Lembra-se de…Peter Schmeichel, a muralha dinamarquesa?

Na rubrica “Lembra-se de” desta semana vamos recordar um dos melhores guarda-redes que já passou por Portugal. Peter Schmeichel chegou ao Sporting vindo de Manchester e rapidamente conquistou. Lembra-se do “louco” Peter Schmeichel? 

Se há alguém que ama o que faz, que ama o futebol e que o sente de uma forma inexplicável, é Peter Schmeichel. Um coração do tamanho do mundo. Por onde passou deu sempre tudo de uma forma que poucos o sabem fazer. Começou no seu país natal num clube chamado Gladsaxe-Hero, onde fez a sua formação. Depois mudou-se para Hvidovre a custou zero. Em 87 chegou ao Brondby IF, também a custo zero, e aqui começou mesmo a história de Schemeichel.

No Brondby conquistou por quatro vezes o campeonato nacional em cinco anos de serviço ao clube. Posto isto, não demorou muito para Schmeichel chegar à seleção dinamarquesa. Esteve junto com a seleção na conquista do Euro de 1992 e foi considerado o melhor do mundo nesse ano e no ano seguinte.  Nesta altura já estava no Manchester United num negócio que foi considerado por Sir Alex Ferguson o melhor negócio do século. Foram precisos só 750 mil euros para o Manchester United assegurar o guardião.

Chegou e conquistou de novo. Ajudou o clube a levantar a decadência que perdurava já há alguns anos. Depois de 26 anos sem ganhar o campeonato, foi preciso Schmeichel chegar e proteger a baliza dos red devils para voltarem a ser campeões de Inglaterra. Entre várias Taças de Inglaterra, Schmeichel venceu o campeonato por cinco anos e ainda conquistou uma Champions League. Era um senhor na baliza. Foram oito temporadas a sentir o futebol ao mais alto nível, com as suas características e com a raça que só ele sabe. Até que chegou a altura de dizer adeus a Manchester.

Em 1999/2000, com 36 anos, um guardião com raça de leão chegou a Lisboa. Peter Schmeichel foi para o Sporting a custo zero. Consigo trouxe uma experiência imensa e acabou com o jejum que o Sporting sentia há 18 anos. Finalmente o Sporting voltou a ser campeão. Parecia que Schmeichel era uma quebra de jejum e um amuleto da sorte para clubes que precisavam de se reerguer. No entanto, no ano seguinte o Sporting ficou a terceiro lugar. Schmeichel nunca antes tinha ficado abaixo do segundo lugar num campeonato nacional. Ainda conquistou uma Supertaça ao serviço dos leões, mas foram só dois anos na turma verde e branca. O que chegou para conquistar, mas o guarda-redes experiente voltou para Inglaterra.

Desta vez foi para o Aston Villa, em 2001/2002,  também a custo zero. Com 38 anos, Schmeichel estava já à beira de pendurar as botas e as luvas. Conquistou a Taça Intertoto da UEFA nesse ano, mas o resto da época não foi a melhor no geral. No entanto ainda marcou um golo pelo clube inglês. No ano seguinte voltou para Manchester, mas desta vez para o clube rival ao que já tinha representado antes, o City. Contudo, não conquistou qualquer título pelos citizens. O sucesso que teve na seleção, no Manchester United e no Sporting não se compara aos seus dois últimos anos de carreira.

Se calhar não acabou a carreira como merecia, mas sem dúvida que Schmeichel marcou uma nova era nas balizas. A forma como encarava o jogo e como sentia o mesmo era de invejar. Via-se que não era pelo dinheiro, pelas casas ou pelos carros. Schmeichel é um exemplo do que é amar o jogo e a redondinha.

João Marques

Nasci nos Açores, mais propriamente na Ilha Terceira. Actualmente estou a estudar Ciências da Comunicação na NOVA FCSH. O desporto nasceu comigo e a paixão pelas letras já vem desde tenra idade.