Quem te viu e quem te vê: Kléber

No “Quem te viu e quem tê” desta semana, olhamos para Kléber, ponta-de-lança que passou pelo Porto, Estoril e Marítimo e que está atualmente afastado dos holofotes. Sabe o que é feito do brasileiro?

Kléber Laube Pinheiro começou a sua carreira profissional em fevereiro de 2009, com 18 anos, no Atlético Mineiro, isto depois de dividir a sua formação entre este clube, o Fabril e o Vila Nova, todos estes emblemas de Minas Gerais. Contudo, o avançado não teve muitas oportunidades nesta equipa (entrou em campo por somente 12 ocasiões e marcou um golo) e, por isso, rumou para a Madeira para representar o Marítimo no início da temporada 2009/10, a título de empréstimo de duas épocas.

O brasileiro impressionou logo na sua primeira temporada em Portugal ao apontar oito golos e uma assistência em 21 jogos e a ajudar o conjunto madeirense a alcançar o quinto lugar no campeonato e consequente disputa das pré-eliminatórias da Liga Europa no ano seguinte.

O então jovem despertou assim o interesse de Sporting e Porto e o Atlético Mineiro chegou até a aceitar uma oferta de 3,5 milhões de euros por parte dos dragões. Contudo, o acordo estabelecido com o Marítimo previa o cumprimento de duas épocas com os insulares e, após alguma polémica, Kléber foi mesmo forçado a permanecer na Madeira antes de se transferir para a cidade invicta. No seu segundo ano teve um registo exatamente igual ao primeiro, jogando apenas uma partida a menos.

No entanto, a sua passagem pelo Porto ficou muito aquém das expectativas. Embora na primeira época ainda tenha conseguido apontar dez golos e três assistências em 33 jogos, o jovem jogador nunca se conseguiu impor na equipa titular, fruto da elevada concorrência no setor ofensivo azul e branco, que contava com nomes como Silvestre Varela, Falcão ou Hulk.

No ano seguinte o goleador colombiano abandonou Portugal, mas nem assim Kléber ganhou mais espaço na equipa. Pelo contrário, foi outro colombiano a afirmar-se no onze inicial – Jackson Martínez – e o tempo de jogo do brasileiro diminuiu ainda mais, tendo sido utilizado por somente dez vezes (um golo marcado) na primeira metade da época. Foi neste contexto que, em fevereiro de 2013, o jogador foi emprestado ao Palmeiras até ao final da temporada em Portugal. Neste curto regresso ao seu país, Kléber registou apenas dois tentos em 11 partidas.

Retornado ao Porto, o atleta teve uma temporada desastrosa. Devido ao facto de o avançado ter recusado uma proposta de transferência, este foi colocado na equipa B dos dragões ao longo de toda a época, onde somou 15 jogos e apontou três golos (teve também uma grave lesão). Esta acabou por ser a última época em que o jogador vestiu de azul e branco. Embora não tenha deixado saudades aos adeptos portistas, Kléber conseguiu arrecadar medalhas de vencedor de duas Supertaças e duas Ligas Portuguesas.

Seguiu-se novo empréstimo, desta vez ao Estoril. O brasileiro de, então, 25 anos ganhou nova vida ao serviço do emblema de Cascais e passou pela melhor fase da sua carreira. Isto porque conquistou a titularidade na equipa, participou numa das únicas duas presenças dos estorilenses na Liga Europa e registou um total de 12 golos e três assistências em 30 jogos.

A ligação contratual entre o ponta-de-lança e o Porto só terminou no mercado de verão de 2015 quando o jogador foi adquirido pelos chineses do Beijing Guoan a troco de 4,3 milhões de euros. Esta acabou por ser uma fase financeiramente agradável para o atleta, mas desportivamente negativa uma vez que só entrou em campo por 11 ocasiões e nunca fez as redes adversárias abanar.

Assim, no verão seguinte, o avançado retornou a Portugal e ao Estoril, desta vez numa transferência definitiva. Na primeira época da segunda passagem pelos canarinhos, Kléber voltou a estar em forma ao fazer três passes para golo e ao introduzir a bola nas balizas dos oponentes dez vezes em 31 partidas.

Porém, na segunda temporada, o cenário voltou a piorar. Individualmente, o brasileiro esteve durante vários jogos afastado dos relvados devido a lesões e, naturalmente, o seu contributo diminuiu (seis golos em 19 encontros). Coletivamente, o Estoril acabou no último lugar do campeonato e, por isso, foi despromovido para a Segunda liga. Com a saída do clube de Cascais do principal escalão português deu-se também o desaparecimento de Kléber do radar.

O jogador ainda cumpriu a primeira metade da época na segunda divisão portuguesa (três tentos em seis jogos), mas, em janeiro de 2019, voltou para o continente asiático, desta vez para representar os japoneses do JEF United, clube da segunda liga deste país e que ainda representa. O avançado tem-se exibido a bom nível em território nipónico, contando com 17 golos e cinco assistências em 39 partidas.

Olhando em retrospetiva para a carreira de Kléber, é possível perceber que este não conseguiu chegar ao nível que fazia prever que alcançasse quando representava o Marítimo, tendo passado por muitos altos e baixos e não tendo conseguido brilhar num grande clube. Atualmente a caminho dos 30 anos de idade, o brasileiro pode não ter chegado ao patamar que prometia, mas tem ainda tempo para tentar ser feliz de novo no futebol europeu.

 

Fonte da Imagem: Diário de Notícias Madeira e Getty Images

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.