por empréstimo do Inter, num acordo que inclui uma opção de compra que deve rondar os 18 milhões de euros.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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