Rúben Freitas: “Chegar à Primeira Liga é o meu objetivo, sei que isso vai acontecer naturalmente”

Bilhete de Identidade:

Nome: Rúben Diogo Francisco Freitas

Data de nascimento: 1993-01-02(27 anos)

Naturalidade: Odivelas

Peso: 77 kg

Altura: 1,80 m 

Posição: Lateral-direito

 

Tem 27 anos, fez toda a sua formação ao serviço do Sporting CP – onde foi inclusive campeão nacional de iniciados – e ao serviço do Sporting de Braga. Conta com passagens por clubes estrangeiros, do Chipre e Gibraltar, bem como experiência ao nível do Campeonato de Portugal e da Segunda Liga.

Terminou o seu contrato no final do mês de junho com o Clube Desportivo de Mafra, da Segunda Liga, onde foi totalista em 2019/20, aquela que foi uma época histórica para o clube da zona Oeste, após ter alcançado o quarto lugar no segundo escalão do futebol nacional e os oitavos-de-final na Taça de Portugal, onde até eliminaram os primodivisionários do Moreirense.

As suas grandes exibições têm-no ligado ao interesse de vários clubes da Primeira Liga, o que poderá ajudar a cumprir o seu sonho de alcançar o principal escalão do futebol português. Estivemos à conversa com Rúben Freitas, lateral-direito do CD Mafra, que nos revelou alguns dos seus maiores sonhos no futebol, falou um pouco da sua carreira e revelou mais sobre quem é fora das quatro linhas. Fique com esta Entrevista AMBIDESTRO.

 

AMBIDESTRO: Como surgiu o futebol na tua vida?

Rúben Freitas: O futebol surgiu na minha vida desde muito cedo. Como muitas crianças, jogava à bola na rua
com os meus amigos, até que me inscreveram no Odivelas FC, na altura com cinco anos. Lá só podia treinar porque não tinha idade ainda para jogar. Cheguei a fazer uns torneios e foi aí que, quando ia começar a jogar no Odivelas, já com sete anos, aparece o Sporting, por intermédio do Sr. Aurélio Pereira. Foi assim que me mudei para Alcochete. Vi com muita alegria essa mudança.

AMBIDESTRO: O ADN de lateral-direito sempre esteve no teu sangue ou experimentaste outras posições quando eras mais novo?

Rúben Freitas: Na verdade, no Sporting quando era mais miúdo, passei por várias posições, desde avançado a central (risos), havia muita qualidade e fazíamos todos muitas posições, com o passar dos anos fui-me fixando a extremo direito ou a ala direito e finalmente a lateral, a minha posição atual.

AMBIDESTRO: Ao serviço do Sporting chegaste a ser campeão nacional de iniciados. Que memórias guardas do teu tempo de leão ao peito?

Rúben Freitas: Guardo muitas memórias felizes, fiz lá a minha formação quase toda, fui campeão em todos
os escalões de formação que lá estive, tinha colegas com muita qualidade, a maioria são conhecidos hoje em dia.

AMBIDESTRO: Depois de Alvalade, foste para Braga. O que causou esta mudança?

Rúben Freitas: Foi um último ano muito estranho, mas, se calhar, não estava à altura dos meus colegas. Foi muito triste o dia que saí do Sporting, mas ajudou-me a crescer.

AMBIDESTRO: Foram quatro anos ligado aos bracarenses, onde finalizaste a tua formação e até te estreaste pela equipa B. Como foi esta experiência em Braga?

Rúben Freitas: O Sporting Clube de Braga, abriu me as portas naquela que considerei a fase mais importante da minha formação, estarei sempre muito grato. Foi lá onde sinto que cresci mais enquanto jogador e enquanto pessoa.

AMBIDESTRO: Após esses quatro anos de ligação ao Sporting de Braga, acabaste por mudar-te para o SC Salgueiros, que na altura se encontrava no Campeonato de Portugal. Como surgiu essa oportunidade?

Rúben Freitas: Faltava-me um ano de contrato com o SC Braga e o meu empresário achou que o melhor era
rescindir e procurar um clube onde pudesse jogar mais. Tinha vindo de uma lesão no joelho e basicamente foi assim que surgiu essa oportunidade.

AMBIDESTRO: Como foram esses teus dois primeiros anos de sénior?

Rúben Freitas: O meu primeiro ano de sénior foi no SC Braga, um ano muito atribulado devido a duas operações consecutivas. No segundo ano sim, ingressei no Salgueiros, um ano importante para ‘recomeçar ‘.

AMBIDESTRO: A verdade é que as tuas exibições valeram-te a oportunidade de ires jogar para o Chipre, para representar o Nikos & Sokratis. Como surgiu esta mudança tão brusca de realidade?

Rúben Freitas: Surgiu através do meu empresário na altura. Apresentou-me essa proposta e decidi arriscar numa aventura, estava a correr muito bem, até que de um momento para o outro, fico sem clube.. É verdade, sem clube.. coisas de empresários que não quero falar sobre isso. Cresci também com isso.

 

AMBIDESTRO: Na época seguinte experimentaste um novo país lá fora, desta feita Gibraltar, para representar o Lincoln Red Imps. O que reténs dessa segunda experiência lá fora?

Rúben Freitas: Foi mais um clube e uma experiência para crescer enquanto pessoa.

AMBIDESTRO: Quais consideras ser as principais diferenças entre o futebol nacional e aquele que pudeste experienciar lá fora?

Rúben Freitas: As diferenças são muitas, pelo menos nos clubes onde estive, aqui há muito mais qualidade e muito mais condições de trabalho.

