Benfica continua vivo na Champions depois de vitória sofrida sobre o Lyon

Depois de duas derrotas nas duas primeiras jornadas, o Benfica entrou para o jogo com o Lyon obrigado a vencer para manter a esperança na passagem aos oitavos de final.

Horas antes, o Leipzig havia vencido o Zenit e estava isolado no primeiro lugar do grupo. O Lyon chegava ao Estádio da Luz atravessando um mau momento e nos últimos 10 jogos contava com apenas uma vitória. Esta era apenas a segunda partida de Rudi Garcia depois de assumir o comando da equipa. Não havia desculpas para o Benfica e também não havia mais chances para os encarnados manterem em aberto a discussão pela continuidade na Europa.

Bruno Lage voltou a surpreender e lançou Cervi e Gedson Fernandes de início. Rafa também recuperou de lesão e regressou à titularidade nos encarnados. E em boa hora… Foi mesmo Rafa que inaugurou o marcador logo aos 4 minutos, confirmando uma entrada forte do Benfica. O extremo português aproveitou uma movimentação interior de Cervi e apareceu solto já dentro da área, atirando rasteiro para bater Anthony Lopes. Uma das novidades que Bruno Lage apresentou foi mesmo o posicionamento de Rafa, junto de Seferovic, com Gedson encostado à linha.

Esta estratégia deu frutos no início de jogo com um Benfica a dominar como ainda não tinha feito em nenhum dos outros jogos da Liga dos Campeões na presente temporada. Por volta dos 10′, uma entrada muito dura de Marcelo deixa Seferovic muito queixoso. O defesa apenas viu amarelo, mas o suíço não voltou a recuperar totalmente durante o tempo em que esteve em campo.

Quem também não recuperou foi Rafa. O autor do golo encarnado ressentiu-se da lesão no adutor esquerdo e acabou por ser substituído por Pizzi, à passagem dos 20′. Esta substituição foi um marco no jogo, já que Rafa estava a ser o melhor elemento das águias. Com a entrada de Pizzi, Gedson passou a ocupar a posição de Rafa, com Pizzi mais sobre a direita.

Aos poucos, o Lyon ia crescendo no jogo, tendência que se manteve durante toda a primeira parte. Depois do golo, o Benfica voltou a ter duas oportunidades por parte de Seferovic, mas o Lyon tornava-se mais perigoso e, perto da meia hora de jogo, Cornet no coração da área, só não fez golo devido a um corte providencial de Grimaldo.

A segunda parte não alterou as dinâmicas que vinham da primeira parte. O jogo foi sempre muito físico e com disputas agressivas e o Benfica não estava confortável na partida, apesar de o Lyon também se mostrar incapaz de ser uma equipa dominadora por largos períodos. Aos 59′, surgiu a segunda contrariedade para o Benfica. Seferovic não recuperou da entrada dura que sofreu no início do jogo e teve mesmo de ser substituído por Vinícius.

Pouco antes, Rudi Garcia tinha mexido pela primeira vez, lançando Thiago Mendes para o lugar de Terrier. Por esta altura o Lyon estava já claramente por cima do jogo e começava a ameaçar a baliza de Vlachodimos. O Benfica já pouco conseguia ter bola, com as saídas muito limitadas pela equipa francesa.

Aos 64′ minutos foi novamente Cornet a ameaçar o Benfica, com um remate desviado por Ferro a tocar ainda na barra. Cinco minutos depois, os franceses não falharam e fizeram o golo que já ameaçavam há vários minutos. Dubois cruzou sobre a direita e o holandês Memphis Depay apareceu sozinho nas costas de Tomás Tavares, não falhando perante Vlachodimos.

Nos minutos que se seguiram o Benfica não conseguiu responder de imediato, com o Lyon a estar mais perto do segundo golo. O empate não servia ao Benfica e Lage teve de arriscar. Aos 77′ Raúl De Tomas entrou para o lugar de um desinspirado Cervi. Pizzi passou a jogar sobre a esquerda e Gedson voltou à direita, mas nem por isso o Benfica melhorou. Durante 40 minutos da segunda parte a equipa não fez um remate à baliza, além de não conseguir ter bola. Até aos 80′, o Lyon tinha 10 oportunidades contra quatro do Benfica. Todas essas quatro foram na primeira parte.

Tudo isto mudou aos 85′. Depois de ter sido invisível durante todo o jogo, Pizzi finalmente conseguiu criar algo e, fora da área, atirou forte ao poste esquerdo da baliza do Lyon. Um minuto depois, aconteceu o momento chave do jogo e, seguramente, um dos lances mais caricatos da época: Anthony Lopes tentou sair a jogar rápido, lançando a bola com a mão para Thiago Mendes. Pizzi estava atento e antecipou-se, rematando de primeira para a baliza deserta dos franceses. Lance digno dos apanhados, que acabou por definir o resultado do jogo, embora contra a corrente do mesmo.

Até ao fim, a Luz empolgou-se e coube ao Benfica saber sofrer. O Lyon tentou o empate, já em desespero, mas os encarnados conseguiram aguentar os três pontos conquistados com a preciosa ajuda de Anthony Lopes.

No final, a equipa portuguesa festejou e respirou de alívio, depois de um jogo difícil. No entanto, a situação continua difícil com o Benfica a ocupar a última posição do grupo. Depois desta vitória e da derrota do Zenit, as águias já só estão a um ponto de russos e franceses. Os próximos jogos serão decisivos para o destino do Benfica, que, daqui a duas semanas, vai a França com a necessidade de pontuar para continuar na luta. Sem mais margem de erro.

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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