5 futebolistas profissionais que admitiram a sua homossexualidade

Há largos anos que o futebol deixou de ser um desporto de e para homens. O crescimento do futebol feminino nos últimos 30 anos tem sido sustentado e o último Mundial, em 2019, ilustra esse crescimento: mais de mil milhões de pessoas viram este certame.

Porém, continua a haver uma cultura de forte masculinidade, dentro e fora do relvado, difícil de romper. Ao longo da História, apenas nove futebolistas profissionais revelaram ser homossexuais, uma decisão que afetou tragicamente as vidas de alguns destes jogadores.

Justin Fashanu

Justin Fashanu teve uma carreira comparável a um verdadeiro globethrotter, atuando em Inglaterra, Austrália, Escócia, Estados Unidos, Canadá e Suécia. Na verdade, Fashanu não encontrou estabilidade desde que admitiu publicamente a sua homossexualidade, em 1990, numa entrevista ao The Sun. Foi o primeiro futebolista profissional a fazê-lo, e apanhou Inglaterra de choque – “Os gays não vão saltar para cima dos outros nos balneários”, disse.

O avançado, que até então tinha atuado pelo Norwich City, Nottingham Forest, Notts County ou Manchester City, só teve ofertas de equipas de pouca expressão, dentro e fora de Inglaterra. Quando teve a primeira experiência como treinador, em 1997, foi acusado de agressão sexual por um jogador de apenas 17 anos. Devido à pressão e um possível julgamento enviesado, Fashanu pôs termo à vida, deixando uma nota em que explicava ter tido relações sexuais consentâneas com o jovem, e que estava farto de ser uma “vergonha” para a família.

Thomas Hitzlsperger

Thomas Hitzlsperger é a estrela desta lista. Representou a Alemanha em 52 ocasiões, em torneios como o Mundial 2006 ou o Euro 2008. Formado no Bayern Munique, partiu cedo para Inglaterra, onde despontou ao serviço do West Ham. Depois de ultrapassar a marca dos 100 jogos na Premier League, abraçou o Estugarda até 2010, quando tinha 28 anos. Viria a retirar-se aos 32 anos, alegando problemas físicos, já depois de experiências na Lazio, Wolfsburgo e Everton.

O alemão admitiu a homossexualidade em 2014, depois de pendurar as botas. Thomas teve uma namorada durante oito anos, chamada Inga, e explicou ao jornal Die Zeit que só percebeu realmente a sua orientação sexual nos últimos anos.

Robbie Rogers

Robbie Rogers foi um talento precoce do futebol americano, emigrando para o Heerenveen com apenas 19 anos. Seria no país-natal, no Columbus Crew, que atingiria a notoriedade e a seleção americana, a qual defendeu por 19 vezes entre 2009 e 2011. O médio voltaria a tentar a sorte na Europa, desta vez no Leeds United mas sem sucesso.

Em 2013, com apenas 25 anos, Robbie anunciou a retirada do futebol explicando que nunca iria ter paz escondendo a sua orientação sexual.Os segredos podem causar muitos danos internos. Tentem explicar às pessoas amadas, depois de 25 anos, que são homossexuais. Eu nunca esquecerei dos amigos que fiz e daqueles que me apoiaram. Agora é tempo de me afastar. Está na hora de eu me descobrir longe do futebol. O meu segredo acabou, sou um homem livre”, afirmou. No entanto, Rogers voltou ao ativo para ser peça importante no LA Galaxy até 2017, altura em que se retirou definitivamente.

Olivier Rouyer

Olivier Rouyer, de 64 anos, é o mais velho mas não o primeiro a anunciar publicamente a sua homossexualidade. Foi figura de proa do Nancy durante a década de 70′, jogando a extremo e avançado. Atingiu o patamar do futebol profissional em 1978: o Mundial da Argentina, representando a França.

Passou ainda pelo Estrasburgo e Lyon, e teve uma curta carreira de treinador que, segundo ele, foi afetada pela orientação sexual. Rouyer só a admitiu em 2008, numa entrevista ao L’Equipe.

Thomas Beattie

Thomas Beattie, de 33 anos, é membro mais recente da lista. Admitiu esta semana, dizendo que foi incapaz de fazê-lo enquanto jogava. Beattie foi formado no Hull City, completando uma carreira profissional nos Estados Unidos, Canadá e Singapura. Retirou-se em 2016.

 

 

Só mais quatro futebolistas profissionais, de menor expressão, “saíram do armário”: David Testo, Collin Martin, Andy Brennan e Anton Hysen.

Fontes das fotos: National Football Museum, Federação Alemã de Futebol, Premier League Brasil.

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.