As saudades que já tínhamos | Análise à primeira jornada da Liga dos Campeões

Não existem tostões numa competição de milhões. Existem sim grandes golos, partidas eletrizantes e o nascimento de novas estrelas. Pouco mais carateriza a chamada maior competição do mundo. Voltou e voltou em força.

Comecemos pelos jogos que mais surpreenderam. O primeiro foi exatamente um dos primeiros a inaugurar a nova edição da Champions. O Inter recebeu o Slavia Praga no Guiseppe Meazza e bem, o resultado só é surpresa para quem não viu o jogo. Os checos entraram em campo com atitude de equipa grande e criaram inúmeras oportunidades de golos, mas a ineficácia só colocou uma bola dentro da baliza dos italianos. Podia ter chegado, mas os de Milão num lance cheio de sorte lá empataram. Quem também empatou foram os adversários do Benfica. O Lyon e o Zenit ficaram-se pelo 1-1. Ao menos, um bom resultado para as águias, já que na Luz houve muito pouco de bom. Mas já lá vamos. O Valência foi fazer uma gracinha a Stamford Bridge frente a um Chelsea sem brilho. O ex-Benfica Rodrigo marcou o único golo. O Dortmund só não venceu o Barcelona devido a um muro que se construíu na baliza blaugrana de seu nome Ter Stegen. Destaque também para Fati que se tornou no jogador mais novo a estrear-se pelo Barcelona na Champions. O Salzburg atropelou o Genk num jogo em que Haland (o tal miúdo que marcou 9 golos num jogo internacional) voltou a fazer das suas com um hat-trick. E por fim, no capítulo das surpresas, o campeão europeu Liverpool perdeu na visita a Nápoles. Desde 1994 que um campeão europeu não começava a sua defesa do título com uma derrota (na altura, o Milan). Por outro lado, no ano passado, os ingleses também foram derrotados em Nápoles e todos sabemos o desfecho.

No que toca ao desempenho português, nem tudo foi mau. O Benfica voltou a perder em casa para a Liga dos Campeões frente a um Leipzig com mais argumentos e mais futebol. As coisas ainda podiam ter virado no final da partida, mas o resultado revelou-se inevitável. Não é, de facto, um bom sinal para as águias. Nas últimas cinco vezes que perdeu o jogo de estreia, foi sempre eliminado. Mas o que não falta é tinta para escrever o resto da história. Não temos mais nenhum clube nacional a jogar a Champions, mas temos jogadores e treinadores. Nota positiva a dar ao Olympiakos de Pedro Martins que empatou com o Tottenham depois de estar a perder por dois. Bernardo Silva e João Cancelo participaram na vitória tranquila do City frente ao Shakhtar de Luís Castro. João Félix e Cristiano Ronaldo proporcionaram um duelo quente no Wanda Metropolitano. Nenhum fez o gosto ao pé e as honras acabaram por se repartir com alguma justiça. Acabou por ser o ex-Porto Herrera a decidir o jogo. De contornos mais negativos, só mesmo a exibição de Renato Sanches pelo Lille duramente criticada pela imprensa francesa. Os franceses foram derrotados pelo Ajax, equipa sensação da época passada.

Por último, mas não menos importante, o Bayern passeou frente ao Estrela Vermelha, o Dínamo Zagreb seguiu o mesmo caminho contra o Atalanta, o Brugge e o Gakatsaray anularam-se no segundo jogo sem golos desta jornada, os russos do Lokomotiv venceram fora de portas o Leverkusen (nada bom para a nossa luta do ranking) e o PSG não deu hipótese ao Real Madrid. Este jogo podia estar muito bem no capítulo das surpresas, ainda para mais com a ausência de Neymar, Mbappé e Cavani, mas este Real Madrid… deixa muito a desejar. Será que é desta que os franceses arrancam para a sua primeira Liga dos Campeões?

Próximos episódios estão marcados para 1 e 2 de outubro. A não perder!

Fonta da imagem: Getty Images

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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