Quem te viu e quem te vê: Evaldo

Estreou-se em Portugal pelo FC Porto, passando ainda por Sporting CP e SC Braga. Evaldo dos Santos Fabiano, conhecido no futebol pelo primeiro nome, nasceu no Brasil, mas naturalizou-se português, tendo passado sensivelmente toda a carreira em terras lusas, onde representou vários clubes além dos três acima mencionados. Contando já quase 20 anos como jogador, por onde anda agora o lateral esquerdo?

Natural de Minas Gerais, começou a jogar pelo Atlético Paranaense, clube onde se formou e com o qual se estreou na equipa principal.

Após uma passagem sem aparições pelo Democrata FC, bateu-lhe à porta uma oportunidade imperdível, mudando-se para Portugal, onde representaria o FC Porto. Decorria então a época 2003/04. Começou por integrar a equipa B dos dragões, jogando em três partidas. No entanto, pouco tempo depois, viria a ser chamado por José Mourinho à formação principal, estreando-se em jogo da Taça de Portugal, diante do Vilafranquense. Viria, de resto, a ser opção na penúltima jornada da Liga, diante do Rio Ave.

A passagem na Invicta avizinhar-se-ia curta, acabando por rumar à ilha da Madeira, passando a servir as cores do CS Marítimo. No Funchal terá conseguido encontrar estabilidade, jogando pelos “Leões da Almirante Reis” ao longo de quatro épocas. Foi o clube que mais anos representou em toda a carreira, até hoje.

Em 2008, Evaldo acaba por regressar ao continente e, de novo, ao norte do país, mas desta vez assinando pelo SC Braga, jogando a primeira partida a contar para a Taça Intertoto, competição que os minhotos viriam a vencer, naquela que seria a última edição da prova. Foi também pelo Braga que o lateral assinou o primeiro golo da carreira, num encontro de apuramento para a Liga Europa.

Em 2010 o jovem brasileiro consegue mais um passo importante na carreira, rumando ao Sporting, fazendo render 3 milhões de euros aos cofres bracarenses. Desta vez pelos “Leões de Alvalade”, rapidamente assumiu a titularidade. O primeiro golo, curiosamente, aconteceu, de novo, em jogo de qualificação para a Liga Europa. Marcaria outros dois no ano seguinte, e ambos, novamente, em jogos das competições europeias.

Ao fim de dois anos pelos verdes e brancos, Evaldo rumaria a Espanha, emprestado ao Deportivo de la Coruña, numa época sem grande história e naquela que foi, de resto, a sua única experiência fora de Portugal, enquanto atleta.

O regresso ao nosso país, no entanto, não seria melhor, acabando por não jogar qualquer partida em Alvalade na época seguinte. O Sporting acabaria por não renovar com o jogador, ficando este sem clube.

Acabou por assinar, a custo zero, pelo Gil Vicente, na tentativa de relançar a sua carreira. Apesar de, mais uma vez, ser titular indiscutível, a época revelar-se-ia para esquecer em Barcelos, com o clube a terminar no 17º posto e descendo, consequentemente, à 2ª Liga.

Findado o contrato, aguardava-o o Moreirense, clube pelo qual assinou por um ano, numa época em que os cónegos conseguiram assegurar o objetivo da manutenção, e na qual Evaldo foi, de novo, dono e senhor do lado esquerdo da defesa.

Em 2016, já com 34 anos, passou a jogar no Cova da Piedade, na margem sul de Lisboa. Em termos de números, foi a melhor época de Evaldo até então, jogando 44 partidas e apontando quatro golos. Passou, de resto, os três anos seguintes ao serviço do emblema de Almada, na segunda divisão.

Mas por onde anda, então, Evaldo, hoje em dia? Após terminar o contrato com o Cova, e já com 38 anos, o atleta mantém-se no ativo, representando as cores do SCU Torreense. Em Torres Vedras, a jogar no Campeonato de Portugal, conseguiu igualar já o melhor registo obtido na margem sul da capital. À data da paragem dos campeonatos, levava quatro golos em 27 partidas, pouco mais de metade das que precisou para faturar o mesmo número em Almada, pelo que é seguro afirmar que, tendo em conta a idade, a época corria de feição ao luso-brasileiro, que prometia continuar a somar a estas estatísticas.

Um defesa, no mínimo, experiente, foi o estatuto que Evaldo, certamente, conseguiu arrecadar em quase duas décadas nos relvados portugueses. Até quando continuaremos a ver o “mineiro” em ação no nosso futebol?

 

Imagens (Capa, Cova da Piedade, Deportivo, Sporting, Braga, Marítimo): Getty Images

Imagem (Porto): Andreas Rentz

Imagem (Gil Vicente): Catarina Morais

Imagem (Moreirense): Vítor Parente

Imagem (SCUT): Torreense

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.