10 revelações da época 2019/20 (até agora)

Enquanto não temos futebol para apreciar e a época se encontra em suspenso indefinitivamente, olhemos para trás aos vários meses de competição que já decorreram e os seus vários intervenientes, apreciando algumas daquelas que têm sido as revelações da época até agora.

Tive em consideração o nível a que estes jogadores encerraram a época anterior aliando aquilo que seria esperado dos mesmos (moderadamente) face à época atual. Alguns são novas contratações, outros subiram na hierarquia dentro do mesmo plantel.

Certamente não estão aqui todos os atletas que nos surpreenderam em 2019/20 portanto pedimos também aos leitores para que acrescentem nos comentários quem merecia fazer parte da lista!

  1. Erling Haaland – O jovem ponta de lança norueguês é inquestionavelmente a maior surpresa da temporada, começando no RB Salzburg, entrando gradualmente na equipa principal. O mundo conheceu o seu nome quando marcou um hattrick diante do Genk no seu primeiro jogo na Liga dos Campeões e se tornou o segundo melhor marcador após a fase de grupos. Em janeiro, o Dortmund não perdeu a oportunidade de o contratar a troco de o contratar por 20 milhões, encaixando-se como uma luva na Alemanha. Um hattrick na estreia após 23 minutos em campo saído do banco, o prémio de jogador do mês de janeiro da Bundesliga e um bis diante do Paris Saint Germain na Liga dos Campeões. Em julho, o avançado celebrará o seu 20º aniversário.
  2. Bukayo Saka – O jovem ala inglês estreou-se pelo Arsenal na época anterior, mas só começou a ser uma opção regular este ano. Inicialmente impressionou os adeptos com as suas prestações entusiasmantes a partir dos extremos, um polivalente que tanto atuava pela esquerda como pela direita, que contribuiu para seis golos na fase de grupos da Liga Europa (dois marcados e quatro assistidos). De extremo suplente, ocasionalmente titular no campeonato, Saka desceu no campo para a posição de lateral esquerdo, por necessidade do segundo treinador do Arsenal esta temporada, Mikel Arteta. Os gunners não podiam contar com os seus laterais regulares por lesão e o jovem esteve à altura. Em 2019/20 conta com 18 utilizações na Premier League e tem sido um dos melhores jogadores do Arsenal.
  3. Lorenzo Pellegrini – Um dos melhores da AS Roma esta temporada, possivelmente o melhor mesmo, Pellegrini excedeu as expetativas já altas que o próprio vinha a definir para si próprio após épocas consecutivamente boas nos últimos anos. Porém, sob o comando de Paulo Fonseca, num papel mais ofensivo do que desempenhava anteriormente, o médio tem florescido. Pellegrini é a unidade de apoio ao ponta de lança, o médio ofensivo num 4-2-3-1 muito bem articulado, fazendo a ligação entre o segundo e o último terço com classe. Conta com 18 jogos na Serie A, todos a titular, envolvido diretamente em nove golos (um marcado e oito assistidos). Acrescenta-se dois golos marcados nos dois jogos disputados na Taça Italiana e duas assisstências nos quatro jogos da Liga Europa e vemos a influência preponderante que o italiano tem ganho na equipa de Paulo Fonseca. A boa forma pelo clube colocou-o diretamente no onze titular da seleção italiana, onde a concorrência para o miolo do meio-campo é elevadíssima.
  4. Francisco Trincão – O “menino-prodígio” do SC Braga é um nome mais que justificado para colocar nesta lista, de tal forma que tem as malas feitas para a Catalunha assim que a temporada acabar, contratado no mercado de janeiro pelo FC Barcelona por 30 milhões, cedido aos minhotos até ao fim da temporada. Gradualmente, Trincão ia conquistando a atenção dos admiradores portugueses de futebol com as suas prestações pelas várias camadas jovens portuguesas , cinco golos em cinco jogos no Euro sub-19 (2018) e um golo em três jogos no mundial de sub-20 (2019). Na época passada estreou-se na equipa principal pelo Braga, conquistando este ano o seu lugar definitivo no plantel principal, e tem sido uma jóia de se ver. Em números, Trincão tem seis jogos na Liga Europa, três a titular com um golo e duas assistências; no campeonato, o extremo tem 17 jogos (apenas sete a titular) e contribuiu para nove golos (seis marcados e três assistidos). Os seus pés falam uma língua universal que qualquer adepto de futebol tem gosto em entender e destinam-se grandes coisas para este jovem português.
