Históricos: O dia em que as águias venceram a Vecchia Signora

No “Históricos” desta semana, recordamos uma das melhores noites de futebol europeu para o Benfica nos últimos anos.

O ano era 2014 e jogavam-se as meias-finais da Liga Europa. O sorteio ditou que cabia ao Benfica de Jorge Jesus defrontar o colosso italiano. Ambas as equipas fizeram o mesmo trajeto até chegar a esta fase da competição, ou seja, ficaram em terceiro lugar nos seus grupos da Liga dos Campeões e venceram as suas eliminatórias na Liga Europa, tendo o Benfica deixado para trás PAOK, Tottenham e AZ Alkmaar enquanto que a Juventus derrotou Trabzonspor, Fiorentina e Lyon. Domesticamente, também as duas equipas se encontravam em condição semelhante, liderando as respetivas ligas que acabariam por ganhar.

A equipa então orientada por Antonio Conte era claramente favorita a vencer não só a eliminatória, como a competição uma vez que tinha um plantel com mais qualidade que o do Benfica, Valência e Sevilha, (outras duas equipas ainda na prova) contando com nomes como Buffon, Chiellini, Bonucci, Pogba, Vidal, Pirlo ou Tevez.

Na antevisão à eliminatória, Pirlo afirmou: “O que é que penso do Benfica? Bem, para terem chegado até esta fase é porque têm sido realmente muito bons. Estão a fazer uma grande temporada e são uma equipa muito boa tecnicamente… E que lamento muito por eles”. Também o espanhol Fernando Llorente estava bastante confiante, escrevendo nas redes sociais: “Acabei de ver o sorteio. Eu gostaria de jogar em Espanha, mas vamos jogar a final contra uma equipa espanhola! Força Juve!”

A equipa inicial escolhida por Jorge Jesus foi a seguinte: Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Siqueira, Enzo Pérez, André Gomes, Sulejmani, Markovic, Cardozo e Rodrigo.

Já os onze titulares de Antonio Conte foram: Buffon, Lichtsteiner, Chiellini, Martín Cáceres, Bonucci, Asamoah, Pirlo, Pogba, Marchisio, Mirko Vučinić e Carlos Tévez.

A partida não podia ter começado melhor para os encarnados. Logo aos dois minutos de jogo, Garay inaugurou o marcador com um cabeceamento certeiro, correspondendo a um canto batido por Sulejmani. Pouco tempo depois, Markovic serviu o seu colega sérvio na grande área que, contudo, não conseguiu ampliar a vantagem da equipa da casa, errando o alvo.

Com o passar do tempo, os italianos começaram a crescer na partida e a criar perigo, nomeadamente por “Carlitos” Tevez em duas diferentes ocasiões, ambas travadas com segurança por Artur. Ainda assim, a vantagem das águias manteve-se até ao intervalo, com Markovic a protagonizar a última ameaça do primeiro tempo.

A segunda parte começou com a mesma tendência com que a primeira acabou, ou seja, com a vecchia signora a correr atrás do prejuízo e a criar perigo. Aos 55 minutos, só uma enorme defesa do guardião brasileiro impediu que Pogba empatasse a partida de cabeça e, dez minutos depois, foi Maxi Pereira a tirar o pão da boca de Marchisio com um corte decisivo.

No entanto, os italianos conseguiram mesmo chegar ao golo à passagem do minuto 73. Asamoah passou rasteiro para Tevez que, com uma grande simulação, tirou Luisão e Maxi Pereira do caminho antes de finalizar por entre as pernas de Artur.

A vantagem da Juventus durou pouco mais de dez minutos. Jorge Jesus colocou em campo Lima e Ivan Cavaleiro e foram mesmo estes os jogadores que acabaram por ter influência direta no golo da vitória. Enzo Pérez efetuou um passe para a entrada da área, o extremo português deixou a bola passar com uma simulação enganando a defesa e libertando espaço para o avançado brasileiro desferir um remate potente para o fundo das redes de Buffon no minuto 84.

Os últimos instantes foram repletos de oportunidades de golo. Logo depois do tento, Markovic rematou a rasar o poste direito. Posteriormente, Marchisio teve duas grandes ocasiões de seguida, ambas defendidas com grandes intervenções de Artur, que foi um dos melhores em campo. Ao cair do pano, Chiellini surgiu isolado na área mas rematou muito ao lado.

Esta vitória, em conjunto com um empate a zero em Turim na segunda mão, acabou por significar a passagem do Benfica para a final da Liga Europa e consequente eliminação do emblema italiano, forçando Pirlo a admitir: “Não podemos distrair-nos e não devemos subestimar ninguém nas competições europeias. A lição da meia-final foi exemplar: temos de estar sempre concentrados.”

 

Fonte da Imagem: Getty Images

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.