A aposta na formação é real?

Em tempos de pandemia, o futebol português tem uma certeza: é preciso investir na formação. Concorde-se ou não, a aposta nos jovens permite, não só reduzir custos em contratações, comissões a empresários e ordenados “chorudos” como, em caso de venda, o retorno será muito maior. Tudo isto, para além de que é prestigiante ver jogadores brilharem no nosso clube ou nos maiores clubes do mundo, além-fronteiras.

Contudo, nem tudo é bom. Existe a velha máxima de que “ninguém é campeão só com a formação”. De facto, conta-nos a história que é verdade. É difícil encontrar uma equipa que tenha sido campeã com um 11 feito da formação. Não obstante, é possível sim, ser campeão numa base da formação. Ter cinco, seis, sete jogadores da formação e depois o resto acertar em contratações. Barcelona e Ajax são provavelmente os maiores casos neste capítulo.

Com isto, se pensarmos na história da formação em Portugal vem logo um clube à cabeça: Sporting Clube de Portugal. Mas será que tudo o que eles fazem, é bem feito?

Bom, na minha opinião, não. Proponho-vos a verem cinco exemplos de casos que vieram do reino do leão para vingarem no futebol:

Merih Demiral

Jogador do atual colosso Juventus (clube atual de Cristiano Ronaldo). Este jogador nunca foi uma aposta no Sporting.

O jogador turco veio muito jovem para o clube de Alvalade e sempre se percebeu que estava ali um grande central? Sempre? Bom, não no reino do leão. Pelo clube, na equipa A, apenas um minuto de jogo na Taça de Portugal na época 17/18 num jogo contra o Oleiros que o Sporting acabaria por ganhar por 2-4. Foi emprestado pela Comissão de Gestão ao clube turco Alanyaspor com uma cláusula (que foi posteriormente acionada) de 3,5 milhões de euros. Após a compra, o jogador ingressa no Sassoulo por empréstimo do clube italiano Sassuolo, que pagou quase 10 milhões de euros e no mês seguinte seria vendido à Juventus por 18 milhões de euros. Por lá, já contabilizou sete jogos e um golo e vinha ganhando espaço no 11 inicial até ter sido afastado por lesão. Interessante, não é?

Pepe

No rival FC Porto, Pepe tem os seus melhores anos de carreira na sua primeira passagem pelo clube do dragão até chegar ao grande Real Madrid. Ganhou tudo o que havia para ganhar e foi (e é) titularíssimo da nossa selecção. Com ela, já leva uma Taça das Confederações e um Europeu. Isto somado, claro, às três Ligas dos Campeões conquistadas em Madrid. Mas vamos ao que importa. Esteve em Alcochete onde realizou provas e era previsto ficar. Como as negociações do Sporting nunca foram um forte do clube, as negociações com o Marítimo caíram e foi o Porto que o aproveitou. Pode não ser um jogador da formação, mas andava lá perto pois tinha 20/21 anos. Imaginam o que era se o Sporting pudesse ter Mathieu, Coates, Demiral e Pepe?

Eric Dier

Jogador inglês do Tottenham. Neste momento é treinado por José Mourinho.

A sua ligação a Portugal é muito forte tendo começado, muito jovem, na formação leonina ainda na época 2003/04. Fez o seu percurso em Alvalade sendo que pelo meio esteve ainda duas épocas em Londres, ao serviço do Everton por empréstimo.

Numa altura que muitos adeptos do clube apelidam de “um dos piores momentos da história do Sporting”, a presidência de Godinho Lopes, foi feito um contrato com uma cláusula de venda de cinco milhões de euros para Inglaterra ou que então, o Sporting para não aceitar, teria de rever o contrato com o jogador e oferecer, pelo menos, a mesma quantia salarial. Assim sendo, o jogador acaba por sair por cinco milhões no fim da época 2013/14, na presidência de Bruno de Carvalho. No canal 11, recentemente, muitos apelidaram-no como sendo o melhor jogador inglês que já atuou em Portugal. Leva já 40 internacionalizações  (17 em jogos amigáveis), já foi capitão da selecção inglesa e ainda só tem 26 anos.

Avancemos no terreno até ao meio-campo. João Moutinho

Moutinho é um caso caricato. Com 18 anos, após o destaque na equipa B, Moutinho chega à equipa principal do Sporting, pelas mãos de José Peseiro e o seu Presidente, Dias da Cunha. Por lá, faz “apenas” 26 jogos e assume-se como titular.

Nas épocas seguintes, assume-se como capitão, já Paulo Bento era o treinador da equipa principal leonina. A era de Paulo Bento ficou marcada por quatro anos de pouco investimento no futebol e de consecutivos segundos lugares atrás do Porto que reinava sozinho enquanto o Benfica se ia recompondo.

Já com José Bettencourt como Presidente do clube leonino, João Moutinho é vendido por 11 milhões de euros e apelidado de “maçã podre”. Pelo clube portista, Moutinho rapidamente se tornou o pendulum do meio-campo e ganha três vezes a liga portuguesa. É posteriormente vendido num negócio que englobou também James Rodríguez por 70 milhões de euros para o Mónaco.

Ricardo Quaresma

Jogador do Kasimpasa. Pode não atuar no clube mais famoso do mundo, mas todos os amantes do futebol português já ouviram falar em Ricardo Quaresma. O rei da trivela foi mais um extremo formado em Alvalade. Pelo Sporting jogou duas épocas entrando na última época que o Sporting foi campeão, já em 2001/02. Dir-me-ão “então, mas afinal teve sucesso”. É verdade, é um dos poucos que ganhou um campeonato no Sporting e ainda está no ativo, mas por isso mesmo, devia de ter sido mais valorizado, não é correto? Ou então ter ficado e ter mais rentabilidade desportiva.

Por Dias da Cunha, foi vendido por seis milhões de euros ao Barcelona que ainda “deram” o empréstimo de Rochemback.  Do Barcelona para o Porto, tem um sucesso desportivo enorme conquistando mais campeonatos, sendo posteriormente vendido por mais de 18 milhões de euros. Foi “apenas” o triplo do que foi vendido pelo Sporting.

Estes foram os cinco jogadores que tiveram que sair de Alvalade para terem sucesso. Mais haviam, mas estes tiveram um grande impacto e todos os reconhecem. Deixem os vossos comentários na nossa página de Facebook, se concordam ou não ou se achavam que havia algum jogador que devesse constar.

João Estanislau

Actualmente a frequentar uma Pós-Graduação em Marketing e Gestão do Desporto no INDEG-ISCTE, sou licenciado pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial em precisamente Comunicação Empresarial. Escrever sobre desporto sempre foi uma realidade para mim, nas minhas redes sociais e que pretendo agora partilhar contigo. Fica atento!