Um Sporting muito “Jovane” venceu o Tondela por 2-0

Rúben Amorim fez alinhar um onze inicial excecionalmente jovem, com oito jogadores abaixo dos 22 anos – Maximiano, Edu Quaresma, Nuno Mendes, Camacho, Matheus Nunes, Wendel, Jovane e Plata -, perfazendo a média etária mais baixa do clube desde novembro de 2014. É uma equipa consideravelmente diferente daquela anteriormente apresentada por Silas, em termos etários, e táticos. Amorim insiste no 3-4-3 que lhe valeu destaque no SC Braga e o Tondela foi mais recente vítima, com uma vitória por 2-0, com golos de Jovane Cabral e Sporar.

Logo aos 12 minutos, Gonzalo Plata, um vagabundo incómodo do ataque leonino, arrancou uma falta à entrada da área tondelense que acabou por ser fatal. Mathieu e Jovane acercaram-se da bola, mas a decisão recaiu no pé direito do jovem cabo-verdiano, que cobrou exemplarmente o livre direto. Cláudio Ramos, um dos melhores guarda-redes da Liga, nem se atirou. O 1-0 tornou o Sporting a equipa com mais golos de livre direto na liga. O tento foi o primeiro de muitos sinais positivos de Jovane durante o jogo.

Quatro minutos depois, muito espaço para Nuno Mendes cruzar, e Camacho não soube direcionar o cabeceamento da melhor forma. Os espaços dados pelo Tondela nos corredores laterais foram recorrentes na primeira parte. O Tondela não chegava ao último terço atacante, nem tentava pressionar a linha de três centrais leoninos, que privilegiava uma saída curta normalmente pelos pés de Mathieu. Nalgumas ocasiões, utilizaram com sucesso o jogo direto, queimando muitos metros com estes lançamentos longos.

Aos 28′, o Sporting teve uma chance soberana para aumentar o domínio no jogo: grande penalidade cometida por Pepelu, que ao tentar intercetar de carrinho um cruzamento de Nuno Mendes, acabou por utilizar o braço para desviar a trajetória da bola. O árbitro Nuno Almeida entendeu que foi falta e deu oportunidade para Sporar converter na marca dos 11 metros. E converteu. Festejos contidos, em tempos de pandemia, do avançado esloveno.

Com uma vantagem de dois golos à meia-hora, o Sporting parecia estar a caminho de um final de primeiro tempo tranquilo. Contudo, logo aos 34 minutos, a primeira falta cometida pelos leões deu azo ao maior calafrio das hostes sportinguistas na primeira parte. Livre batido para o segundo poste, com um jogador do Tondela a cabecear para o coração da área, onde estava Mathieu que, ávido de intercetar aquela bola, acabou por cabeceá-la ao poste direito de Maximiano. Um exemplo de como os níveis de concentração têm de ser elevados contra equipas como o Tondela de Natxo González, que tinha em Ronan uma boa referência mas incapaz de incomodar a área sportinguista.

Jovane Cabral não se limitou ao ataque. É sabido que fase atacante e defensiva não vivem uma sem a outra, e o extremo foi exemplo disso. Aos 35′, recuperou a bola na primeira fase de construção do Tondela, roubando a bola a um Philipe Sampaio displicente. Praticamente sozinho, acabou por atirar ao lado. Até final, destaque apenas para um remate bombeado de Nuno Mendes, na ressaca de um canto, que teve mais força que colocação.

Tondela ameaçou na segunda parte

A segunda parte começou com um lance dúbio na área tondelense. Coates foi agarrado por Jaquité, caindo ambos no terreno. Nuno Almeida e o VAR não viram motivos de maior para assinalar penálti. A segunda parte teve um início frio, com as duas equipas a encaixarem que nem peças de puzzle. O Sporting com bola, e o Tondela à espera dela. O primeiro rasgo de genialidade na segunda parte foi de Sporar, que recebeu entre linhas, à entrada da área, e avançou em drible no meio de cinco jogadores tondelenses (com demasiada facilidade), mas falhou no cara-a-cara decisivo.

A partir dos 60 minutos, talvez com a entrada de Tiago Almeida e uma postura do Tondela mais avançada na terreno, o Sporting passou por mais dificuldades. Ronan assinou o primeiro remate do Tondela no jogo, sem grande perigo, mas logo a seguir Ricardo Alves acertou na barra por intermédio de um cabeceamento. A jogada foi (mal) anulada por fora-de-jogo, mas ficou o aviso, de novo numa bola parada.

Talvez percebendo uma mudança nos equilíbrios em campo, Amorim lançou dois jogadores experientes – Battaglia e Ristovki -, retirando Wendel e Camacho. Ainda optou, volvidos cinco minutos, por fazer entrar Borja e Chico Geraldes. O encontro parece ter estancado nesta fase, sem que o Tondela visasse a baliza de Luís Maximiano. Pepelu, o mais esclarecido dos beirões, ainda criou uma grande oportunidade para o colega Richard, mas este não conseguiu dominar a bola na grande área.

O Sporting abdicou, intencionalmente, de insistir no ataque com um ritmo elevado. Ia pagando o preço com um remate longínquo de Jaquité, a uns bons 30 metros, que Maximiano desviou com a pontinha dos dedos. Fica a dúvida se a bola entrava ou batia na barra. Jovane, o homem do jogo, ainda sprintava aos 86 minutos, e arrancou um amarelo ao estreante Tiago Almeida. Mais um jogo convincente de Jovane, que parece ter ganho uma nova vida com Rúben Amorim.

Vitória incontestada do Sporting sobre o Tondela, que há apenas duas jornadas empatou a zero com o rival Benfica. O golo precoce de Jovane contrariou o plano do Tondela de adiar o golo contrário o mais possível, e esperar por um contra-ataque. Mérito para o modo como o Sporting conteve essas investidas do Tondela, e para a forma como uma equipa muito jovem (os corredores laterais estavam entregues a Nuno Mendes e Rafael Camacho) soube lidar de forma exemplar com este jogo.

Foto: Twitter Oficial da Liga Portugal

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.