AMBIDESTRO: Depois desta dupla aventura no estrangeiro regressaste a Portugal, para defender as cores do
Vilafranquense, onde te exibiste a grande nível, fazendo um total de 72 jogos. Sentes que foi a oportunidade de dar um passo atrás para poder dar dois em frente?

Rúben Freitas: O Vilafranquense foi o virar de uma página, abriu me as portas de volta a Portugal. Não foi um
passo atrás, foi um passo em frente, prova disso é que venho sempre em crescendo desde que cheguei lá. Um clube especial que me ajudou a fazer a transição para o futebol profissional.

 

AMBIDESTRO: As tuas boas exibições valeram-te uma mudança para a zona Oeste, para o CD Mafra, que tinha acabado de subir à Segunda Liga. Como surgiu esta oportunidade na tua carreira?

Rúben Freitas: Foi uma excelente oportunidade para ingressar nas competições profissionais, fiquei muito
feliz com esse passo, o CD Mafra é um clube me deu essa oportunidade, foi um orgulho ter levado o convento ao peito.

AMBIDESTRO: Tal como vinha acontecendo no Vilafranquense, tens sido peça fundamental no esquema tático mafrense, sendo constantemente dos jogadores mais utilizados do plantel – esta época foste mesmo totalista. É esta uma das recompensas de todo o teu trabalho?

Rúben Freitas: Felizmente estas duas épocas no Mafra correram muito bem, consegui valorizar me, também devido aos grandes jogadores que tive na equipa, era isso que eu pretendia nesta fase da minha carreira, valorizar-me enquanto jogador.

 

AMBIDESTRO: 2018/19 foi uma boa época, mas esta temporada conseguiu superar todas as expectativas. Um histórico quarto lugar na Segunda Liga, totalista na temporada, três golos e a chegada aos oitavos-de-final da Taça de Portugal, depois de terem eliminado o Moreirense, onde só foram eliminados pelo Famalicão. Foi a melhor época da tua carreira? Como foi vivido um ano assim?

Rúben Freitas: Foi sem dúvida a melhor época da minha carreira, o estilo de jogo também ajudou a isso, a valorização do Mafra também ajudou, os meus colegas também ajudaram. Foi um grupo fantástico. Sentíamos que ainda poderíamos ter uma palavra a dizer.

AMBIDESTRO: Esta época, face à pandemia que temos em mãos, foi tudo menos normal, o que levou mesmo ao cancelamento da Segunda Liga e, consequentemente, ao fim de uma época que vinha sendo histórica para o CD Mafra. O que pensas desta decisão de cancelamento da Segunda Liga?

Rúben Freitas: Custou um bocado, porque queríamos continuar a jogar, mas também sabíamos que a saúde
está em primeiro lugar. Penso que a voltar a Primeira Liga, também podia voltar a Segunda liga. São ambas profissionais.

AMBIDESTRO: Agora que Segunda Liga foi cancelada devido à pandemia de covid-19, como te tens mantido
ativo? Tens aproveitado para dar importância à tua vida pessoal? Estás já a preparar a próxima época?

Rúben Freitas: Essa parte já passou, tivemos muito tempo parados e deu para aproveitar para estar com a
família.Agora já estou focado em preparar a próxima época.

AMBIDESTRO: As tuas boas exibições têm levado a que o teu nome fosse associado a alguns clubes da
Primeira Liga, como o Boavista. Qual a sensação deste reconhecimento?

Rúben Freitas: É com grande orgulho e felicidade ser associado a clubes de 1a liga, porque esse sempre foi um dos meus objetivos principais, chegar à Primeira Liga.

AMBIDESTRO: Quais os teus objetivos para a tua carreira no futuro?

Rúben Freitas: Chegar à Primeira Liga é o meu objetivo, sei que isso vai acontecer naturalmente.

AMBIDESTRO: Qual o teu maior sonho no futebol?

Rúben Freitas: Jogar a Liga dos Campeões e chegar à seleção principal. Sonhos são sonhos.

AMBIDESTRO: Como te defines enquanto jogador?

Rúben Freitas: Sou um jogador focado e não paro até conseguir os meus objetivos.

AMBIDESTRO: Contas já com alguma experiência no futebol, com passagens por clubes históricos e ainda
experiências internacionais. Qual foi o melhor momento da tua carreira?

Rúben Freitas: Atualmente estou a viver o melhor momento da minha carreira.

AMBIDESTRO: Que pessoa te marcou mais até agora no futebol? Porquê?

Rúben Freitas: Ricardo Pereira, um simples exemplo de humildade e qualidade em todos os aspectos, desde
à adversidade de sair do Sporting para a Naval, a ida para o Vitória, a chegada ao FC Porto e empréstimo ao Nice, o regresso ao FC Porto em grande, a ida para o Leicester e consequente chegada à Seleção. É um ídolo e um exemplo para mim.

AMBIDESTRO: E fora de campo, quem é o teu maior apoio?

Rúben Freitas: A minha família e amigos

AMBIDESTRO: Já sabes o que queres fazer na vida pós carreira de jogador de futebol?

Rúben Freitas: Ainda não pensei muito nisso depende do que acontecer no futebol, uma coisa de cada vez.

AMBIDESTRO: Quem era o Rúben Freitas sem o futebol na sua vida?

Rúben Freitas: O mesmo que sou com o futebol, uma pessoa ambiciosa, uma pessoa que luta sempre pelo que quer.

 

Fora das quatro linhas:
Se não fosse futebolista era… – algo relacionado com o desporto.
Filme favorito – Equalizer
O que fazes nos tempos livres – cinema, desfrutar com a família.
Jogador que mais admiras – Ricardo Pereira
Treinador que mais te marcou – Vasco Seabra
Melhor jogador de sempre – Ronaldinho Gaúcho

 

Fonte das imagens: Facebook Rúben Freitas

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.