Os jogadores que ganharam a Taça Libertadores e a Liga dos Campeões

Como se sabe, a Taça Libertadores e a Liga dos Campeões são os troféus de clubes mais cobiçados da América do Sul e da Europa, respetivamente. Ganhar cada um dos troféus por si só é já uma enorme conquista da qual poucos se podem gabar. Porém existe um grupo ainda mais restrito de jogadores que conseguiram obter as duas medalhas. Descubra quem foram.

 

Juan Pablo Sorín

Para além de ter sido o primeiro jogador de sempre a conseguir juntar estas honras, Juan Pablo Sorín foi também o atleta que conseguiu este feito notável mais cedo na sua carreira e com um menor período de tempo entre as duas conquistas. Sorín foi um lateral-esquerdo argentino que passou por grandes clubes tais como o PSG, o Barcelona, a Lazio, o Villarreal, o Hamburgo ou o Cruzeiro.

No entanto, antes de passar por qualquer um destes clubes, o atleta possuía já um palmarés invejável. Isto porque, logo aos 19 anos (em 1995), foi transferido do Argentinos Juniors para a Juventus. A sua passagem por Turim foi de curta duração e com poucos minutos – entrou em campo por somente quatro ocasiões, uma delas na fase de grupos da liga milionária, e cumpriu apenas meia época no clube – e foi transferido para o River Plate, onde conquistou a Libertadores logo no seu primeiro ano, em 1996. Acontece que, na temporada 1995/96, a Juventus conquistou a Liga dos Campeões e Sorín, apesar de ter abandonado o clube antes da competição terminar, também teve direito à medalha.

Santiago Solari

Antes de ter assumido o comando técnico do Real Madrid em 2018, Santiago Solari registou uma brilhante carreira enquanto jogador. O argentino que atuava habitualmente a médio-esquerdo partilhou balneário com Sorín não só na seleção, como também na equipa do River Plate que se sagrou campeã da América do Sul em 1996 (na altura, também Solari tinha apenas 20 anos). Mais tarde, o atleta partiu para a Europa e lá jogou durante quase dez anos, começando no Atlético Madrid, onde esteve durante ano e meio antes de partir para o seu grande rival da capital e, por fim, cumpriu ainda três épocas no Inter de Milão. Foi na passagem de cinco temporadas pelos merengues que Solari conquistou a Liga dos Campeões, mais precisamente em 2001/02.

Dida

O mítico guarda-redes brasileiro é relembrado por muitos pela sua gloriosa passagem de quase 10 anos no AC Milan. Contudo, o que poucos se devem lembrar é que, no início da sua longa carreira, – esta durou 23 anos, tendo o guardião pendurado as luvas aos 42 anos de idade – ele também conquistou uma Libertadores. Depois de cumprir a sua formação e estreia no futebol profissional no Vitória, Dida transferiu-se para o Cruzeiro, clube que representou durante cinco anos e ao serviço do qual ganhou o troféu máximo de clubes sul americanos em 1997. O “rei dos penaltis” passou ainda por dois empréstimos ao Corinthians antes de se afirmar definitivamente em Milão. Nos rossoneri, o brasileiro conquistou duas Ligas dos Campeões nas temporadas 2002/03 e 2006/07.

 

Roque Júnior

Roque Júnior foi um defesa-central brasileiro. Começou a sua carreira no modesto Santarritense, passando ainda pelo São José antes de chegar ao Palmeiras. A estadia no clube de São Paulo durou cinco anos e o grande destaque desta foi a conquista da Libertadores em 1999. As boas exibições neste emblema foram suficientes para convencer o AC Milan a trazê-lo para a capital da moda em 2000. O jogador cumpriu três épocas ao serviço do colosso italiano, ou seja, fez também parte da equipa que ganhou a mais prestigiada competição de clubes da Europa em 2002/03, à semelhança do seu compatriota Dida. Contudo, e apesar de ainda ter apenas 26 anos na altura desta conquista, esta acabou por ser o último grande destaque da carreira de Roque Júnior, sendo apenas digna de mencionar a sua passagem de três temporadas pelo Bayer Leverkusen.