  5. Adama Traoré – Um dos jogadores mais influentes da Premier League atualmente, Adama Traoré chegou a níveis inéditos na sua carreira esta temporada, com jogos incríveis repletos de dribbles alucinantes e arrancadas imparáveis pelo flanco direito. Um extremo diferente do estereótipo “muita técnica, pouco físico”, Tratoré tem muito, muito físico (basta ver uma fotografia, é impressionante), ultrapassando os seus adversários na velocidade e na força, aliando um ótimo controlo de bola aos seus movimentos. Um desequilibrador vital ao esquema tático do Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, o ex-Barcelona é o dono e senhor do lado direito do ataque, após ser titular esporadicamente na época anterior. Este ano, o espanhol tem 28 jogos na Premier League, com 11 contribuições para golo e outros dois marcados em oito jogos na Liga Europa. Traoré é uma ajuda tremenda também a defender pela sua intensidade, é capaz de jogar como o extremo direito ou ala mais recuado no 3-4-3 dos wolves, dinamizando sempre o flanco inteiro, para bom proveito de uma equipa que beneficia imenso das transições velozes.
  6. Wissam Ben Yedder – O ponta de lança francês tem um currículo conhecido e respeitado no futebol europeu, não me interpretem mal, mas o trabalho que tem feito pelo AS Monaco é impressionante, especialmente considerando as fragilidades que o clube tem apresentado nos últimos anos e na fase inicial deste campeonato. O clube do principado está neste momento a um ponto da quinta posição na tabela classificativa e deve-o em grande parte a um homem, Ben Yedder. Contratado no passado verão por 40 milhões, a reputação do francês precede-o. Épocas consecutivas a marcar e assitir imensos golos pelo Sevilha definiram o jogador com um dos melhores a atuar no campeonato espanhol fora dos colossos do topo (o ano passado contribuiu para 27 golos em 35 jogos). Contudo, a equipa do Monaco tem passado grandes dificuldades desde a conquista da Ligue 1 em 2017, namoriscando com a despromoção na época anterior e continuando essa mesma forma para a atual. A equipa melhorou significativamente com a chegada de Robert Moreno ao comando do clube, contudo, o ponta de lança francês foi o “abono de família” inúmeras vezes durante os piores períodos, contando com 22 contribuições para golo (18 marcados e quatro assistidos) em 26 jogos na Ligue 1, é o melhor marcador juntamente com Kylian Mbappé.
  7. Daniel James – Certamente ninguém esperaria que um jovem extremo vindo do Swansea no Championship chegaria ao Manchester United e tornar-se-ia um titular no espaço de meses dos red devils. É precisamente o caso do jovem galês Daniel James, contratado por 17 milhões no passado mercado de verão, com alguns pormenores entusiasmantes, 11 contribuições de golo em 33 jogos no Championship, com perfil para ser uma aposta de futuro para a equipa de Solskjaer. As coisas acabaram por acontecer talvez mais depressa do que o jovem James antecipava, mas em grande parte por mérito do próprio. Algumas lesões aos homens da frente abriram espaço para o extremo, mas a sua velocidade impressionante, ética de trabalho e capacidade de dribble colocaram-no no onze titular durante a maioria da temporada. Conta com 27 jogos na Premier League e nove contribuições para golo, mais quatro participações na Liga Europa com um golo marcado. James tem sido uma arma de grande versatilidade para o técnico norueguês, lançando o extremo pelo flanco direito ou esquerdo, tal na zona central do ataque (uma espécie de avançado móvel) pela falta de opções que os ingleses têm nesse sector. Um jogador incansável que certamente continuará a trazer muitas alegrias aos adeptos no “Teatro dos Sonhos”.
