De deslize em deslize águias vão perdendo o carrossel do campeonato

O Benfica foi ao Estádio do Bonfim empatar com o Vitória de Setúbal a uma bola e continuar o seu mau momento de forma. Este empate pode deixar as águias ainda mais longe da liderança em caso de vitória do FC Porto. Os golos foram apontados por Pizzi, de grande penalidade, e Carlinhos.

Na ressaca do empate com o Moreirense, que ditou a perda do primeiro lugar para o FC Porto, o Benfica foi a Setúbal com o objetivo de regressar às vitórias e assim colocar pressão sobre os dragões.

Bruno Lage escolheu deixar no banco Rafa e Weigl, surpreendendo logo à partida. O Benfica lançou assim Odysseas, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, GrimaldoSamarisTaarabtPizziCerviChiquinho e Vinícius.

Por sua vez Júlio Velásquez apostou no 11 habitual e iniciou a partida com Makaridze, Sílvio, Jubal Júnior, Artur Jorge, André Sousa, Semedo, Nuno Valente, Carlinhos, MansillaGhilas e Zequinha.

Perante a má forma apresentada nas semanas anteriores, o técnico das águias procurava agora voltar a bom porto e mexeu na equipa, retirando dois habituais titulares e dando mais músculo ao meio-campo das águias.

Apesar de ter mais gente no centro do campo e ir controlando a posse da bola, os encarnados não demonstravam grande originalidade e assertividade no último terço do terreno, como ficou provado pela falta de oportunidades flagrantes de golo nos primeiros minutos.

Do lado do Setúbal, os da casa iam fazendo o seu jogo e esperavam por uma abertura encarnada para sair no contra-ataque rápido. Ao minuto 26, após um cruzamento da esquerda, Zequinha surgiu na área e a bola passou rente ao poste de Vlachodimos. Ficou o aviso.

Logo a seguir, Taarabt encontrou Chiquinho no meio dos centrais e o médio ofensivo surgiu na cara de Makaridze. No um para um foi o guardião georgiano a levar a melhor – ele que há cerca de uma semana afirmou que prefiria vencer o Benfica e perder todos os restantes jogos do que o contrário e que já por duas vezes foi apontado às águias.

Apesar deste frente a frente, a desinspiração encarnada continuava e o Benfica por várias vezes tentava jogar de forma mais direta, procurando espaço nas costas da defesniva setubalense, sem resultado no entanto.

Ao minuto 40, foi a vez de Pizzi finalmente aparecer na partida e, na sequência de um canto, o médio rematou cheio de intenção à malha lateral da baliza de Makaridze. Esta foi a primeira vez que se notou a presença do internacional português, que tem estado em baixo de forma e se tem notado a sua menor influência na manobra ofensiva das águias.

Findada a primeira parte, foi evidente a falta de clareza ofensiva de parte a parte, com especial ênfase no lado da turma de Bruno Lage. Prova disso foi que apenas por uma vez um remate foi à baliza, por parte de Samaris, na sequência de um canto, e já aos 45+1. O jogo mostrava precisar de ser mexido e o técnico encarnado algo teria que mudar se quisesse mexer na manobra ofensiva e, consequentemente, no resultado.

Os segundos 45 minutos começaram e não podia ter sido pior para o Benfica. COm apenas 50 segundos jogados, após uma boa jogada coletiva, Sílvio encontrou Carlinhos no coração da área e o brasileiro não perdoou frente a Vlachodimos. 1-0 para os sadinos.

Apenas dois minutos depois houve lance controvérsio na área do VItória. Canto batido na direita ofensiva do Benfica e dentro da pequena área Rúben Dias levou uma cotovelada não intencional de Semedo. O árbitro João Pedro Pinheiro analisou o lance no VAR e assinalou grande penalidade para os visitantes. Aí foi Pizzi a ser chamado a bater e o médio não perdoou, depois de ter falhado dois penaltis contra o Moreirense. 1-1 em Setúbal, grande início de segunda parte com dois golos em seis minutos.

Apenas foram necessários mais cinco minutos para as águias voltarem a marcar, ou pelo menos era o que se pensava. Adel Taarabt arrancou, passou por um, dois, três e cruzou rasteiro para o coração da área onde surgiu Carlos Vínicius a encostar para o golo. Contudo, o avançado brasileiro estava em fora-de-jogo e o lance foi prontamente anulado.

Por esta altura Bruno Lage fez entrar Rafa para o lugar de Chiquinho, que teve uma exibição muito apagada, com o intuito de virar o marcador e aproveitar o ímpeto do golo de Pizzi.

Ao minuto 70 Bruno Lage esgotou as suas substituições e fez entrar Dyego Sousa e Weigl para os lugares de Samaris, que já tinha amarelo, e Cervi. Era o tudo ou nada e logo no minuto o avançado luso-brasileiro cruzou rasteiro para o coração da área, onde surgiu Pizzi que atirou por cima.

Quatro minutos depois desta dupla mexida, o juiz da partida voltou a assinalar grande penalidade para o Benfica. Grimaldo cavalgou por largos metros e rematou já dentro da área, mas a bola foi diretamente contra o braço de Artur Jorge, que estava bastante afastado do corpo. Pizzi foi novamente chamado a bater, mas desta vez acabou por falhar a baliza. Terceiro penalti falhado por Pizzi nos últimos dois jogos.

Aos 80 minutos, depois de uma boa combinação na frente de ataque, Tomás Tavares surgiu na linha e cruzou rasteiro para a entrada da área. Grimaldo rematou e permitiu a Makaridze fazer uma grande defesa.

Nos 15 minutos que se seguiram, com os cinco de compensação dados pelo árbitro, o Benfica bem tentou apertar o Vitória de Setúbal, mas nada mais conseguiu que alguns sustos e acabou mesmo por empatar no final do tempo regulamentar.

Novo deslize das águias que continuam sem ganhar e a desperdiçar pontos no campeonato, dando a oportunidade do FC Porto se colocar a três pontos de distância em caso de vitória frente ao Rio Ave, este sábado.

 

Fonte da Imagem: Getty Images

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.