O 11 inicial para o jogo da vida

As mais duras batalhas são entregues aos mais duros guerreiros. Neste artigo, fazemos um 11 de jogadores que a certo ponto da sua carreira enfrentaram uma doença que metia em causa a continuação da prática desportiva. De modo a encaixar todos os jogadores em posições que já estão habituados, a formação escolhida foi o 5-3-2.

Guarda-redes: Ricardo Nunes. A 20 de agosto do ano passado, o capitão do Chaves foi diagnosticado com um problema oncológico. Um cancro nos testículos obrigou o guardião português a fazer uma pausa na sua carreira. Felizmente, o cancro foi diagnosticado numa fase inicial e, três meses após ser descoberto o cancro, o jogador voltou aos treinos. Hoje, está tudo de regresso à normalidade e o ex-FC Porto é o homem de confiança de César Peixoto para guardar as redes do Chaves.

Lateral direito: Yeray Álvarez. Apesar de a posição preferida do espanhol ser o centro da defesa, o mesmo já jogou descaído para o flanco direito da defesa, por isso, é a posição que assume no nosso 11. Yeray já venceu por duas vezes o cancro. Primeiramente, o defesa foi operado a um cancro nos testículos a dezembro de 2016 e regressou aos treinos a fevereiro de 2017. Contudo, os médicos detetaram uma anomalia e a junho do mesmo ano, teve que repetir todo o tratamento. Posto isto, tudo correu bem e nesta época o espanhol já conta com mais de 25 jogos pela equipa de San Mamés.

Defesa central: Virgil Van Dijk. Hoje considerado como o melhor central do mundo, aos 20 anos, Van Dijk esteve entre a vida e a morte. A representar o Groningen, após um jogo contra o Excelsior, o holandês sentiu uma forte dor no abdómen. Depois de ter sido levado para o hospital foi lhe diagnosticado uma peritonite e uma infeção nos rins. Devido ao estado crítico do holandês, o jogador foi aconselhado pelos médicos a escrever um testamento, devido à elevada probabilidade de morrer. “Eu e a minha mãe rezámos a Deus e discutimos os cenários possíveis. A dada altura, tive de assinar alguns papéis. Era uma espécie de testamento. Se eu morresse, uma parte do dinheiro ia para a minha mãe. Claro que ninguém queria falar sobre aquilo, mas tinha de ser feito. Podia ter acabado ali”, afirmou o central numa entrevista em 2012. Como todos sabemos, tudo correu pelo melhor e Van Dijk é atualmente um dos melhores centrais do mundo.

 

Defesa central: Thiago Silva. Outro nome incontornável no mundo do futebol. Aos 21 anos, a representar o Dínamo de Moscovo, sempre depois dos treinos, o brasileiro sentia-se sem forças e extremamente cansado. Depois de uns exames, veio-se a confirmar que o defesa tinha tuberculose. Internado num hospital sem condições na Rússia, Thiago Silva passou tempos muito complicados. Passaram-se vários meses e o jogador tinha engordado 10 kilos graças aos tratamentos ineficazes e a situação parecia pior. O então treinador brasileiro do Dinamo transferiu o jogador para um hospital em Portugal e aos poucos Thiago Silva foi recuperando. No fim de 2005 já estava apto para o regresso aos relvados. Atualmente é um dos jogadores mais icónicos da história do PSG.

Defesa central: Eric Abidal. O antigo futebolista francês travou uma dura batalha contra um tumor no fígado. A doença foi diagnosticada em março de 2011, algum tempo depois o central recuperou, mas o cancro voltou pouco depois. No entanto, o francês não se deu por vencido e levou a melhor novamente. Após estes episódios, Abidal tem uma frase que ficou muito conhecida na qual explicava a razão pela qual utilizava o número 22 “O número da esquerda representa as vezes que tive cancro, o da direita as vezes que o venci”.

Lateral Esquerdo: Nuno Pinto. Defesa esquerdo do Vitória de Setúbal teve que lutar contra o cancro no ínicio de 2019. O anuncio da doença veio por parte do jogador, o que gerou uma grande onda de solidariedade em todo o futebol português. Alguns meses depois, o português recuperou da doença e esta temporada já conta com 10 jogos no principal escalão do futebol português.

Médio centro: Sami Khedira. O companheiro de Cristiano Ronaldo na Juventus, a fevereiro de 2019, após algumas queixas no peito, foi diagnosticado com um problema cardiovascular, ao qual teve de ser operado. Felizmente, tudo correu bem e pouco tempo depois o médio alemão já estava de volta aos grandes palcos do futebol europeu.

Médio centro: Mario Gotze. O marcador do golo decisivo na final do Mundial de 2014 tem miopatia metabólica. Esta é uma doença rara, que faz com que à medida que o tempo passe, o alemão se vá sentindo mais fraco e dorido. Por enquanto, o jogador ainda está numa fase prematura da doença, contudo, isto pode levar a que o médio tenha que pendurar as botas mais cedo do que o esperado.

Médio centro: Jonás Gutiérrez. A representar o Newcastle, após um choque contra Bacary Sagna do Arsenal, o médio argentino sentiu os testículos a inchar e a ficarem inflamados. O pior confirmou-se, tinha um tumor nos testículos, ficou vários meses arredado da competição. Quando voltou, o Newcastle lutava para não descer, no jogo decisivo, frente ao West Ham, os Magpies precisavam dos 3 pontos. Aos 53, Gutierrez tira cruzamento para a área e Sissoko de cabeça faz o 1-0. Depois, aos 83, Gutierrez de fora de área atira e faz o 2-0. Loucura no St. James Park. Gutierrez salva o Newcastle da despromoção e o clube mantém-se no primeiro escalão do futebol inglês.

Avançado: Cristiano Ronaldo. Um dos melhores jogadores da história do futebol poderia ter visto a sua carreira ter um fim aos 15 anos de idade. No livro de Dolores Aveiro, a mesma revela que quando o filho estava na formação dos leões, recebeu um telefonema do departamento médico de Alvalade. ‘É muito cedo para um diagnóstico definitivo, mas o seu filho pode não voltar a jogar futebol’. Dolores confessa que após este telefonema congelou e as suas pernas enfraqueceram. Cristiano tinha que ser operado ao coração. A mãe do avançado português afirma que a situação não passou de um susto, pois algumas semanas depois da operação “ele já andava a correr”.

Avançado: Arjen Robben. Aos 20 anos, o holandês, quando defendia as cores do PSV,  teve que enfrentar um cancro testicular. Em 2004, o jogador regressou aos relvados e foi convocado para o Euro. As boas exibições na prova valeram-lhe uma transferência para os londrinos do Chelsea e o resto você já conhece bem.

Treinador: Sinisa Mihajlovic. Cara conhecida dos portugueses pelo pouco (e caricato) tempo que passou no comando técnico da equipa de Alvalade. Depois de Lisboa, viajou para Itália, para orientar o Bolonha. Lá, foi diagnosticado com leucemia aguda, um cancro que afecta o sangue. O sérvio de 51 anos revelou que ficou chocado quando recebeu a notícia, mas já prometeu que vai continuar a lutar com todas as suas forças. Agora, apesar de ainda não estar totalmente recuperado, já saiu do hospital e regressou ao banco da equipa do Bolonha em jogos oficias.

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.