  8. Carlos Vinícius – As narrativas dos pontas de lança do Benfica esta época são todas completamente diferentes e “hierarquia” da titularidade já rodou de tal maneira que a sonante contratação Raul de Tomás já não está no clube. Contudo a mais interessante será sem dúvida a de Carlos Vinícius. Os 17 milhões colocaram muitas questões em torno do valor de um avançado cujas transferências anteriores eram todas a custo zero, com o melhor marcador da Liga na época anterior e o promissor espanhol à sua frente nas escolhas do ataque. Eis que Vinícius surpreende os mais desconfiados das suas capacidades com um registo alucinante de golos /minutos nas suas primeiras utilizações, muitas a partir do banco, e conquista a titularidade inegável considerando a sua excelente forma. A sua velocidade, astúcia no último terço e frieza diante da baliza lançaram-no para o topo da lista dos marcadores da Liga NOS, com 15 golos marcados (e quatro assistências). O investimento mais que justificou-se, de tal modo que várias notícias saíram em janeiro de que os encarnados tinham recebido propostas até aos 50 milhões pelo ponta de lança, rejeitando-as, caso tivessem acontecido.
  9. Alphonso Davies – O  jovem canadiano vindo da MLS chegou ao Bayern Munique na época passada por nove milhões no mercado de janeiro, após uma época impressionante ao serviço dos Vancouver Whitecaps. Na meia temporada passada teve poucas oportunidades pelos bávaros, apenas seis jogos no campeonato e nenhum deles foi titular. Davies iniciou a sua carreira como um extremo atacante, proficiente com os dois pés e extremamente veloz. Contudo, na temporada atual, o Bayern teve que ajustar a sua defesa pelas lesões prolongadas de Lucas Hernández e Niklas Süle, adaptando David Alaba à posição de central e o jovem Davies a lateral esquerdo. Foi um encaixe perfeito. O canadiano de 19 anos agarrou a posição como se fosse sua de origem e tem sido uma mais-valia numa das melhores equipas da Europa. Cinco contribuições para golo em 21 jogos na Bundesliga e duas assistências em quatro jogos na Liga dos Campeões ilustram a excelente época do lateral. A sua capacidade física, extremamente veloz e ostenta 1,81m, aliadas ao seu dribble fantasioso e um cruamento tenso e certeiro colocam-no entre os melhores laterais da Europa no momento.
  10. Martin Odegaard – Lembra-se de quando este jovem norueguês era a figura de maior atenção no futebol mundial pelos seus feitos serviço da equipa sénior do Stromsgodset aos 15 anos, que o colocavam na mira de todos os clubes da Europa que estivessem dispostos à corrida para a sua contratação? O Real Madrid foi o eleito, e após cinco anos intermitentes entre a equipa B,  e empréstimos na Holanda, Odegaard chega à Real Sociedad num empréstimo de dois anos, após uma época de grande nível no Vitesse, o seu segundo empréstimo. Os adeptos mais atentos saberiam que o jogador estava a voltar ao seu melhor nível e a caminhar a passos largos para cumprir o seu enorme potencial, mas após o excesso de atenção que teve em 2015 quando chegou a Madrid, dificilmente o mundo do futebol se recordava do jogador que poderia ser. Eis que Odegaard se apresenta ao mundo de novo no grande palco do campeonato espanhol. Com 23 jogos na LaLiga e nove contribuições para golo, Odegaard era um jogador diferente do jovem pelo qual era conhecido. Mais recuado no campo e mais contido no drible, o norueguês era o “maestro” do meio-campo basco e transpirava classe a cada toque com a bola. Na Copa del Rey, a Real Sociedad está na final e Odegaard tem sido um dos melhores da prova com três golos e três assistências em seis jogos, incluíndo um golo no Santiago Bernábeu, quando a sua antiga equipa foi derrotada em casa por 3-4 diante do conjunto basco. Mais uma época pelo Real Sociedad aguarda o jovem Odegaard, mas aos 21 anos, o atleta tem o mundo aos seus pés e em breve um  merecido lugar entre os “galácticos”.

José Horta

Não nasci a gostar de futebol, mas quando comecei nunca mais quis outra coisa. Algarvio de nascença mas adepto do futebol para além daquele que se joga na praia. Sempre atento aos contornos e novidades do "Desporto Rei", "Beautifull Game" ou lhe quiserem chamar. Aluno universitário de Ciências da Comunicação na FCSH.