França 1-1 Rep. Irlanda- A infame mão de Henry

Na rúbrica “Históricos” desta semana recuamos cerca de 10 anos no tempo para recordar um dos jogos mais polémicos de que há memória, marcado pela “Mão de Henry”.

Estávamos em Novembro de 2009. Os playoffs de acesso ao Mundial da África do Sul caminhavam para a segunda mão e enquanto a seleção de todos nós batia a Bósnia Herzegovina sem grandes dificuldades, em França o impensável esteve muito perto de acontecer.

De um lado tínhamos a poderosa seleção francesa. Na altura, vice-campeã do mundo em título mas já em claro declínio. No Euro 2008 não conseguiram sequer ultrapassar a fase de grupos e ficaram atrás da Sérvia no grupo de qualificação para o Mundial. Porém, o favoritismo dos franceses era inegável frente a uma seleção irlandesa que por apenas três vezes tinha estado presente em fases finais de mundiais.

Depois de uma vitória na Irlanda por 0-1 com um golo de Anelka, a seleção francesa tinha tudo a seu favor para conseguir uma passagem tranquila no jogo da segunda mão, em casa. No entanto, a qualificação gaulesa esteve muito longe de ser tranquila e certamente que grande parte dos 80 mil espetadores presentes no Stade de France chegaram a temer o pior.

A precisar apenas de um empate, a seleção liderada por Raymond Domenech passou por muitas dificuldades para consegui-lo. Os irlandeses, treinados por Trapattoni, entraram em campo com o objetivo de fazer história e surpreender o mundo do futebol e estiveram perto de o fazer.

Aos 33 minutos, Robbie Keane empatou a eliminatória e gelou o Stade de France. O sonho irlandês estava vivo e os franceses iam precisar de dar ao pedal para conseguir garantir a sua presença na África do Sul.

Num jogo muito disputado, o resultado manteve-se até aos 90 minutos e seriam precisos mais 30 para alguém sair vencedor deste embate. Aos 103 minutos, deu-se um momento que ficou na história do futebol como uma das maiores polémicas de que há memória.

Malouda bateu um livre na zona do meio-campo, a defensiva irlandesa não conseguiu afastar, Thierry Henry dominou a bola com a sua mão esquerda e assitiu William Gallas para aquele que seria o tento da vitória francesa. O Stade de France explodiu de alegria, enquanto que os irlandeses protestavam desesperadamente com o árbitro sueco Martin Hanson, que validou o golo.

A desilusão e sentimento de injustiça dos irlandeses foi notório.

Os homens de Trapattoni não conseguiram reagir e acabariam mesmo por sair derrotados, naquela que foi a derrota mais dura da história do futebol irlandês. A federação e o próprio governo do país protestaram veemente nos dias a seguir à partida, pedindo a anulação da partida, mas seriam mesmo os franceses a estar presentes no Mundial de 2010.

A França acabou por fazer uma campanha miserável, sendo eliminada na fase de grupos e a Irlanda, até hoje, ainda não voltou a conseguir qualificar-se para um campeonato do mundo.

 

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.

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