Quem te viu e quem te vê: Nenê, o “tigre da Choupana”

Em 2008, chegou a Portugal para jogar no CD Nacional, emprestado pelos brasileiros do Cruzeiro, mas ninguém podia prever o impacto que causaria, acabando por se tornar, de longe, no melhor marcador do clube, nesse ano. Apesar da idade, o artilheiro continua a jogar até hoje. O que será feito dele?

Anderson Miguel da Silva é o seu nome, mas, dentro das quatro linhas, quatro letras bastam para falar deste atleta, nascido a 28 de julho de 1983, em Sorocaba. Irmão mais novo de Michel, outro jogador com um vasto currículo, desta feita no futebol brasileiro, Nenê aprendeu a “respirar” futebol desde a mais tenra das idades, crescendo lado a lado com outro apaixonado pelo desporto rei.

Foi pelo São Bento, clube local, que começou a jogar, mudando-se mais tarde para o Riachuelo, em 2005. No ano seguinte rumou ao Santa Cruz, acabando, em 2007, por assentar no Cruzeiro.

Após uma época ao serviço da “Raposa”, onde apontou três golos em 19 jogos, Nenê seria ainda emprestado por um ano ao Ipatinga, antes de rumar à ilha da Madeira, onde jogaria pelo CD Nacional.

Foi ao serviço dos “alvinegros” que o jovem artilheiro viveria a sua melhor época. Com um total de 25 golos marcados em todas as competições, Nenê foi quem mais faturou de todo o plantel. Destes, 20 foram para o campeonato, pelo que se consagrou também como o melhor marcador da 1ª Liga, deixando para trás nomes como Óscar Cardozo ou ainda Liedson. Foi, de resto e até hoje, o último atleta de um clube que não os “três grandes” a sagrar-se melhor marcador do campeonato.

A nível coletivo foi também uma época estonteante para o Nacional, atingindo o 4º posto na classificação (a melhor prestação de sempre) e albergando no seu plantel não só o melhor marcador como o jogador com mais assistências, Alonso (10 passes para golo).

Uma passagem estrondosa, ainda que curta, valeu a Nenê um “bilhete” para voos mais altos, captando a atenção de vários clubes europeus e acabando mesmo por se mudar, desta feita, para Itália, onde jogaria pelo Cagliari. A adaptação, no entanto, não se revelou nada fácil, desde a língua que não dominava aos aspetos táticos que mal tinha trabalhado em Portugal e que são, por sua vez, muito prezados no futebol jogado em Itália. A compreensão do italiano acabaria por ser a base das dificuldades, já que Nenê, como de resto viria a admitir, chegava a entrar em campo sem perceber quase nada das instruções que lhe eram dadas.

Apesar dos obstáculos, o avançado conseguiria mesmo estabelecer-se em Cagliari, que foi, aliás, o clube que mais anos representou na sua carreira, até hoje (cinco temporadas). O que é facto é que, apesar de acabar por se assentar, Nenê nunca mais conseguiria repetir os números que atingiu com os insulares. O melhor que conseguiu  em Cagliari foram oito golos em 29 partidas, em 2011.

Com o tempo viria também, gradualmente, a perder espaço no onze inicial, acabando mesmo por ser vendido, em 2014/15, ao Hellas Verona, clube que apenas representou até ao mercado de inverno, somando apenas um golo em 11 partidas, antes de ser novamente emprestado, desta vez ao Spezia.

A segunda metade da época revelou-se um pouco melhor, afirmando-se como titular absoluto e conseguindo quatro golos em 17 jogos, números, ainda assim, muito aquém daqueles a que habituara os adeptos portugueses, pese embora não jogar mal de todo.

Com mais ou menos golos, as estatísticas parecem ter agradado ao Spezia, que acabaria por levar o jogador a tempo inteiro. Seguir-se-iam, então, outras duas épocas pelo clube, no qual, em 2016, conseguiu o seu melhor registo em terras italianas: 11 golos em 35 jogos.

Em 2017/18, mantendo-se em Itália, trocaria o Spezia pelo Bari, emblema que, à data, também militava na Serie B, o segundo escalão do futebol italiano. Numa temporada com alguns altos e baixos, conseguiu nove golos em 28 jogos.

E, afinal, o que é hoje feito de Nenê? Pois bem, ao fim de 10 anos em Itália, e já com 35 anos, o avançado regressaria, em 2018/2019, a Portugal, desta vez para representar o Moreirense FC. Sendo opção regular, e apesar de apenas faturar três golos em 28 jogos, revelou-se como uma das peças chave naquela que foi, até hoje, a melhor época de sempre do emblema de Moreira de Cónegos na Liga, conseguindo um histórico 6º lugar.

Agora com 36 anos, Nenê mantém-se no Moreirense, sendo que o clube se mostrou já interessado em estender  o seu contrato, pelo que continuaremos a ver o “tigre da Choupana” em ação, pelo menos por mais uns tempos.

 

Imagem destaque: Nacional: Zerozero.pt

Imagem (Moreirense): Moreirense Futebol Clube

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.