A Champions da Juve

Para mim, uma altura mágica do futebol. Uma altura onde ainda se via as figuras míticas do desporto rei e onde já existia qualidade decente para a transmissão televisiva dos jogos. Um equilíbrio perfeito. Os equipamentos tinham outro encanto, os jogadores tinham uma arte diferente e o futebol tinha outro perfume. Outros tempos, outras histórias.

Juventus vs Ajax. Final da Liga dos Campeões de 1995/96, realizada em Itália, no Stadio Olimpico (Roma). Frente a frente estavam, provavelmente dois 11 dos mais icónicos da história dos respetivos clubes.

Pela Juve alinhava Angelo Peruzzi, um dos melhores guarda redes italianos, Didier Deschamps, médio centro mais tarde campeão do mundo pela França, Paulo Sousa, vencedor de duas Ligas dos Campeões, Antonio Conte, ganhou o estatuto de figura incontornável do clube após ter estado lá por 12 anos, Gianluca Vialli, capitão e vencedor do prémio de melhor jogador do mundo de 1995 entregue pela revista WS e Alessandro Del Piero, 19 temporadas a representar o clube italiano, um dos melhores avançados da história do futebol. Todos orientados pelo italiano Marcello Lippi, vencedor do prémio de melhor treinador do mundo em 1998.

No outro lado do campo estavam os holandeses, com um jovem Edwin Van Der Sar na baliza, na defesa o capitão Danny Blind, representou os De Loden por 12 épocas, Edgar Davies, fazia o flanco esquerdo como poucos, Jari Litmanen era o finlandês que controlava o meio campo dos vermelho e brancos e no banco estava o jovem Patrick Kluivert à espera da sua oportunidade. No banco dos holandeses estava um dos mais míticos treinadores holandeses da história do futebol, Louis Van Gaal.

O arbitro espanhol Manuel Díaz Vega apitou e começou o espetáculo. Apesar da Vecchia Signora ter começado por cima, o Ajax mostrava a espaços que não tinha vindo a Itália só para passear e que queria trazer a orelhuda para a Holanda. Contudo, foram mesmo os italianos que inauguraram o marcador. Uma saída em falso de Van Der Sar fez com que Fabrizio Ravanelli, quase sem ângulo, rematasse para inaugurar o marcador, 1-0 para a Juve.

Apesar da vantagem, engane-se quem pensava que o Ajax ia baixar os braços. Depois do golo de Ravanelli, os holandeses tiveram o seu melhor período do jogo, obrigando Peruzzi a grandes intervenções, até que aos 40 minutos da partida, após alguma confusão na área, Litmanen conseguiu bater Peruzzi e igualou o marcador. As equipas iam para o descanso com um empate no placar.

Após o intervalo as equipas voltaram ao relvado e a Juve voltou a começar por cima assustando várias vezes o jovem Van der Sar, que se mostrou bastante seguro nesta segunda parte. Há medida que o tempo ia passando os italianos iam sufocando cada vez mais o Ajax, que se ia defendendo como podia. O golo dos italianos acabou por não surgir e as equipas seguiram empatadas para o prolongamento.

No tempo extra regulamentar, para variar, os bianconeri começaram melhor, mas desta vez, com as substituições realizadas, o Ajax conseguia equilibrar mais a partida, pois chegava mais frequentemente e com mais perigo à área dos italianos. A segunda parte do prolongamento foi jogada mais com o coração do que com a cabeça, o que levou a mais faltas e mais paragens do jogo, também devido ao grande desgaste físico dos jogadores. No fim do prolongamento, o resultado manteve-se, o que levou o jogo para as grandes penalidades.

Edgar Davies foi o primeiro a dirigir-se para a marca dos 11 metros e, no frente a frente com Peruzzi, o guardião italiano levou a melhor. Era a vez dos italianos baterem o penalti e Ferrara não vacilou, 1-0 para a Juventus. Depois foi a vez de Litmanen, que já tinha marcado nesta partida, meter a bola de novo no fundo das redes; Pessotto tentava meter a sua equipa na frente do marcador novamente e conseguiu, 2-1. Scholten, sem tremer, voltou a colocar os holandeses na luta pela Liga dos Campeões, mas Padovano com mais um penalti marcado para a Juve, voltou a dar uma machadada nas esperanças dos adeptos do Ajax. Silooy partiu para a bola, chutou e Peruzzi levou a melhor novamente; 3-2 para a Juve e se Jugovic marcasse a Taça ia ficar em Itália; Van der Sar ainda adivinhou o lado mas não impediu o 4-2.

Loucura total no Stadio Olimpico. A Juventus tinha acabado de ser consagrada campeã da Europa pela segunda vez na sua história. Uma página de ouro escrita por artistas que ficaram imortalizados na história do clube e do futebol mundial.

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.