Conheça Kazuyoshi Miura, futebolista profissional com 53 anos

Kazuyoshi Miura, também conhecido simplesmente como Kazu Miura ou Rei Kazu, é o futebolista profissional mais velho de sempre, bem como o jogador mais velho a marcar um golo em competições oficiais e está neste momento a disputar a sua 35ª temporada. O avançado japonês é uma lenda no seu país, mas tem pouca fama na Europa. Conheça melhor o homem que fez história no futebol.

Kazu Miura começou a dar os primeiros passos no futebol em pequenos clubes do seu país como o Jonai FC o Jonai Junior High School e o Shizuoka Gakuen High School. Porém, como o futebol ainda tinha uma pequena dimensão no Japão, o avançado abandonou o seu país e, com o auxílio do seu pai milionário, decidiu seguir o seu sonho no Brasil.

Integrou as camadas jovens do Juventus de São Paulo em 1982, mas foi no Santos que começou a sua carreira profissional em 1986, com 18 anos. O nipónico permaneceu no Brasil até 199o, altura em que regressou ao seu país, tendo também representado Palmeiras, Matsubara, CRB, XV de Jaú, Coritiba e ainda uma segunda passagem pelo Santos. Conseguiu conquistar um Campeonato Paranaense e um Campeonato Alagoano pelo Coritiba e CRB, respetivamente.

Kazu Miura retornou ao futebol japonês através do Tokyo Verdy, emblema que, na altura, era denominado de Yomiuri, aos 22 anos de idade. Foi neste conjunto que o jogador viveu alguns dos melhores anos da sua carreira, tendo apontado 69 golos em 126 jogos ao longo de quatro épocas. Estas prestações despertaram o interesse do Génova e, por isso, este partiu para a sua primeira experiência na Europa em 1994, a título de empréstimo de uma temporada, tornando-se no primeiro japonês a jogar no velho continente.

Contudo, o atleta não impressionou em Itália, onde só conseguiu fazer as redes abanar por uma ocasião, e acabou por voltar para o Tokyo Verdy, desta vez com 28 anos. O avançado exibiu-se uma vez mais a alto nível, contabilizando 64 tentos em 113 partidas na capital japonesa, onde permaneceu durante outras quatro épocas. Registou inclusivamente a melhor temporada da sua carreira em 1996, ao apontar 29 golos em 38 encontros. Ao todo, nas duas passagens pelo clube de Tóquio, Kazu Miura ganhou dois Campeonatos nacionais, duas Supertaças nacionais, três J.League Yamazaki Nabisco Cup e um Emperor’s Cup All-Japan Tournament.

Em janeiro de 1999, o jogador de 31 anos voltou a jogar na Europa, mais precisamente na Croácia ao serviço do Dínamo de Zagreb. Apesar de só ter ficado na capital croata durante meia época e de não ter marcado nenhum golo, o japonês teve direito a medalha de vencedor de um Campeonato nacional.

Posteriormente, assinou pelo clube japonês Kyoto Sanga, onde, ao longo de um ano e meio, colocou a bola nas balizas adversárias 24 vezes em 51 jogos, mantendo assim um registo satisfatório. De seguida, em 2001, aos 33 anos, mudou-se para o Vissel Kobe, de onde só saiu quatro épocas e meia depois. Na sua primeira temporada neste clube, o atleta ainda somou 13 tentos, mas, desde então, o rendimento deste começou a declinar e nunca mais conseguiu atingir uma dezena de golos numa só época na sua carreira até agora.

No verão de 2005, Kazu Miura foi contratado pelo Yokohama FC mas, apenas três meses depois, foi emprestado ao Sydney FC até ao final do ano para disputar o Campeonato do Mundo de Clubes. Na Austrália, o japonês formou uma dupla de ataque com Dwight Yorke, histórico avançado da Premier League. Ainda assim, o conjunto australiano não foi além do quinto lugar na prova.

Assim, em 2006, o japonês transferiu-se definitivamente para o Yokohama e, tendo em conta que este já havia disputado a prestigiada competição mundial pelo Sydney e que estava já a caminho dos 39 anos de idade, muitos julgavam que este estava prestes a finalizar a sua carreira. No entanto, tal não se verificou. O ponta de lança vai na sua 15ª temporada ao serviço do emblema nipónico, acompanhando-o em subidas e descidas de divisão e, todos os anos, no dia 11 de janeiro às 11:11, o Yokohama tem vindo a anunciar a renovação de contrato com o seu camisola 11.

Contudo, em 2012, o jogador abandonou temporariamente o seu clube por um motivo insólito. O jogador esteve durante uns meses emprestado ao Espolada Hokkaido, clube de futsal japonês, de modo a estar em forma para disputar o Mundial de Futsal do mesmo ano. O Japão acabou por ser eliminado nos oitavos-de-final e o veterano foi utilizado em apenas uma partida nesta competição, factos que, ainda assim, não o impediram de fazer história novamente, dado que se tornou no jogador mais velho de sempre a figurar nesta prova.

Kazu Miura é assim uma das maiores referências futebolísticas no Japão, fruto não só da sua longa carreira por clubes até agora descrita, mas também pela sua carreira internacional. Ao todo, o atacante representou o seu país por 89 ocasiões (90 se contabilizado o jogo pela seleção de futsal), tendo marcado 55 golos com a camisola dos samurais. Fez inclusivamente parte da equipa que conquistou a Taça Asiática em 1992, competição na qual foi eleito o melhor jogador.

A sua rotina inclui hábitos como levantar-se às cinco da manhã, mergulhar as pernas em gelo após os treino, ingerir alimentos com muita proteína e baixa gordura, recomendados pelo seu nutricionista, beber muito sumo de laranja com água gaseificada, medir a gordura corporal várias vezes ao dia e manter bons níveis de ferro. São estes alguns dos fatores que podem explicar a longevidade de Kazu Miura.

Assim, o Rei Kazu é um fenómeno único na história do futebol. Numa entrevista concedida ao jornal francês L’Équipe, este ilustrou bem a sua mentalidade:“O meu único desejo é ser jogador de futebol. Até morrer, se possível. Quando morrer, não quero que digam que o ex-jogar Kazu Miura morreu, mas sim que o jogador Kazu Miura morreu. Não imagino como será dizer adeus a 50 mil pessoas num estádio”.

 

Fonte da Imagem: Twitter Coritiba, Getty Images, The Sun

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.