 

Cafú

Cafú é considerado um dos melhores laterais-direitos de sempre e tem títulos suficientes para sustentar este argumento. O brasileiro fez a sua estreia no futebol sénior pelo São Paulo, onde cumpriu seis temporadas. Ao longo destas, o jogador arrecadou duas Taças Libertadores consecutivas em 1992 e 1993, sendo o único elemento desta lista a ter alcançado esta proeza. Teve uma primeira passagem pela Europa um pouco discreta, ao serviço do Saragoça e, por isso, regressou ao Brasil para representar o Palmeiras durante três épocas, onde foi colega de equipa de Roque Júnior.

No entanto, voltou para a Europa, desta feita para a Roma, dois anos antes da conquista histórica do clube paulista. Cafú jogou durante seis temporadas na capital italiana, ganhando a alcunha de Il Pendolino, ou seja, o comboio expresso, fazendo referência às suas impressionantes subidas pelo terreno. Em 2004, quando tinha já 34 anos, assinou pelo AC Milan e, apesar da sua idade, ainda jogou cinco épocas com o emblema milanês ao peito. Assim sendo, também conquistou a liga milionária em 2006/07, tal como Dida.

 

Carlos Tévez

“Carlitos” Tévez é uma figura incontornável do Boca Juniors. Foi ao serviço deste histórico argentino que o avançado cumpriu grande parte da sua formação, realizou a sua estreia profissional e jogou ao longo dos seus primeiros quatro anos de carreira. Logo na sua segunda época como sénior (2003), Tévez conseguiu conquistar a Taça Libertadores, apontando inclusivamente o golo decisivo na segunda mão da final da competição. Seguiram-se passagens pelo Corinthians e West Ham antes de rumar, a título de empréstimo de dois anos pelo clube londrino, ao Manchester United.

No colosso inglês, o argentino venceu a edição 2007/08 da Liga dos Campeões. Depois de representar o Manchester City e a Juventus e de ter feito as redes adversárias abanar por inúmeras vezes, Tévez voltou ao clube do seu coração em 2015, ou seja, ao Boca Juniors. Atualmente, – apesar de ter estado um ano afastado de Buenos Aires a receber valores astronómicos na China – aos 36 anos de idade, “Carlitos” continua ao serviço dos argentinos.

 

Walter Samuel

Tal como Tévez, também Walter Samuel ganhou a competição de clubes mais prestigiada da América do Sul no Boca Juniors, mas em 2000. Antes de se mudar para Buenos Aires, o defesa-central passou as suas primeiras três épocas como profissional no Newell’s Old Boys, emblema onde foi formado. Com a vitória da Libertadores, chegou ao fim a passagem de três anos pelo Boca, tendo o argentino rumado para a Roma. O jogador exibiu-se a grande nível na capital italiana ao longo de quatro anos, convencendo o Real Madrid a investir na aquisição dos seus serviços. Porém, a direção madrilena não ficou impressionada com o atleta e, por isso, este foi vendido ao Inter de Milão logo na época seguinte. Regressado a Itália, Walter Samuel voltou ao seu melhor e jogou durante nove anos na capital da moda. O grande destaque desta longa estadia vai para a Liga dos Campeões conquistada na temporada 2009/10.

 

Marta

Marta é a única futebolista feminina a ter conseguido alcançar este feito notável. A jogadora por muitos considerada como uma das melhores de sempre começou a sua carreira profissional com apenas 14 anos no CSA, onde atuou durante uma época. Seguiram-se passagens de três e dois anos pelo Vasco da Gama e o Santa Cruz, respetivamente, até que se mudou para o Umea IK da Suécia. Logo na sua primeira temporada no país nórdico, a avançada conseguiu uma medalha de vencedora da Liga dos Campeões. A sua estadia na equipa sueca durou cinco anos, tendo-se mudado de seguida para o Los Angeles Sol, onde apenas esteve durante seis meses, antes de regressar para o Brasil, mais precisamente para o Santos.

Apesar de também ter sido igualmente curta, a passagem por esta equipa foi suficiente para conquistar a Taça Libertadores. Depois de ter representado o FC Gold Pride, o Santos por uma segunda vez e o New York Flash, (nenhuma destas passagens durou mais que um ano) Marta regressou à Suécia. Cumpriu outros cinco anos neste país, desta vez divididos entre o Tyreso FF e o FC Rosengard. Em 2017, foi anunciada como reforço do Orlando Pride, conjunto onde ainda se encontra.

