Benfica desperdiça oportunidade de se isolar e o campeonato não ata nem desata

O Benfica empatou a zero com o Tondela numa exibição desinspirada e desperdiçou a hipótese de se isolar no topo da tabela classificativa. FC Porto e Benfica ficam assim em igualdade pontual no topo da liga.

O Benfica entrou em campo, no seu estádio, sabendo que uma vitória colocaria as águias no primeiro lugar da tabela classificativa, após o FC Porto ter perdido frente ao Famalicão na quarta-feira por 2-1.

Este jogo marcou também a estreia do Benfica e do Tondela neste retomar da Liga NOS, com um Estádio da Luz privado dos seus habituais milhares de adeptos, face às recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Apesar de não estarem adeptos presentes no estádio, este estava repleto de cachecóis da massa adepta encarnada, bem como um ilustre do futebol nacional, o selecionador português Fernando Santos.

O treinador das águias, Bruno Lage, surpreendeu e lançou duas grandes novidades no 11 inicial. Jardel, o capitão do Benfica, entrou para o lugar habitualmente ocupado por Ferro e Gabriel foi chamado ao meio-campo, após uma longa paragem devido a um problema de visão. Também Taarabt surgiu no apoio a Vinícius e André Almeida na direita, apesar dos relatos que teria falta de ritmo. O 11 inicial encarnado foi assim: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo; Weigl, Gabriel, Pizzi, Rafa; Taarabt e Vinícius.

Por outro lado, a equipa visitantes, comandada pelo treinador espanhol Natxo González, alinhou com Cláudio Ramos, Petkovic, Philipe Sampaio, Yohan Tavares, Filipe Ferreira, Murillo, João Pedro, Pepelu, Richard Rodrigues, Valente, Rúben Fonseca.

O jogo começou e cedo se percebeu que as águias iam em busca do golo e tentavam assumir o jogo. Logo ao minuto dois Rafa esteve perto de marcar, mas Cláudio Ramos estava atento e oito minutos depois foi a vez do capitão Jardel atirar ao lado.

Após este para de ocasiões, o Tondela instalou-se no seu meio-campo à procura de oportunidades para contra-atacar, enquanto o Benfica se foi instalando no seu meio-campo ofensivo. Apesar da constante posse de bola, as oportunidades em flagrante tardavam a aparecer para os encarnados.

A verdade é que chegado o intervalo, estava tudo empatado. O Benfica teve bola, mas não passou disso mesmo, não conseguindo mostrar o suficiente no último terço para se colocar na frente do marcador. Quanto ao Tondela foi-se mantendo fiel a si mesmo nos primeiros 45 minutos, mas os 40% de posse de bola e zero remates mostravam bem para o que vinham. Bruno Lage tinha que mudar algo ou mexer no miolo para conseguir abrir a defensiva visitante e, consequentemente, o marcador.

Iniciados os segundos 45 minutos, pouco parecia ter mudado na dinâmica do encontro. Benfica com bola, Tondela bem organizado defensivamente, até que ao minuto 54 surgiu a primeira grande ocasião de golo. Rafa conduziu o contra-ataque, deixou em Vinícius e este isolou Pizzi, que, de trivela, atirou para uma boa defesa de Cláudio Ramos.

Apenas dois minutos depois foi a vez do marroquino Adel Taarabt encher o pé esquerdo do meio da rua, mas mais uma vez o internacional português Cláudio Ramos estava atento e agarrou à segunda.

Face à dificuldade em desbloquear a defensiva visitante, Bruno Lage optou por realizar a sua substituição tipo, pelo menos no período antes da suspensão do campeonato, colocando Dyego Sousa no lugar de Julian Weigl. Com esta mudança, o técnico fez descer Taarabt no terreno, tirou um médio mais defensivo e colocou mais uma referência no centro do ataque.

A presença do luso-brasileiro fez-se logo sentir e um minuto após a sua entrada este rodou no centro da área, fazendo com que a bola sobrasse para o seu companheiro de ataque Carlos Vinícius e este disferiu um potente remate, que acabou por ser cortado para canto pela defensiva do Tondela.

Por esta altura o Benfica começava a rematar mais e a criar mais oportunidades e ao minuto 66 foi a vez de André Almeida surgiu já dentro da área, mas o remate saiu por cima da baliza de Cláudio Ramos.

Um minuto depois foi a vez do Tondela, através de um contra-ataque, fazer o seu primeiro remate do jogo inteiro, por intermédio de Richard. No entanto, este embateu em Rúben Dias e acabou fácil nas mãos de Vlachodimos, que até então vinha sendo um autêntico espectador.

Ao minuto 75 surgiu nova substituição encarnada, com Seferovic a entrar para o lugar de Carlos Vinícius. Apesar desta substituição, nesse mesmo minuto foi o Tondela a ficar muito perto do golo, novamente por Richard, com a bola a passar rente ao poste esquerdo de Vlachodimos.

O jogo estava agora cada vez mais partido e apenas dois minutos depois desta grande oportunidade de Richard foi a vez de Rúben Dias atirar de cabeça ao poste de Cláudio Ramos, na sequência de um canto batido por Pizzi.

As águias insistiram e aos 79 minutos Gabriel picou a bola por cima da defesa do Tondela, Seferovic recebeu de peito e com o pé direito mandou bastante ao lado. Ficou apenas o aviso.

Para os últimos 10 minutos de jogo Bruno Lage tirou Pizzi e fez entrar o jovem extremo Jota, para tentar desfazer o nulo e dar a liderança ao Benfica. No entanto, o Tondela estava cada vez mais fechado na sua defesa e ia assumindo a sua satisfação com a possibilidade de sair da Luz com um ponto.

O Benfica insistia, mas a sorte também não estava do seu lado e ao minuto 84 foi a vez de Dyego Sousa atirar de cabeça à barra.

Face às várias interrupções que foram existindo ao longo da segunda parte, a equipa de arbitragem deu sete minutos de compensação, mas nem assim o Benfica conseguiu desbloquear o encontro. Dyego Sousa ameaçou de cabeça aos 90+1 e aos 90+2, este último foi mesmo cortado em cima da linha de golo por Petkovic.

Findado o encontro permaneceu assim o nulo, o Benfica mostrou ineficácia ofensiva e desperdiçou a oportunidade de passar para o primeiro lugar isolado do campeonato. Com este empate, as águias ficam em igualdade pontual com o FC Porto , apesar dos dragões estarem em vantagem face ao confronto direto. Tudo em aberto na Liga NOS com nove jornadas por jogar.

 

Fonte das Imagens: Twitter Benfica; Global Images

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.