Históricos: Quando as águias congelaram o Vicente Calderón

No “Históricos” desta semana, recuamos até 30 de setembro de 2015, noite de boa memória para o Benfica. 

Numa partida da segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, as águias deslocaram-se até Espanha para defrontar o Atlético de Madrid. Os encarnados estavam a passar por um começo de época atribulado após a saída de Jorge Jesus para o eterno rival lisboeta, somando três desaires (Arouca, Porto e Sporting para a Supertaça) nos primeiros oito jogos de Rui Vitória.

Já o Atlético de Madrid registava, até então, cinco vitórias e duas derrotas (Barcelona e Vilarreal) na temporada. Contudo, quando se tratava de jogos caseiros para as competições europeias, os madrilenos possuíam um registo de impor respeito: não sofriam nenhum golo desde março de 2014, não perdiam há 23 partidas e, desde que Diego Simeone havia assumido o comando técnico, nunca tinham sentido o sabor da derrota na liga milionária. O favoritismo caía assim claramente para o lado dos espanhóis, ainda para mais devido ao seu plantel recheado de estrelas como Oblak, Godín, Saúl, Koke, Griezmann, Jackson Martínez ou Fernando Torres.

Rui Vitória colocou de início o guardião Júlio César que contou com o apoio de uma muralha defensiva constituída por Eliseu, Jardel, Luisão e Nélson Semedo. No meio-campo, figuraram André Almeida e Samaris com Gonçalo Guedes e Gaitán nas alas. O ataque foi entregue a Jonas e Raúl Jiménez, que enfrentava a sua antiga equipa.

Diego Simeone também apostou num 4-4-2 com Oblak a defender os postes, Filipe Luís, Godín, Giménez e Juanfran no quarteto defensivo, Tiago e Gabi no miolo do terreno, Óliver Torres e Ángel Correa nas faixas e Jackson Martínez e Griezmann a formarem a dupla de ataque. Destaque para o facto de o esloveno e o português terem ambos passado pela Luz.

O início do encontro foi marcado por uma elevada pressão e intensidade dos colchoneros, tal como lhes é característico, mas com o jogo partido, havendo oportunidades para os dois lados.

A primeira ocasião de perigo surgiu aos sete minutos de jogo através de um grande lance individual de Jonas. O brasileiro contornou três adversários e tentou a sua sorte à entrada da área, mas o remate saiu com pouca potência e ao lado do alvo.

De seguida, os anfitriões criaram duas situações dignas de destaque. Na cobrança de um livre lateral, Gabi cruzou para a área e Jardel afastou pela linha final, porém, o esférico não passou longe da baliza. Na sequência desse mesmo canto, Tiago desferiu um remate que desviou em André Almeida e passou perto das redes encarnadas.

A partida não abrandava e o Benfica voltou a estar perto do golo no 16º minuto. Oblak saiu em falso na tentativa de interseção de um passe e Gonçalo Guedes fez o chapéu que só não deu em golo porque Filipe Luís cortou em cima da linha.

À passagem do minuto 23, o marcador foi mesmo inaugurado. A partir da ala direita, Juanfran cruzou para a área, onde Griezmann apareceu e deu de primeira para Ángel Correa que, de boa posição, não desperdiçou e bateu o guardião brasileiro.

Logo após o tento, os espanhóis dispuseram de duas oportunidades clamorosas para aumentar a vantagem. Óliver Torres efetuou um notável cruzamento em arco para Jackson Martínez que, isolado na pequena área, cabeceou ao poste. Poucos minutos depois, o colombiano voltou a ter o golo nos pés, na mesma zona do campo, após excelente passe de Griezmann, mas Júlio César impediu o pior com uma grande intervenção.

Contra a corrente de jogo, no minuto 36, o Benfica repôs a igualdade. Nélson Semedo cruzou para a área, tendo a bola desviado em Godín antes de chegar a Gaitán que, no segundo poste, fez as redes abanar com um remate potente.

Esta acabou por ser a última ocasião de uma grande primeira parte de futebol que ficou marcada por muita emoção, várias oportunidades de golo e uma ligeira superioridade madrilena.

O segundo tempo começou com a conclusão da reviravolta no marcador, à passagem do minuto 51. Numa grande jogada de contra-ataque, Gaitán pega na bola perto da grande área defensiva, tabela com Jonas, sobe pela ala esquerda, tira Godín do caminho e lança para o segundo poste onde estava Gonçalo Guedes que, apesar do ângulo reduzido, afastou o esférico do alcance de Oblak.

No 58º minuto, os colchoneros voltaram a estar muito perto do golo. Tiago recebeu a bola à entrada da área e efetuou um remate potente, cuja trajetória foi alterada devido a um desvio em Jackson Martínez, dificultando a intervenção de Júlio César, que foi obrigado a aplicar-se de novo para responder à recarga de Correa. Dupla defesa monumental do brasileiro que, a par do companheiro argentino, esteve em destaque neste jogo.

Acabou por não se verificar mais nenhuma ocasião de perigo até ao final do encontro. Simeone ainda apostou em Saúl, Vietto e Torres para tentar recuperar da desvantagem mas o Benfica cerrou fileiras e, através de um grande espírito de equipa e uma boa organização defensiva, conseguiu manter o resultado e conquistar os três pontos.

No final da fase de grupos, o Atlético de Madrid terminou em primeiro lugar, chegando inclusivamente à final da competição, onde foi derrotado nos penaltis pelo Real Madrid, enquanto que o Benfica ficou em segundo lugar e foi eliminado pelo Bayern de Munique nos quartos-de-final.

Ainda assim, é impossível descurar esta excecional noite europeia das águias, que foi sem dúvida uma das mais memoráveis na recente história encarnada.

 

Fonte da Imagem: Getty Images

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.