Históricos: Sporting 1-0 Manchester City

Na rúbrica “Históricos” desta semana, recordamos um jogo que ficou marcado pela maldade de Xandão, que resultou numa das maiores vitórias europeias da história do Sporting CP.

Estávamos em 2012, o campeonato já era uma miragem para os leões e a Liga Europa era a única competição que ainda deixava os adeptos entusiasmados. Quando o sorteio ditou que, nos oitavos de final da competição, o adversário seria o todo-poderoso Manchester City, seriam poucos aqueles que acreditavam.

A viver um dos períodos mais conturbados da sua história, a todos os níveis, o desfecho mais provável seria a eliminação aos pés dos gigantes ingleses. Os citizens tinham eliminado o Porto, campeão em título da competição, na ronda anterior, vencendo por uns estrondosos 6-1. Estrelas do futebol mundial como Aguero, David Silva e Edin Dzeko (que na altura proferiu palavras bem polémicas em relação à formação de Alvalade) eram aquilo com que o Sporting teria de lidar, caso quisesse manter o sonho vivo.

A primeira mão disputou-se em Alvalade. Desde cedo na partida que se notou algum excesso de confiança por parte dos jogadores ingleses. A goleada frente aos campeões portugueses na ronda anterior fazia prever mais uma vitória tranquila para a equipa de Mancini, mas não foi, de todo, o que aconteceu.

A primeira parte teve poucos motivos de interesse. As defesas estiveram bem melhores do que os ataques e a única oportunidade flagrante pertenceu a Gareth Barry que, por volta do minuto 25, rematou à entrada da área e a bola passou a centímetros do poste da baliza de Rui Patrício.

Chegámos ao intervalo com uma igualdade a zero e as hostes leoninas estavam satisfeitas com a capacidade de resposta dos seus jogadores frente ao pior adversário que podia ter calhado. Ainda mais satisfeitas ficaram quando, no minuto 50, Xandão colocou os leões em vantagem, de calcanhar. Livre de Matías Fernandez, defesa de Joe Hart, que depois ainda impediu o golo na primeira recarga do central brasileiro, mas a segunda, de calcanhar, acabou mesmo por entrar.

Estavam jogados cinco minutos do segundo tempo e os comandados de Ricardo Sá Pinto encontravam-se em vantagem. O golo apanhou o City desprevenido e, passados 10 minutos, o segundo golo podia ter surgido através de Wolfswinkel. Joe Hart impediu o descalabro total e manteve a sua equipa dentro da partida.

O jogo parecia controlado, os ingleses estavam com dificuldades e Rui Patrício raramente estava a ser incomodado. Com a entrada de Balotelli, os citizens começaram a criar mais perigo. Poucos momentos depois de entrar, grande jogada do italiano que, tirou os adversários da frente e cruzou para David Silva, que falhou o alvo por poucos centímetros.

Aos 86 minutos, mais uma vez “Super Mario” a causar calafrios com um cabeceamento que sobrevoou Patrício e que só foi parado pela barra. O impensável estava perto de acontecer. O Sporting estava a minutos de provocar um dos maiores “upset’s” da jornada e rumar a Inglaterra com vantagem na eliminatória. A confirmação da vitória veio quando, no último minuto, Aguero rematou e Xandão, mais uma vez, foi herói e bloqueou o remate do argentino.

O jogo chegou ao fim com vitória do Sporting. Na segunda mão, a equipa de Alvalade perdeu por 3-2 no Etihad, garantido a passagem à próxima fase pelos golos fora. Uma das maiores vitórias europeias da história do clube sportinguista, num ano em que o sonho só terminou nas meias-finais, pelas mãos de Fernando Llorente e do Atlethic de Bilbau.

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.