Ronaldinho

O astro brasileiro é um dos poucos jogadores nesta lista a ter vencido a competição sul americana depois da europeia. Ronaldinho foi formado e apresentado ao futebol profissional no Grémio, onde jogou ao longo dos primeiros três anos da sua carreira. Devido ao seu incrível talento, a transferência para a Europa era inevitável e aconteceu em 2001, tendo sido o PSG o seu destino. Passou duas épocas na capital francesa até se mudar para a Catalunha. Ao serviço do Barcelona, o médio-ofensivo deslumbrou os adeptos blaugrana, mas também todos os apreciadores de futebol. O principal título conquistado nas cinco temporadas em Espanha foi a Liga dos Campeões em 2005/06.

Ronaldinho ainda cumpriu mais duas épocas e meia no velho continente, mais precisamente em Itália, no AC Milan, antes de regressar ao seu país em 2011 para jogar no Flamengo. Esteve um ano e meio no Rio de Janeiro e posteriormente assinou com o Atlético Mineiro. Foi na segunda época no clube de Belo Horizonte, ou seja, em 2013, que o brasileiro acrescentou a Taça Libertadores ao seu palmarés.

 

Neymar

Ainda antes de protagonizar a transferência mais cara da história do futebol, Neymar havia já garantido o seu lugar neste restrito grupo de jogadores. O craque brasileiro foi formado no Santos e por lá ficou até aos seus 21 anos, ou seja, até 2013. Jogou durante quatro épocas e meia, a nível profissional, no emblema brasileiro e, na sua terceira temporada, conseguiu a medalha de vencedor da mais importante competição de clubes da América do Sul.

Posteriormente, Neymar fez as malas e partiu para Espanha, para representar o Barcelona, clube pelo qual cumpriu quatro épocas. Na temporada 2014/15, a sua segunda na Catalunha, o avançado venceu a Liga dos Campeões. Em 2018, com o objetivo de obter maior protagonismo individual e lutar pelo prémio de melhor do mundo rumou para o PSG a troco de 222 milhões de euros, mantendo-se ainda na capital francesa.

 

Danilo

Depois de ter cumprido a sua formação e o seu primeiro ano e meio de profissional no América Mineiro, Danilo foi comprado pelo Santos em 2010. Tal como no seu anterior clube, também neste permaneceu durante uma época e meia. Assim sendo, partilhou o balneário do Santos com Neymar e também ajudou a equipa na vitória da Libertadores em 2011. No final deste ano, o lateral-direito chegou ao futebol europeu, rumando ao FC Porto.

Depois de três temporadas e meia onde foi titular indiscutível, saiu para o Real Madrid. Porém, nos merengues, a realidade foi diferente uma vez que foi muitas vezes preterido por Carvajal. Ainda assim, nos dois anos que passou na capital espanhola, conquistou duas Ligas dos Campeões (2015/16 e 2016/17) algo que apenas Dida também conseguiu fazer neste grupo de jogadores. Em 2017 mudou-se para o Manchester City, tendo, dois anos depois, voltado a mudar de ares, desta vez para a Juventus, onde ainda se mantém.

 

Rafinha

O mais recente atleta a juntar-se a este lote de jogadores e a ser um dos poucos a sagrar-se campeão da Europa antes de ser da América do Sul foi Rafinha. O lateral-direito foi lançado no futebol sénior através do Coritiba, clube onde também terminou a sua formação. Contudo, cedo se percebeu que tinha capacidades para voos mais altos e, por isso, mudou-se para o Schalke 04 apenas um ano e meio depois da sua estreia sénior. Representou o emblema alemão durante cinco épocas até assinar com o Génova em 2010.

Porém, o brasileiro esteve apenas um ano afastado da Alemanha uma vez que no verão seguinte voltou a este país, desta vez para o Bayern Munique. O grande destaque da sua estadia de oito temporadas no colosso mundial foi a Liga dos Campeões ganha na época 2012/13. Em 2019, Rafinha voltou ao seu país de origem para assinar com o Flamengo (onde ainda joga) de Jorge Jesus e logo na sua primeira temporada conquistou a Taça Libertadores.

 

 

Fontes das Imagens: Getty Images, Twitter CONMEBOL Libertadores, Pes Miti del Calcio, Pinterest e Zimel Press

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.